Opinião: Um verão especial | Elin Hilderbrand

Autor: Elin Hilderbrand
Título Original:
Summer of ’69 (2019)
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 374
ISBN: 9789724252605
Tradutor: Ana Coelho
Origem: Recebido para crítica
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: Estamos em 1969 e os Levin vivem tempos de mudança. Todos os anos a família ansiava por passar o verão na casa da avó, na Baixa de Nantucket; no entanto, como em tantas outras coisas na América, este ano tudo será diferente. Blair, a irmã mais velha, vê-se presa em Boston, grávida de gémeos e incapaz de viajar; Kirby é apanhada no meio do vórtice de protestos pelos direitos civis; Tiger, soldado de infantaria, foi enviado para o Vietname; e Jessie, com 13 anos, sente se subitamente filha única e isoladanaquela casa habitada pelos segredos da avó e da mãe.Enquanto o verão aquece, o Homem chega à Lua,realiza-se o Festival de Woodstock, o senador TedKennedy sofre um polémico acidente de automóvele Jessie e a sua família vivem as suas própriasconvulsões dramáticas, tal como o resto da nação.

Opinião: Um verão especial foi a minha estreia com a autora norte-americana Elin Hilderbrand, e vinha com a promessa de ser uma leitura descontraída, e por isso propícia para esta altura do ano, mas também sentia bastante curiosidade por saber como a autora iria explorar todos os acontecimentos que marcaram o verão de 1969 nos Estados Unidos da América.

O enredo giro em torno da família Foley-Levin e é relatada de acordo com a perspetiva de três irmãs: Blair, a mais velha e já casada, que aguarda o primeiro filho; Kirby, a irmã do meio, o espírito livre da família, que tenta no verão de 1969 começar a ter um pouco de liberdade, tendo arranjado o primeiro emprego; e finalmente Jessie, a filha mais nova e fruto do segundo casamento da mãe, uma jovem de 13 anos com uma maturidade invulgar e que acaba por dar uma perspetiva fresca a toda esta narrativa.

Vários temas e acontecomentos atuais à época são abordados – como o racismo e os abusos sexuais ou a Guerra do Vietname, a primeira viagem à Lua, Woodstock e o acidente de Chappaquiddick, que envolveu o senador Ted Kennedy – mas o verdadeiro foco do livro são as relações interpessoais entre os membros desta família, as dores de crescimento e o verdadeiro significado do amor e da amizade.

Como já referi, a autora opta por contar a história de acordo com três perspetivas diferentes que vão sendo intercaladas ao longo do livro. Esta técnica traz sempre associado o risco de o leitor se interessar mais por uma das personagens e perder motivação quando não é essa a protagonista, mas felizmente isso não aconteceu aqui. É verdade que as minhas partes preferidas foram as da Jessie, mas de um modo geral a autora conseguiu sempre ir deixando pontas soltas no final de cada secção que nos fazia continuar a ter vontade de saber o que ia acontecer a seguir.

Outra coisa de que gostei muito foi que cada capítulo tinha o nome de uma música da altura e que estava associado, em maior ou menor grau, aos acontecimentos desse capítulo. Muitas delas já conhecia, outras nem por isso, mas foi sem dúvida um bónus que ajudou a criar o ambiente da época. Aproveito para partilhar uma playlist que alguém criou no Spotify com todas estas músicas.

Considero que Um verão especial é uma boa leitura de verão, pela sua fluidez e tópicos de interesse. Não esperem encontrar um livro que vai mudar as vossas vidas ou que vos vai fazer pensar no sentido da vida; pareceu-me antes o tipo de leitura de entretenimento que por vezes tanta falta nos faz para aliviar o stress do dia-a-dia.

Não posso deixar de referir que participei ontem na conversa sobre este livro organizada pelo Círculo de Leitores e moderada pela Maria João Covas e pela Maria João Diogo, porque enriqueceu muitíssimo a experiência de leitura e trouxe novas perspetivas àquela que tinha sido a minha impressão acerca deste livro. Espero que estas iniciativas voltem a decorrer no futuro.

Classificação: 3/5 – Gostei

Novidade Alfaguara | O enigma do quarto 622, de Joël Dicker

Título: O enigma do quarto 622
Autor: Joël Dicker
Pág.: 624
Data de Lançamento: 30.06.2020
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Sinopse: Numa noite de dezembro, um cadáver jaz no chão do quarto 622 do Palace de Verbier, um luxuoso hotel nos Alpes suíços. A morte misteriosa ocorre em plena festa anual de um prestigiado banco suíço, nas vésperas da nomeação do seu presidente. A investigação policial nada conclui e a passagem do tempo leva a que o caso seja praticamente esquecido. Quinze anos mais tarde, o escritor Joël Dicker hospeda-se nesse mesmo hotel para recuperar de um desgosto amoroso e para fazer o luto do seu estimado editor. Ao dar entrada no hotel para o que esperava ser uns dias de tranquilidade e inspiração, não imaginava que acabaria a investigar esse crime do passado. Não o fará sozinho: Scarlett, uma bela mulher hospedada no quarto ao lado do seu, acompanhá-lo-á na resolução do mistério, ao mesmo tempo que vai decifrando a receita para escrever um bom livro. O que aconteceu naquela noite de Inverno no Palace de Verbier? Que crime terrível teve lugar no quarto 622? E porquê? Estas são as perguntas-chave deste thriller veloz, construído com a habitual mestria de Joël Dicker, que pela primeira vez nos leva ao seu país para narrar uma história surpreendente. Um triângulo amoroso, jogos de poder, traição e inveja – nada falta a esta intriga magnética, em que a verdade é muito diferente do que imaginávamos.

Sobre o autor: Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. Estreou-se na literatura com Os últimos dias dos nossos pais (Alfaguara, 2014). Mas foi a publicação do segundo romance que fez dele um fenómeno literário global: A verdade sobre o caso Harry Quebert (Alfaguara, 2013) foi publicado em trinta e três países, vendeu mais de quatro milhões de exemplares e venceu o prémio de melhor romance da Academia Francesa de Letras, o Prix Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para melhor romance em língua francesa. Seguiu-se, em 2016, O Livro dos Baltimore e, em 2018, O desaparecimento de Stephanie Mailer. O mistério do quarto 622 é o seu quinto romance e confirma a mestria de Dicker no género do mistério literário.

Opinião: A Cidade das Mulheres | Elizabeth Gilbert

Autor: Elizabeth Gilbert
Título Original:
City of Girls (2019)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 400
ISBN: 9789897840531
Tradutor: Ester Cortegano
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: No Verão de 1940, aos 19 anos, empurrada pelo desespero dos pais, Vivian Morris chega a Manhattan levando consigo apenas uma mala e uma máquina de costura. Embora pouco apreciados na prestigiada Faculdade de Vassar, o seu especial talento com as agulhas e a sua dedicação para lograr o penteado perfeito acabaram por transformá-la na estilista estrela de Lily Playhouse, o decadente teatro de variedades da sua nada convencional tia Peg. Apesar da guerra, os dias em Nova Iorque são tudo menos aborrecidos. Nesta cidade das mulheres, Vivian e as suas amigas tentam ser livres e beber a vida até à última gota. Mas ela também descobrirá que tem lições para aprender e amargos erros para cometer e que, para viver a vida que verdadeiramente deseja, terá de se reinventar a cada passo.

Opinião: Antes de passar para a minha opinião acerca deste livro, deixem-me contextualizar um pouco a leitura. Durante muito tempo, tive uma espécie de preconceito em relação aos livros da Elizabeth Gilbert, devido ao seu super-famoso “Comer Orar Amar”. Aliás, já falei dessa questão aqui no blogue, há uns tempos. A partir do momento em que opiniões de pessoas em quem confio começaram a sugerir-me que muito provavelmente estava enganada em relação a esta autora que fiquei com vontade de experimentar um dos seus livros – algo que, sem dúvida, é do mais elementar bom senso: nada como tirarmos as nossas próprias conclusões. E, por esse motivo, A Cidade das Mulheres, o último romance de Elizabeth Gilbert, chegou na melhor altura para me provar, definitivamente, que estava equivocada.

Este é um livro que recua até à década de 1940 numa Nova Iorque vibrante, já com a Segunda Guerra Mundial a decorrer, mas antes de os Estados Unidos terem iniciado a sua participação. Vivian Morris, uma jovem de 19 anos que procura encontrar um pouco de rumo na sua vida, é mandada pelos pais para viver durante uma temporada com a sua tia Peg, que geria um teatro um pouco decadente, onde eram postas em cena peças de teatro dirigidas às classes mais desfavorecidas. Após ter vivido até então sob a proteção dos pais e sem saber praticamente nada da vida, Vivian é lançada às feras, por assim dizer, e inicia-se então a sua descoberta da sexualidade, da amizade, do amor, mas também da mágoa e da crueldade humana. 

Todo o livro é narrado na primeira pessoa pela protagonista, como se de uma longa carta se tratasse, sendo o texto dirigido a Angela, que de início apenas sabemos ser filha de alguém importante na vida de Vivian. Sabemos que se trata de uma mulher idosa a olhar para trás na sua vida, com o discernimento dos anos que entretanto passaram, que permite que toda a narrativa possua um tom de sinceridade, ainda que irreverente, o que dá todo um tom realista à história. 

Uma das coisas que mais gostei neste livro foi a caracterização de Vivian. Toda a sua história está repleta de personagens vibrantes e marcantes, que por vezes parecem ofuscar a sua própria presença. Uma delas diz-lhe mesmo, a dada altura, que Vivian nunca foi nem será uma mulher interessante. E apesar do enorme sucesso que Vivian acaba por ter como estilista/costureira, esta personagem parece, à primeira vista, não ter tido uma vida verdadeiramente marcante. A minha opinião é que viveu uma vida com significado pelas relações que forjou, em especial a que é explorada na parte final do livro. Mas nem só de Vivian se faz este livro, porque há várias outras mulheres, ricas na sua diversidade, que ajudam a compor esta cidade de mulheres, e que a autora soube explorar tão bem.

Portanto, em jeito de balanço final, foi um livro que me manteve agarrada às suas páginas até ao final, com vontade de que nunca terminasse. Adorei e recomendo sem reservas!

Classificação: 5/5 – Adorei

Novidade Suma de Letras | 1974, de Niklas Natt och Dag

Título: 1794
Autor: Niklas Natt och Dag
Trilogia: Bellman noir #2
Pág.: 494
Data de Lançamento: 23.06.2020
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Sinopse: 1794, Estocolmo. Uma mãe chora a filha brutalmente assassinada na noite de núpcias. Desesperada, sem ninguém que atenda o seu pedido, acaba por bater à porta do vigia com um só braço e que chora amargamente a morte do amigo. No hospital de Danviken, nos arredores da cidade, um jovem nobre é atormentado pelo crime repugnante que cometeu. A investigação de Cardell leva-o de novo ao abismo de Estocolmo e à descoberta de que a cidade está mais perversa e perigosa do que nunca. Neste novo episódio, o leitor reúne-se com Mickel Cardell e Anna Stina Knapp no seu mundo barulhento e depravado, onde o que fica do esplendor gustaviano está prestes a entrar em colapso. Estocolmo verá os seus dias tornarem-se mais sombrios e o antigo esplendor dará lugar à escuridão escondida nos cantos e recantos da corrupta cidade.

Sobre o autor: NIKLAS NATT OCH DAG (n. 1979) estreia-se como autor com o thriller histórico 1793. Tem uma inegável ligação com a história sueca, sendo membro da mais antiga família nobre da Suécia. Quando não está a escrever ou a ler, gosta de tocar violão, bandolim, violino ou a flauta de bambu japonesa, a shakuhachi. Vive em Estocolmo com a sua esposa e os dois filhos. 1793 é um fenómeno editorial sem par. Será publicado em 35 países, está a ser nomeado para vários prémios literários e é um inegável sucesso da crítica e do público em todos os países onde já foi publicado.

Novidade Suma de Letras | A Cidade das Mulheres, de Elizabeth Gilbert

Título: A Cidade das Mulheres
Autor: Elizabeth Gilbert
Pág.: 396
Data de Lançamento: 23.06.2020
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: No Verão de 1940, aos 19 anos, empurrada pelo desespero dos pais, Vivian Morris chega a Manhattan levando consigo apenas uma mala e uma máquina de costura. Embora pouco apreciados na prestigiada Faculdade de Vassar, o seu especial talento com as agulhas e a sua dedicação para lograr o penteado perfeito acabaram por transformá-la na estilista estrela de Lily Playhouse, o decadente teatro de variedades da sua nada convencional tia Peg. Apesar da guerra, os dias em Nova Iorque são tudo menos aborrecidos. Nesta cidade das mulheres, Vivian e as suas amigas tentam ser livres e beber a vida até à última gota. Mas ela também descobrirá que tem lições para aprender e amargos erros para cometer e que, para viver a vida que verdadeiramente deseja, terá de se reinventar a cada passo.

Sobre a autora: ELIZABETH GILBERT é a autora de A Grande Magia e Comer, Orar, Amar, dois bestsellers n.º 1 do The New York Times, além de ter escrito vários outros livros, todos eles de grande sucesso internacional. Foi finalista dos prémios National Book Award, National Book Critics Circle Award e do PEN/Hemingway Award. O seu último romance, A marca de todas as coisas, foi eleito o melhor livro do ano pelo The New York Times, O: The Oprah Magazine, The Washington Post, The Chicago Tribune e The New Yorker.

Opinião: Crime na Mesopotâmia | Agatha Christie

Autor: Agatha Christie
Título Original:
Murder in Mesopotamia (1936)
Editora: RBA Coleccionables
Páginas: 237
ISBN: 9788447359080
Tradutor: Arminda Pereira
Origem: Comprado
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Sinopse: Miss Amy Leatheran é uma enfermeira contratada para cuidar da Mrs. Leidner, esposa de um famoso arqueólogo, que sofre de «manias» que lhe provocam alucinações e o temor constante de ser assassinada. A enfermeira vai para a Mesopotâmia e toma conta da sua doente num acampamento no meio do deserto iraquiano, onde o marido chefia um grupo de arqueólogos. As fantasias da doente são cada vez maiores, mas ninguém a leva a sério, até que um dia aparece morta no quarto.

Opinião: Ao fim de 20 livros lidos da Rainha do Crime, posso afirmar com toda a certeza que regressar aos livros dela é sempre garantia de umas horas bem passadas, quase como reencontrar velhos amigos ao fim de algum tempo sem os ver. É sempre assim que me sinto ao regressar às aventuras de Poirot ou Miss Marple e das incríveis situações que Agatha Christie sempre apresenta aos seus leitores.

Desta vez, o cenário é a Mesopotâmia, que corresponde basicamente ao Iraque e ao Kuwait e às regiões circundantes dos rios Tigre e Eufrates. Agatha Christie valeu-se certamente da sua experiência pessoal em expedições arqueológicas na zona para criar todo o ambiente que serve de base ao enredo: a enfermeira Leatheran é contratada pelo coordenador de uma dessas expedições para tomar conta da sua mulher, que aparentemente sofre de mania da perseguição e está convencida que a sua vida corre perigo. Como seria de supor, afinal Mrs. Leidner não estava alucinada, e acaba por aparecer morta em circunstâncias muito estranhas.

Ao estilo clássico da autora, todos os membros da expedição são suspeitos: desde o padre ao fotógrafo, passando pelo médico. Hercule Poirot encontrava-se, casualmente, no país, e a polícia local acha que a peculiaridade do crime pode beneficiar das capacidades dedutivas do detetive belga. Infelizmente, isto só acontece quase a meio do livro, e confesso que senti falta da sua presença. Todo o enredo vai avançando e beneficiando da incrível capacidade que Agatha Christie tem para explorar relações e o pior do ser humano. Normalmente, consigo abstrair-me dos horrores que se vão passando nas páginas, mas desta vez houve pelo menos uma cena em que fiquei verdadeiramente arrepiada.

O final é também o clássico em que Poirot junta todos os suspeitos e fala sobre as suas deduções, e é claro que consegue descobrir o verdadeiro culpado. Toda esta secção final é deliciosa, um verdadeiro prato gourmet para os fãs destes policiais clássicos. No final, adorei o piscar de olhos aos fãs da autora, quando é dito que posteriormente o detetive belga viajou no Expresso do Oriente e encontrou outro caso para resolver. É bom saber que ainda me restam vários livros de Agatha Christie para ler, porque é sempre um prazer garantido regressar aos seus livros.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Opinião: O Que Sabe o Vento | Amy Harmon

Autor: Amy Harmon
Título Original:
What the Wind Knows (2019)
Editora: TopSeller
Páginas: 416
ISBN: 9789896686598
Tradutor: Fernanda Semedo
Origem: Comprado
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Sinopse: Anne Gallagher cresceu encantada pelas histórias do avô acerca da Irlanda. Destroçada pela morte dele, viaja até à sua casa de infância para espalhar as cinzas do avô no lago Lough Gill. Aí, invadida pelas lembranças do homem que adorava e consumida pela história que nunca conheceu, vê-se levada para uma outra época. A Irlanda de 1921, à beira de uma guerra civil, é um sítio turbulento e instável? Mas é lá que Anne inesperadamente desperta, desorientada, ferida e ao cuidado do Dr. Thomas Smith, o homem que a resgatou do invulgar acidente que sofreu e que é tutor de um rapazinho que lhe é estranhamente familiar. Confundida por todos como a mãe perdida do rapaz, Anne adota a sua identidade, convencida de que o desaparecimento dessa mulher está ligado ao seu. Com a tensão a escalar no país, levando Thomas a juntar-se à luta pela independência da Irlanda, Anne vê-se arrastada para o conflito e percebe que vai ter de decidir se estará disposta a desistir da vida que conhecia por um amor que nunca pensou vir a encontrar. Mas será mesmo dela a escolha?

Opinião: Parti para este livro sabendo muito pouco sobre a história, apenas guiada por algumas vozes em que confio, que o tinham elogiado bastante. E que bom é partir para um livro com poucas expectativas e ser surpreendida como eu fui neste caso.

Depois de ter ficado órfã muito cedo e de ter sido criada pelo avô, Anne Gallagher é agora uma escritora de sucesso. Eoin sempre lhe falou do seu país Natal, a Irlanda, mas Anne nunca lá tinha ido; quando na fase terminal da sua vida Eoin lhe pede para levar as suas cinzas para a Irlanda e as deitar num lago perto da casa onde tinha sido criado, Anne não consegue imaginar como esta viagem vai alterar a sua vida. Não há como falar sobre a história deste livro sem referir a componente das viagens no tempo, porque boa parte do enredo gira em torno da declaração e reconhecimento da independência da Irlanda, entre 1916 e 1922, época para a qual a personagem principal é inadvertidamente transportada.

Não sabia praticamente nada sobre a história da independência da Irlanda, e por isso este livro foi um manancial de informação, através da participação direta no enredo de algumas figuras históricas, como Michael Collins, ou das entradas no diário de Thomas Smith, uma personagem ficcional que a autora colocou a ter uma participação importante nos eventos históricos. Mas mais do que esta componente histórica muito interessante, e que nunca se torna maçadora, o que me cativou por completo neste livro foi a forma subtil e emocionante como a autora desenvolveu a história entre Anne e Thomas. Não posso deixar de referir que adorei a escrita de Amy Harmon; é notável a sua capacidade para descrever emoções sem parecer demasiado lamechas ou óbvia. 

A adaptação de Anne a uma época e país completamente diferentes daqueles em que nasceu e cresceu é um claro ponto de interesse do enredo, bem como o seu conhecimento antecipado acerca de marcos históricos importantes e o impacto desse conhecimento no desenrolar da história. Julgo que a autora foi inteligente ao não complicar em demasia a questão da viagem no tempo e das suas implicações, apesar de ter detetado, aqui e ali, alguns pontos que talvez tivessem ganho com uma explicação mais coerente. 

O Que Sabe o Vento é um livro que contém em si as doses certas de romance e História, com uma pitadinha muito bem-vinda de ficção científica. Foi uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos e deixou-me com a certeza que não demorarei muito a ler o outro livro da autora publicado em Portugal, Procura-me Quando a Guerra Acabar.

Classificação: 5/5 – Adorei

Desafio de Leitura – Mangalipa Mania

Já sigo os canais da Filipa e da Manganet praticamente desde que descobri o Booktube no final de 2017. Desde então, tenho vindo a acompanhar com assiduidade os vídeos que elas vão publicando e posso dizer que são duas das minhas booktubers preferidas, apesar de terem estilos e vídeos algo diferentes. No passado mês de março, embarcaram numa competição de leitura entre elas – a que chamaram “Mangalipa” – cujo objetivo era ler o maior número de páginas possível no espaço de um mês, cumprindo os desafios diários selecionados de forma aleatória, que podiam ir desde ler x páginas a não ler nada.

Fui acompanhando os vídeos semanais com os vlogs do desafio e achei imensa piada. Elas conseguiram cativar os seus subscritores com uma série de vídeos engraçados e entusiasmantes, criando uma expectativa enorme acerca de quem seria a vencedora. E, naturalmente, começaram a ter pedidos para organizarem algo em que todos pudessem participar, e que acabou por se transformar no “Mangalipa Mania”, que decorreu nas duas últimas semanas de abril. 

Ainda hesitei um pouco, mas depois decidi inscrever-me, à semelhança de outras cerca de 170 pessoas. Foram feitas duas equipas, cada uma liderada ou pela Filipa ou pela Manganet (eu fui #TeamManga) e, durante duas semanas, todos demos o nosso melhor. Tínhamos um chat no Skype que foi pensado para podermos trocar os desafios diários com outros membros da equipa, caso o desejássemos, e para podermos informar que queríamos passar o desafio para a outra equipa (podíamos usar cada ajuda apenas uma vez). Mas a verdade é que o chat se tornou numa outra coisa completamente diferente: passou a ser um sítio para falarmos uns com os outros sobre livros e, na verdade, sobre um pouco de tudo. Sempre cheio de boa-disposição, foi tão, mas tão divertido, que acabou por ser melhor coisa que retirei desta experiência.

O balanço de leitura foi espetacular: terminei 10 livros nos 15 dias do desafio (ainda que dois já tivessem sido iniciados), mas a verdade é que senti que estava a recuperar o ritmo de leitura que sei que consigo e desejo ter. Por isso, foi uma forma divertida e entusiasmante de retomar leituras e sair desta letargia literária em que me encontrava. Mas como dizia, o melhor de tudo foi mesmo os laços que se criaram com os meus companheiros de equipa: houve sempre um ambiente incrível e uma excelente compreensão daquilo que estava em causa neste desafio de leitura. Continuamos a comunicar e essa é sempre uma das melhores partes dos meus dias, agora que nos encontramos nesta situação tão particular. Fica o agradecimento às duas organizadoras deste projeto (nem quero imaginar o trabalho que tiveram e as horas que perderam!) e uma palavra de carinho para todos os novos amigos que fiz, esperando que possamos em breve conhecer-nos pessoalmente.

Se quiserem ver os vídeos da Filipa e da Manganet acerca deste desafio, é seguir este e este link.

P.S.: Foi a #TeamLipa quem acabou por ler mais páginas, mas isso não interessa nada 😀 

Opinião: O Pintor de Almas | Ildefonso Falcones

Autor: Ildefonso Falcones
Título Original:
El pintor de almas (2019)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 650
ISBN: 9789896659608
Tradutor: José Vala Roberto/Lufada de Letras
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Barcelona, 1901. A cidade vive dias de grande agitação social. A miséria sombria dos mais desfavorecidos contrasta com a elegante opulência das grandes avenidas, onde começam a destacar-se alguns edifícios singulares, símbolo da chegada do modernismo. Dalmau Sala, filho de um anarquista assassinado, é um jovem pintor que vive preso entre dois mundos. Por um lado, a sua família e Emma, a mulher que ama, são fortes defensoras da luta dos trabalhadores; homens e mulheres que não conhecem o medo ao exigir os direitos dos trabalhadores. Por outro lado, o seu emprego na oficina de cerâmica de Dom Manuel Bello, o seu mentor e um conservador burguês de fortes crenças católicas, aproxima-o de um ambiente em que prevalecem a riqueza e a inovação criativa. Deste modo, seduzido pelas tentadoras ofertas de uma burguesia disposta a comprar o seu trabalho e a sua consciência, Dalmau terá de encontrar o verdadeiro caminho, como homem e como artista, e afastar-se das noites de vinho e drogas para descobrir o que realmente é importante para ele: os seus valores, a sua essência, o amor de uma mulher corajosa e lutadora e, acima de tudo, aquelas pinturas que brotam da sua imaginação e capturam, numa tela, as almas mais miseráveis que perambulam pelas ruas de uma cidade agitada pelo germe de rebelião. Com O Pintor de Almas, Ildefonso Falcones oferece-nos a poderosa história de um tempo conturbado, ao mesmo tempo que narra uma trama emocionante, onde o amor, a paixão pela arte, a luta pelos ideais e a vingança combinam com mestria para recriar uma Barcelona, outrora sóbria e cinzenta, que agora caminha para um futuro brilhante, onde a cor e a esperança começam a espalhar-se pelas suas casas e ruas.

Opinião: No início do século XX, Barcelona era uma cidade em agitação; por um lado, fervilhava a criatividade artística que dava corpo e cor a tantas obras marcantes da cidade que hoje conhecemos; por outro, foi uma época de grandes convulsões sociais e de luta pelos direitos dos trabalhadores. É neste cenário extremamente interessante e desafiador que Ildefonso Falcones coloca as suas personagens principais: Dalmau, filho de gente humilde e a começar a subir na sociedade graças ao seu incrível talento para a pintura, e Emma, a sua namorada, uma rapariga também de origens modestas, que luta sem medos para ver melhoradas as condições de trabalho.

À história destas duas personagens principais muitas outras se vão juntando – gostei particularmente da jovem mendiga Maravillas – mas há uma que não podia deixar de referir: a cidade de Barcelona é descrita nos seus vários tons e matizes, e é impossível não nos sentirmos transportados para aquela época. Eu sou particular admiradora da obra de Antoni Gaudí e ainda que ele ou o seu legado não sejam o foco principal deste livro, foi a principal figura do modernismo catalão, sobre o qual tanto aprendi neste livro. Muitos foram os artistas e as obras que participaram neste movimento, e foi realmente interessante saber mais sobre quem foram e o que fizeram. Nota-se a extensa pesquisa do autor, apesar de por vezes me ter parecido haver alguns blocos de informação que poderiam ter sido melhor integrados na narrativa.

O contraste entre toda esta beleza que se criava e a pobreza extrema em que boa parte dos habitantes da cidade vivia é por demais evidente, e Ildefonso Falcones traz neste livro um bom equilíbrio entre estas duas facetas da cidade, aparentemente tão opostas. É no meio das duas que encontramos o pintor Dalmau, que vagueia constantemente entre a beleza e a decadência, e que procura encontrar o seu lugar depois de um desentendimento com Emma o ter levado a perder o foco. Muitos são os avanços e recuos na vida dos dois, ficando por vezes a sensação que tudo lhes acontece.

O Pintor de Almas é um livro extenso e que, por isso, requer dedicação. Houve alturas mais mornas, em que achei que o livro teria ganho com a redução de algumas páginas, mas esses momentos foram recompensados por outros mais emotivos e que me fizeram querer virar páginas para saber o que iria acontecer. No cômputo geral, apesar de achar que podia ter sido melhor na caracterização das personagens e no rumo do enredo ficcional, é um sólido romance histórico, com muito para aprender e descobrir. É um autor que quero continuar a ler, sem dúvida!

Classificação: 3,5/5

Opinião: Star Wars – A Saga Completa (BD)

Editor: Randy Stradley
Título Original:
Star Wars Omnibus: The Complete Saga—Episodes I through VI (2011)
Editora: Planeta
Páginas: 600
ISBN: 9789896576400
Origem: Comprado
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Sinopse: Todas as adaptações a banda desenhada dos filmes de Star Wars num só volume! Desde o fatídico encontro de Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi com Darth Maul até à vitória de Luke Skywalker sobre os Sith e a redenção de Darth Vader. Este volume de 600 páginas inclui as versões redesenhadas ou remasterizadas das adaptações da Edição Especial, e a lista de guionistas e desenhadores que participaram, assim como uma de personagens do mundo da banda desenhada. Uma peça de coleção a não perder.

Opinião: Começando pelo óbvio: esta coletânea das várias adaptações a BD das duas primeiras trilogias do franchise Star Wars já não se trata da saga completa, porque desde 2015 a saga principal passou a contar com mais três filmes. Dito isto, não achei falta dos três últimos episódios – dos quais gostei – e uma reflexão a frio me leva a concluir que provavelmente não teriam sido necessários, ainda que tenham sido bastante divertidos e emotivos. 

Cresci com Star Wars, bem como a maioria das pessoas da minha idade e da geração anterior à minha. Numa época em que não havia Internet e em que o cinema consumido passava em grande parte pelo que passava na TV, recordo com grande carinho as tardes de cinema aos fins-de-semana, em que regularmente éramos presenteados com filmes das minhas séries preferidas – Regresso ao Futuro, Indiana Jones e Star Wars. Vi os três filmes de cada uma delas tantas vezes que lhes perdi a conta; tinha-os gravados em cassetes de vídeo, cuja imagem já era sofrível pela quantidade de vezes que eram postas a funcionar. Sempre tive um fascínio especial por Star Wars, que é difícil explicar. Ou talvez não, porque esta história vai muito para além dos sabres de luz, das naves espaciais e dos “dróides”. A minha relação com a trilogia que funciona como prequela é mais complicada, e acho que muitos fãs deste universo estão comigo; ainda assim, há qualquer coisa de magnético em ver o potencial de Anakin Skywalker descer ladeira abaixo até ele se transformar no mítico Darth Vader.

Esta coletânea de BD junta no mesmo volume as adaptações dos episódios I a VI e, por terem sido publicadas num espaço temporal de cerca de 30 anos pelas mãos dos mais diversos ilustradores, temos aqui bastante diversidade no traço e nas cores. No que respeita a essa parte, e apesar de perceber pouco do tema, gostei mais das ilustrações dos primeiros três episódios, que me pareceram mais realistas. Tendo em conta que estas histórias se baseiam nos filmes e que os atores que deram corpo às personagens são uma parte tão fundamental da nossa identificação com a história, foi na primeira metade que senti que as ilustrações recriaram melhor a sua imagem e performance nos filmes. Mas a verdade é que a minha ligação emocional com o arco narrativo da segunda metade é muito maior, e foi nesta parte que me senti mais agarrada ao livro.

Alguns detalhes são deixados de fora, como seria natural, mas ainda assim não consegui evitar a sensação de que por vezes as histórias estavam demasiado corridas. No final de contas, o balanço foi muito positivo, porque ler as adaptações a BD teve o condão de me fazer voltar a emocionar com a história da família Skywalker. Só por isso já valeu a pena.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Opinião: No Escuro | Cara Hunter

Autor: Cara Hunter
Título Original:
In the Dark (2019)
Editora: Porto Editora
Série: Adam Fawley #2
Páginas: 368
ISBN: 9789720032362
Tradutor: Cláudia Ramos
Origem: Comprado
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Sinopse: Uma mulher e uma criança são encontradas fechadas numa cave, em risco de vida. Ninguém sabe quem são – a mulher não consegue falar e nenhuma descrição de pessoas desaparecidas corresponde aos perfis das vítimas. O proprietário da casa, velho e muito confuso, jura que nunca as viu. À medida que a polícia desespera por pistas, o detetive Adam Fawley recorda-se de um caso antigo, nunca resolvido, que também envolveu uma criança e uma mulher desaparecida. Curiosamente, tudo se passou numa tranquila rua de Oxford. E os moradores estão em choque: como pode tal ter acontecido debaixo dos seus narizes? Mas Fawley sabe que nada é impossível. E ninguém é tão inocente como parece. Da autora bestseller Cara Hunter, um romance profundamente inquietante que nos acelera o coração à medida que se revelam segredos há muito enterrados. Afinal, os piores monstros são os que se escondem à vista de todos.

Opinião: Depois de ter lido Perto de Casa e de ter gostado bastante, parti para o segundo volume desta série policial com um bom grau de certeza de que ia gostar. Desta vez, a história inicia-se quando uma jovem e uma criança são encontradas por acaso na cave de uma casa antiga, quando as obras da casa ao lado acidentalmente revelam a sua presença naquele sítio sombrio. 

Adam Fawley, personagem central desta série e detetive de serviço, é chamado para liderar as investigações deste caso, que de início parece ter uma solução fácil e relativamente linear, mas como devem imaginar muitas voltas e reviravoltas esperam o leitor. Antes de partir para esta leitura, e por ter lido algumas opiniões, já sabia que muitas surpresas me esperavam, e praticamente desde que comecei a leitura tentei adivinhar tudo o que tinha contribuído para o cenário de horror que nos é apresentado no início do livro, mas a verdade é que é quase impossível perceber qual o desfecho que a autora nos reserva.

À semelhança do que sucedeu no primeiro livro, temos no meio da narrativa excertos de notícias, entrevistas policiais e outros, que mais uma vez dão à história aquela dimensão real que é sempre bem-vinda, ainda que desta vez os comentários das redes sociais, que tanto tinha apreciado em Perto de Casa, tenham sido em muito menor quantidade.

Mais uma vez, Cara Hunter apresenta-nos um livro altamente viciante, que é muito difícil largar. Era precisamente disto que procurava nesta altura, e por isso posso dizer que o livro cumpriu o seu propósito. Quanto ao final… bem, realmente é inesperado e tem impacto, mas quando comparado com a forma muito satisfatória como a autora ata todas as pontas em Perto de Casa, o desenlace deste livro deixa a sensação de ser um pouco forçado e algumas coincidências desafiam a suspensão da descrença do leitor. Apesar disso, gostei igualmente bastante desta leitura, porque me entreteve e me manteve a virar páginas sem parar, o que normalmente é bom sinal. Sem dúvida que Cara Hunter é uma autora para continuar a seguir!

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Novidade Bertrand | Os Testamentos, de Margaret Atwood

Título: Os Testamentos
Autor: Margaret Atwood
Pág.: 456
Data de Lançamento: 20.03.2020
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Prisão, liberdade ou morte, qual o destino de Tia Lydia, de Agnes e de Daisy? Como se tornou a Tia Lydia responsável pelo Ardua Hall? Como cresce Agnes, a filha adotiva do Comandante Kyle e Tabitha? Qual o futuro do Mayday, a resistência de Gileade? Mantém-se o regime teocrático de Gileade? O livro Os Testamentos chega a Portugal, em português, a 20 de março, para responder ao que ficou em aberto na obra-prima distópica de Margaret Atwood, A História de Uma Serva. Vencedor do Booker Prize em 2019, Os Testamentos acompanha a história de três personagens 15 anos depois do final do primeiro livro, através dos testemunhos por elas deixados com as experiências vividas na República de Gileade e com resultados potencialmente explosivos. Os testemunhos da Tia Lydia, de Agnes e de Daisy, mulheres radicalmente diferentes e cujos percursos se cruzam, respondem às questões mais assombrosas sobre Gileade que atormentaram os leitores no final de A História de Uma Serva. Tendo resultado numa adaptação televisiva, A História de uma Serva é um sucesso a nível mundial e já se espera a adaptação de Os Testemunhos.

Sinopse: A obra-prima distópica de Margaret Atwood, A História de Uma Serva, tornou-se um clássico do nosso tempo cuja conclusão conhecemos nesta deslumbrante sequela. Quinze anos depois de A História de Uma Serva, o regime teocrático da República de Gileade mantém-se no poder, mas há sinais de que está a começar a cair por dentro. Neste momento crucial, os percursos de três mulheres radicalmente diferentes cruzam-se com resultados potencialmente explosivos. Duas cresceram em diferentes territórios, separadas por uma fronteira: uma, a filha privilegiada de um Comandante de alta patente, em Gileade, e a outra no Canadá, onde acompanha ativamente os horrores praticados pelo regime do país vizinho. Às vozes destas duas jovens, saídas da primeira geração que cresceu sob a nova ordem, junta-se a voz de uma terceira, uma mulher que é um dos carrascos do regime de Gileade, cujo poder se baseia nos segredos que foi reunindo sem escrúpulos e que usa de forma cruel. São estes segredos, há muito enterrados, que irão aproximar estas três mulheres, forçando-as a aceitarem-se e a defenderem as suas convicções mais profundas.

Sobre a autora: Margaret Atwood é autora de mais de cinquenta livros de ficção. Além de A História de Uma Serva, os seus romances incluem Chamavam-lhe Grace, que ganhou o Giller Prize no Canadá e o Premio Mondello em Itália; O Assassino Cego, vencedor do Booker Prize; Órix e Crex, finalista do Giller Prize e do Man Booker Prize; O Ano do Dilúvio, MaddAddam; O Coração É o Último a Morrer; e, mais recentemente, Semente de Bruxa. Atwood é também cocriadora (com Johhnie Christmas) da série de novelas gráficas Angel Catbird. Vive em Toronto.

Novidade Saída de Emergência | A Quinta, de Joanne Ramos

Título: A Quinta
Autor: Joanne Ramos
Pág.: 320
Data de Lançamento: 28.02.2020
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Sinopse: Golden Oaks é um retiro luxuoso onde as mulheres encontram todo o tipo de serviços: refeições orgânicas, professores de fitness, massagens diárias – e tudo a custo zero. De facto, quem aqui reside ainda recebe uma elevada quantia de dinheiro. A contrapartida? Durante nove meses não pode deixar o espaço, os seus movimentos são monitorizados e tem de cortar os laços com a sua vida anterior enquanto se dedica a uma única tarefa: produzir o bebé perfeito para os clientes super-ricos. Jane, uma imigrante das Filipinas, está desesperada por um futuro melhor quando, depois de um processo rigoroso, é selecionada para ser “Hospedeira” em Golden Oaks – ou na Quinta, como os residentes lhe chamam. Mas grávida, frágil e preocupada com o bem-estar da sua família, Jane está determinada a contactar os seus. No entanto, se deixar a Quinta, perde a recompensa financeira que poderia mudar a sua vida para sempre. Apaixonante e provocador, A Quinta explora as tensões entre ambição, mérito, dinheiro e maternidade e levanta questões cruciais sobre os sacrifícios que as mulheres estão dispostas a fazer para melhorar os futuros daqueles que amam.

Sobre a autora: JOANNE RAMOS nasceu nas Filipinas mas mudou-se para o Wisconsin quando tinha seis anos. Formou-se na Universidade de Princeton. Depois de trabalhar na área de investimento bancário durante vários anos, colaborou com a revista The Economist. Atualmente faz parte da direção de The Moth, uma organização sem fins lucrativos dedicada à arte do storytelling. Vive em Nova Iorque com o marido e os três filhos.

Novidade Quetzal | Léxico da Luz e da Escuridão, de Simon Stranger

Título: Léxico da Luz e da Escuridão
Autor: Simon Stranger
Pág.: 352
Data de Lançamento: 06.03.2020
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Sinopse: Uma história familiar magistralmente construída, um romance épico e ambicioso. Todo o léxico do amor, da perda, da coragem, da maldade – conciso, essencial, acutilante, poético. O que faz com que o acanhado filho do sapateiro Henry Rinnan, de Trøndelag, se torne um dos mais odiados criminosos da História da Noruega, um agente duplo que mata noruegueses para os nazis? E por que motivo uma família de judeus, logo após o fim da guerra, quereria ir viver para o quartel-general de Rinnan, a casa que se tornou o símbolo por excelência das atrocidades cometidas durante a ocupação alemã? Ao saber que a mãe da mulher tinha crescido na infamante casa que ficou conhecida por Bandeklosteret – o lugar onde a clique de Rinnan se juntava para maquinar, fazer festas e torturar prisioneiros na cave -, Simon Stranger começa a investigar a história dos Komissar, bem como dos seus elementos que morreram e dos que sobreviveram. Léxico da Luz e da Escuridão foi galardoado com o Prémio dos Livreiros Noruegueses e com o Riksmalprisen, atribuído a escritores de ficção ou não ficção pelo uso excecional da língua norueguesa.

Sobre o autor: Simon Stranger nasceu em 1976. Tem publicado, desde 2003, livros para crianças, jovens e adultos, muitos deles traduzidos em dezenas de línguas. É um dos escritores mais conhecidos e premiados na Noruega e está em vias de se tornar um dos autores noruegueses mais internacionais.

Novidade Desassossego | A Geografia do Dinheiro, de Dharshini David

Título: A Geografia do Dinheiro
Autor: Dharshini David
Pág.: 240
Data de Lançamento: 06.03.2020
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Sinopse: Alguma vez se perguntou porque conseguimos comprar mais bens do que os nossos avós alguma vez conseguiram… mas é menos provável que consigamos ter uma casa onde os guardar? Porque é que o preço de um litro de combustível duplica em poucos meses, mas nunca cai da mesma forma? Por detrás de tudo isto está a economia. O dólar é a alma da globalização e é ele que mantém a economia a funcionar. Metade das notas circulam fora dos EUA e muitos desses dólares estão na posse da China. Mas o que acontece quando o nosso dinheiro se movimenta à volta do mundo e como é que isso afeta as nossas vidas? Ao seguir a viagem de um dólar desde os subúrbios do Texas, através do banco central da China, pelos caminhos de ferro nigerianos e os oleodutos do Iraque, A Geografia do Dinheiro revela as verdades económicas que estão por detrás daquilo que vemos nas notícias todos os dias:
• Porque é que a China é o maior produtor de bens e os EUA o maior consumidor?
• O comércio justo é realmente uma coisa positiva?
Nesta leitura reveladora, a economista Dharshini David expõe estas complexas relações para chegar ao âmago de como o mundo globalizado funciona, mostrando quem detém o poder e o que isso significa para todos nós.

Sobre o autor: DHARSHINI DAVID sempre trabalhou na área económica, primeiro para o governo, depois para a banca. Apresentou na BBC um programa diário a partir de Wall Street (Nova Iorque). Desde 2009 que faz a cobertura financeira diária da City e que apresenta o programa Sky News Tonight.

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