Novidade Planeta | A Harpa dos Reis, de Juliet Marillier

Título: A Harpa dos Reis
Autor: Juliet Marillier
Pág.: 456
Data de Lançamento: 21.07.2020
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Sinopse: Liobhan, de dezoitos anos, é uma cantora possante e toca muito bem flauta. O irmão possui uma voz que derrete o coração mais duro e é um talento raro na harpa. Mas a grande ambição de Liobhan é ingressar no grupo de guerreiros de elite da Ilha dos Cisnes. Ela e o irmão treinam na ilha para competir por lugares no grupo quando são convocados para uma missão apesar de ainda serem candidatos. A sua invulgar combinação de aptidões torna-os ideais para esta tarefa específica, que exige disfarçarem-se de menestréis ambulantes. Porque a Ilha dos Cisnes treina guerreiros, mas também espiões. A sua missão é encontrar e recuperar uma harpa preciosa, um símbolo antigo da realeza, que desapareceu. Se o instrumento não for tocado na próxima coroação, o pretendente ao trono não será aceite e o reino cairá no caos. Confrontada com cortesãos conspiradores, druidas pouco faladores, uma contadora de histórias perspicaz e um príncipe herdeiro grosseiro, Liobhan depressa percebe que um poder do Outro Mundo pode estar a intrometer-se nos assuntos do reino. Quando a ambição entra em conflito com a consciência, Liobhan tem de tomar uma decisão ousada e as consequências poderão partir-lhe o coração.

Sobre a autora: Juliet Marillier nasceu na Nova Zelândia, em Dunedin, uma cidade com fortes raízes na tradição escocesa. Licenciou-se com distinção em Linguística e Música, na Universidade de Otago, e tem tido uma carreira variada, que inclui o ensino, a interpretação musical e o trabalho em agências governamentais. Atualmente, Juliet vive numa casa de campo centenária, perto do rio, em Perth, na Austrália, onde escreve a tempo inteiro. É membro da ordem druídica OBOD. Juliet Marillier é uma autora internacionalmente reconhecida e os seus romances já conquistaram vários prémios. Tem quatro filhos e sete netos.

Opinião: O Corpo – Um Guia para Ocupantes | Bill Bryson

Autor: Bill Bryson
Título Original:
The Body. A Guide for Occupants (2019)
Editora: Bertrand
Páginas: 536
ISBN: 9789722537919
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
Origem: Comprado
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Sinopse: Biografia à revelia, totalmente não autorizada, deste invólucro mortal que ocupamos. Uma extraordinária investigação do corpo humano que o vai deixar maravilhado com o invólucro que ocupa. A vida toda habitamos um único corpo e contudo a maioria de nós não faz a mais pálida ideia de como este funciona e do que se passa no seu interior. A ideia deste livro é simples: a de tentar compreender esta extraordinária maquineta que nós somos. No premiado bestseller Breve História de Quase Tudo Bill Bryson fez o quase-impossível: tornou a ciência simultaneamente compreensível e divertida para milhões de pessoas em todo o mundo. Agora, Bryson volta a sua atenção para o corpo humano, como funciona e como consegue a extraordinária proeza de se curar a si próprio. O Corpo: Um Guia para Ocupantes está cheio de histórias verídicas e factos incríveis e é uma tentativa brilhante e muito bem-humorada de compreender este nosso milagre fisiológico e neurológico.

Opinião: Os livros que tinha lido de Bill Bryson até agora – Breve História de Quase Tudo e Em Casa – foram duas leituras muito interessantes, em que aprendi imenso. Fiquei desde então com vontade de ler mais da sua obra e aproveitei este lançamento recente para satisfazer esse desejo. Desta vez, Bill Bryson propõe-se percorrer o corpo humano, por todas as suas diversas e variadas partes, e levar o leitor a conhecer mais sobre a forma como funcionamos e o verdadeiro milagre que é a nossa existência.

O Corpo – Um Guia para Ocupantes é um livro para curiosos. Em cada capítulo, Bill Bryson ocupa-se de um dos nossos sistemas ou órgãos, fala um pouco sobre a história da evolução do conhecimento sobre o mesmo, enquanto vai apresentando exemplos e factos pouco conhecidos sobre o tema em causa. Isto faz com que a leitura nunca se torne enfadonha, apesar de alguns termos técnicos desconhecidos do comum dos mortais. O autor volta aqui a conseguir um excelente equilíbrio entre factos e a componente de entretenimento, de tal forma que chega a parecer que é simples fazê-lo.

Li este livro antes de termos entrado todos em quarentena, mas quando a COVID-19 já era uma realidade bem presente. No Capítulo 20 – Quando as Coisas Correm Mal: Doenças, Bill Bryson fala sobre epidemias passadas e refere (pág. 397): “Uma doença pode ou não tornar-se uma epidemia, e isso depende de quatro fatores: o quão letal é, a sua capacidade de encontrar novas vítimas, a facilidade ou dificuldade de a conter e a suscetibilidade a vacinas. […] Um vírus bem sucedido é aquele que não mata demasiado bem e consegue circular com um grande raio de alcance“. Mais à frente, falando sobre o ébola (pág. 398): “Em várias ocasiões, graças a viagens aéreas, conseguiu escapar para outros países, mas felizmente foi contido em todos esses casos. É possível que não tenhamos sempre tanta sorte. […] É espantoso, na verdade, que não aconteçam coisas más com maior frequência. Segundo uma estimativa mencionada por Ed Yong no Atlantic, o número de vírus em aves e mamíferos com potencial para atravessar a barreira das espécies e infetar os humanos pode ser na ordem dos 800.000. É muito perigo potencial.“.

Sinto-me sempre mais rica quando leio os livros deste autor, e esta leitura reforçou o quanto gosto de não ficção. Bill Bryson escreve livros informativos, que se lêem quase como ficção pela fluidez e humor que neles inclui, sem nunca descurar o seu verdadeiro objetivo que é aumentar o conhecimento do leitor sobre o que o rodeia – ou, neste caso, sobre o que tem dentro de si. Gostei muito e recomendo.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Novidade Planeta | Uma Janela com Vista sobre os Telhados, de Suzanne Kelman

Título: Uma Janela com Vista sobre os Telhados
Autor: Suzanne Kelman
Pág.: 412
Data de Lançamento: 09.06.2020
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Sinopse: 1941, Amesterdão está ocupada pelos nazis. Uma inesquecível história de amor, esperança e traição, e um testemunho da coragem da Humanidade nos dias mais negros da História. Quando os nazis ocupam a sua adorada cidade, o professor Josef Held sente-se impotente. Mas, ao descobrir que o antigo aluno Michael Blum anda a tentar fugir à Gestapo, oferece-lhe abrigo no seu sótão. Na serena obscuridade desse aposento secreto, Michael fala-lhe da sua bela e destemida namorada, Elke, e garante que nem mesmo os nazis conseguirão separá-los. Mas Elke é uma rapariga holandesa não judia, e a sua relação é estritamente proibida. Josef vê a determinação apaixonada no olhar do jovem amigo. Enfurecido com as regras impostas pelos cruéis soldados alemães e lembrando-se do seu próprio desgosto amoroso, sente-se desesperado para oferecer uma oportunidade ao amor de Michael e Elke. Mas é então que a tragédia o atinge e Josef é confrontado com uma escolha impossível. Nos dias sombrios da guerra, com o perigo e a traição a cada esquina, não se pode confiar em ninguém. Para que Michael sobreviva e regresse para junto da mulher que ama, caberá a Josef encontrar o herói que há dentro de si, e fazer tudo que for preciso para manter Michael vivo. Mesmo que isso signifique colocar a sua vida em risco.

Sobre a autora: Suzanne Kelman é uma escritora e argumentista premiada, cujas distinções incluem o prémio de Melhor Argumento de Comédia para Longa-Metragem em 2011 no Festival Internacional de Cinema de Los Angeles, o Galardão de Ouro em 2012 nos Prémios de Cinema da Califórnia e o Prémio Van Gogh em 2012 no Festival de Cinema de Amesterdão. Nascida no Reino Unido, reside actualmente no estado de Washington. Em 2015, o seu argumento Held foi reconhecido pela Academia de Cinema e ficou incluído entre os dez primeiros classificados no concurso para a Bolsa Nichols da Academia de Cinema.

Opinião: O Meu Mapa de Ti | Isabelle Broom

Autor: Isabelle Broom
Título Original:
My Map of You (2016)
Editora: Planeta
Páginas: 376
ISBN: 9789897773464
Tradutor: Inês Castro
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Umas férias na deslumbrante ilha grega de Zakynthos, com o seu céu azul perfeito, praias de areia branca e águas cristalinas, deveriam ser um sonho tornado realidade. Mas, para Holly, mais parecem um pesadelo. Ao chegar à ilha para tomar posse da casa que acabou de herdar, Holly não sabe o que esperar. E, na verdade, não está preparada para os segredos de família que está prestes a descobrir. Com a ajuda de Aidan, o seu vizinho encantador, Holly dispõe-se a explorar a ilha, na esperança de juntar as peças da sua história perdida. No entanto, a vida real, incluindo o namorado que deixou em Inglaterra ameaçam este seu plano. Holly pensa que está a seguir os segredos do passado. No entanto, será possível que acabe por traçar o seu mapa do futuro? Um romance feminino com todos os ingredientes para surpreender as suas leitoras: uma emocionante história de amor, recheada de segredos do passado, que tem como cenário, uma paradisíaca ilha grega.

Opinião: Quando se inicia o enredo de O Meu Mapa de Ti, encontramos a protagonista da história, Holly, na sua casa em Londres, com um namorado estável e uma vida certinha, a tentar convencer-se de que tudo aquilo é o que realmente deseja para o seu futuro. Como devem imaginar, quando alguém sente a necessidade constante de repetir algo para si próprio, costuma ser sinal que não se sente assim tão seguro das suas decisões. Quando Holly recebe uma carta a avisá-la que acabou de herdar da sua tia uma casa na ilha grega de Zakynthos e que terá de deslocar-se lá para tomar conta da casa, intuimos que este será apenas o início de uma viagem de descoberta, não só da história da sua família, como de si própria.

Confesso que parti para esta leitura à espera de encontrar um romance leve, que não tratasse temas muito pesados, mas a verdade é que estava enganada. Ainda que o cenário seja uma paradisíaca ilha grega – e pela forma fantástica como a autora a torna palpável adivinhamos que a conhece muito bem – são abordados temas como doenças mentais, alcoolismo e a importância de termos raízes e pessoas na nossa vida que nos guiem e ajudem a encontrar o nosso lugar.

Claro que há romance, e essa parte do livro por vezes acaba por cair em alguma previsibilidade, mas o que mais me interessou nesta história foi a viagem pessoal de Holly, na descoberta da sua história familiar e nos segredos sobre as suas origens, mas também na sua vocação profissional e naquilo que realmente a fazia feliz. Como dizia, o romance é uma parte importante deste livro, mas a autora não faz depender a felicidade de Holly da descoberta do verdadeiro amor, e penso que isso é refrescante e libertador. 

Deixo aqui a minha sugestão de um livro que considero ser uma boa leitura para esta altura do ano, com a certeza que vos fará boa companhia nas férias. Fica a vontade de descobrir mais livros desta autora!

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Novidade Planeta | A Minha Querida Rose Gold, de Stephanie Wrobel

Título: A Minha Querida Rose Gold
Autor: Stephanie Wrobel
Pág.: 336
Data de Lançamento: 07.07.2020
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Sinopse: Durante os primeiros dezoito anos da sua vida, Rose Gold acreditou que estava muito doente. Era alérgica a tudo, usava uma cadeira de rodas e vivia praticamente no hospital. Os vizinhos faziam o que podiam para ajudar. Organizavam angariações de fundos, ofereciam consolo, mas, por mais médicos que consultasse, exames e cirurgias que fizesse, ninguém conseguia perceber o que se passava com ela. Acontece que afinal Patty, a mãe de Rose, é uma exímia mentirosa. Depois de cumprir cinco anos de prisão, Patty não tem para onde ir e pede à filha que a receba em sua casa. A comunidade fica chocada quando Rose Gold aceita. Patty insiste que a única coisa que quer é a reconciliação. Garante que perdoou Rose por a ter denunciado e testemunhado contra ela em tribunal. Mas Rose Gold conhece a mãe, Patty Watts acerta sempre as suas contas. Infelizmente para Patty, Rose Gold já não é a sua débil e querida menina… E esperou muito tempo pelo regresso da mãe a casa.

Sobre a autora: Stephanie Wrobel cresceu em Chicago e vive em Inglaterra há quatro anos com o marido e o seu cão Moose Barkwinkle. Tem um MFA pelo Emerson College e escreveu um pequeno conto que foi publicado na Bellevue Literary Review. Antes de se dedicar à escrita trabalhou como criativa em várias agências de publicidade. A Minha Querida Rose Gold é o seu primeiro romance.

Opinião: Uma Verdade Simples | Jodi Picoult

Autor: Jodi Picoult
Título Original:
Plain Truth (2000)
Editora: Bertrand
Páginas: 480
ISBN: 9789722535076
Tradutor: Fernanda Oliveira
Origem: Empréstimo
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Sinopse: A descoberta de um bebé morto num celeiro dos amish abala profundamente a comunidade. Mas a investigação policial conduz a uma descoberta mais chocante: há provas circunstanciais que sugerem que foi Katie Fisher, uma jovem amish solteira de dezoito anos, que se julga ser a mãe do bebé, que lhe tirou a vida. Quando Ellie Hathaway, uma advogada desiludida da grande cidade, chega a Paradise, na Pensilvânia, para defender Katie, dá-se um choque entre as duas culturas e, pela primeira vez na sua carreira fulgurante, Ellie enfrenta um sistema de justiça muito diferente do seu. Mergulhando profundamente no mundo daqueles que vivem uma «vida simples», Ellie terá de chegar a Katie. E, ao desvendar uma morte complexa, Ellie é obrigada a olhar também para dentro de si, para confrontar os seus medos e desejos quando um homem do seu passado entra de novo na sua vida.

Opinião: Já lá iam dois anos desde o último livro que tinha lido desta autora, por isso aproveitei o projeto da Dora e da Sandra, que escolheram Uma Verdade Simples como leitura para junho, para voltar às histórias de Jodi Picoult. Este é um livro mais antigo da autora, já publicado há 20 anos, e por isso tinha muita curiosidade em compará-lo com livros mais recentes e ver de que forma a autora evoluiu.

O enredo deste livro gira em torno da conservadora comunidade Amish e tem início quando, na quinta de uma família pertencente a esta comunidade, é encontrado sem vida um bebé recém-nascido. Tudo aponta para que a mãe seja a jovem Katie Fisher, que quando se vê confrontada com esta situação, nega ter estado grávida e que o bebé seja seu. Ao mesmo tempo, a advogada Ellie está a fazer uma espécie de retiro na casa dos seus tios, para perceber o que vai fazer da vida após ter terminado um relacionamento longo. Quase sem querer, vê-se envolvida no caso do bebé morto, e acaba por se tornar a advogada de defesa de Katie.

Como já vem sendo hábito nos livros desta autora, há sempre uma componente didática muito forte. Desta vez, aprendemos muito sobre a chamada “gente simples”, sobre a forma como encaram a vida, seja de um modo prático, seja de um modo mais espiritual. Por ser tão diferente da vida que levamos, poderia haver a tentação de julgarmos de forma mais intensa muitas das escolhas que fazem, mas a forma como Jodi Picoult os apresenta propicia o afastamento de julgamentos mais rápidos.

O enredo é cativante e leva o leitor a questionar-se constantemente sobre o que terá realmente acontecido, mas penso que o livro se arrasta em algumas partes e isso acaba por quebrar o ritmo de leitura. Pessoalmente, não senti grande interesse pelo enredo secundário que envolveu a Ellie, que acaba por ser muito mais interessante no seu papel de advogada do que no papel de mulher, pois a sua vida pessoal cai em alguns clichés quanto a mim desnecessários. 

Ainda assim, o balanço final foi positivo. Na minha opinião, não é o melhor livro da autora e acho que se nota que foi escrito numa fase mais inicial da sua carreira, mas foi uma leitura interessante e que me ajudou a conhecer melhor uma realidade bastante diferente da minha, o que é sempre positivo.

Classificação: 3/5 – Gostei

Opiniões sobre outros livros da autora: 

Novidade Suma de Letras | O Anjo de Munique, de Fabiano Massimi

Título: O Anjo de Munique
Autor: Fabiano Massimi
Pág.: 432
Data de Lançamento: 09.07.2020
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Sinopse: Munique, Setembro de 1931. Faltam poucas semanas para que umas eleições históricas outorguem o poder aos nazis. O comissário Sigfried Saue é chamado com urgência a um elegante apartamento, onde Angela Raubal, 22 anos, conhecida como Geli, é encontrada no seu quarto sem vida. Ao lado do corpo um revólver, tudo sugere que se trata de um suicídio. Geli, no entanto, não é uma mulher comum e o apartamento onde vivia e morreu, bem como o revólver que disparou o tiro fatal, não pertencem a um homem qualquer, são do seu «tio Alf», que o resto da Alemanha como Adolf Hitler, o político mais notório do momento. Em parte também por causa dessa estranha relação com a sua sobrinha, fonte de indignação e escândalo entre as fileiras dos seus inimigos e entre os seus colaboradores mais próximos. Sempre juntos, sempre felizes e sorridentes numa intimidade adolescente. O inspector Sauer se encontra dividido na sua investigação entre aqueles que o mandam encerrar a investigação passadas escassas horas e aqueles que o instruíram a ir ao fundo do caso e descobrir a verdade, qualquer que seja.

Sobre o autor: Fabiano Massimi vive e trabalha em Modena como editor, tradutor e escritor. Com o seu romance de estreia ganhou o prémio mais importante de Itália ao melhor thriller inédito. O Anjo de Munique, vendido para 10 países, é a sua estreia internacional. Um thriller histórico, baseado em factos reais, sobre a misteriosa morte de Geli Raubal, a sobrinha de Hitler. Uma história conhecida pelos historiadores, mas nunca contada ao público. Uma investigação tensa entre a realidade documental e a ficção narrativa em torno do único amor verdadeiro de Hitler, na agonizante república de Weimar, onde paira o fantasma dos mais terríveis crimes nazis.

Opinião: Um verão especial | Elin Hilderbrand

Autor: Elin Hilderbrand
Título Original:
Summer of ’69 (2019)
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 374
ISBN: 9789724252605
Tradutor: Ana Coelho
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Estamos em 1969 e os Levin vivem tempos de mudança. Todos os anos a família ansiava por passar o verão na casa da avó, na Baixa de Nantucket; no entanto, como em tantas outras coisas na América, este ano tudo será diferente. Blair, a irmã mais velha, vê-se presa em Boston, grávida de gémeos e incapaz de viajar; Kirby é apanhada no meio do vórtice de protestos pelos direitos civis; Tiger, soldado de infantaria, foi enviado para o Vietname; e Jessie, com 13 anos, sente se subitamente filha única e isoladanaquela casa habitada pelos segredos da avó e da mãe.Enquanto o verão aquece, o Homem chega à Lua,realiza-se o Festival de Woodstock, o senador TedKennedy sofre um polémico acidente de automóvele Jessie e a sua família vivem as suas própriasconvulsões dramáticas, tal como o resto da nação.

Opinião: Um verão especial foi a minha estreia com a autora norte-americana Elin Hilderbrand, e vinha com a promessa de ser uma leitura descontraída, e por isso propícia para esta altura do ano, mas também sentia bastante curiosidade por saber como a autora iria explorar todos os acontecimentos que marcaram o verão de 1969 nos Estados Unidos da América.

O enredo giro em torno da família Foley-Levin e é relatada de acordo com a perspetiva de três irmãs: Blair, a mais velha e já casada, que aguarda o primeiro filho; Kirby, a irmã do meio, o espírito livre da família, que tenta no verão de 1969 começar a ter um pouco de liberdade, tendo arranjado o primeiro emprego; e finalmente Jessie, a filha mais nova e fruto do segundo casamento da mãe, uma jovem de 13 anos com uma maturidade invulgar e que acaba por dar uma perspetiva fresca a toda esta narrativa.

Vários temas e acontecomentos atuais à época são abordados – como o racismo e os abusos sexuais ou a Guerra do Vietname, a primeira viagem à Lua, Woodstock e o acidente de Chappaquiddick, que envolveu o senador Ted Kennedy – mas o verdadeiro foco do livro são as relações interpessoais entre os membros desta família, as dores de crescimento e o verdadeiro significado do amor e da amizade.

Como já referi, a autora opta por contar a história de acordo com três perspetivas diferentes que vão sendo intercaladas ao longo do livro. Esta técnica traz sempre associado o risco de o leitor se interessar mais por uma das personagens e perder motivação quando não é essa a protagonista, mas felizmente isso não aconteceu aqui. É verdade que as minhas partes preferidas foram as da Jessie, mas de um modo geral a autora conseguiu sempre ir deixando pontas soltas no final de cada secção que nos fazia continuar a ter vontade de saber o que ia acontecer a seguir.

Outra coisa de que gostei muito foi que cada capítulo tinha o nome de uma música da altura e que estava associado, em maior ou menor grau, aos acontecimentos desse capítulo. Muitas delas já conhecia, outras nem por isso, mas foi sem dúvida um bónus que ajudou a criar o ambiente da época. Aproveito para partilhar uma playlist que alguém criou no Spotify com todas estas músicas.

Considero que Um verão especial é uma boa leitura de verão, pela sua fluidez e tópicos de interesse. Não esperem encontrar um livro que vai mudar as vossas vidas ou que vos vai fazer pensar no sentido da vida; pareceu-me antes o tipo de leitura de entretenimento que por vezes tanta falta nos faz para aliviar o stress do dia-a-dia.

Não posso deixar de referir que participei ontem na conversa sobre este livro organizada pelo Círculo de Leitores e moderada pela Maria João Covas e pela Maria João Diogo, porque enriqueceu muitíssimo a experiência de leitura e trouxe novas perspetivas àquela que tinha sido a minha impressão acerca deste livro. Espero que estas iniciativas voltem a decorrer no futuro.

Classificação: 3/5 – Gostei

Novidade Alfaguara | O enigma do quarto 622, de Joël Dicker

Título: O enigma do quarto 622
Autor: Joël Dicker
Pág.: 624
Data de Lançamento: 30.06.2020
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Sinopse: Numa noite de dezembro, um cadáver jaz no chão do quarto 622 do Palace de Verbier, um luxuoso hotel nos Alpes suíços. A morte misteriosa ocorre em plena festa anual de um prestigiado banco suíço, nas vésperas da nomeação do seu presidente. A investigação policial nada conclui e a passagem do tempo leva a que o caso seja praticamente esquecido. Quinze anos mais tarde, o escritor Joël Dicker hospeda-se nesse mesmo hotel para recuperar de um desgosto amoroso e para fazer o luto do seu estimado editor. Ao dar entrada no hotel para o que esperava ser uns dias de tranquilidade e inspiração, não imaginava que acabaria a investigar esse crime do passado. Não o fará sozinho: Scarlett, uma bela mulher hospedada no quarto ao lado do seu, acompanhá-lo-á na resolução do mistério, ao mesmo tempo que vai decifrando a receita para escrever um bom livro. O que aconteceu naquela noite de Inverno no Palace de Verbier? Que crime terrível teve lugar no quarto 622? E porquê? Estas são as perguntas-chave deste thriller veloz, construído com a habitual mestria de Joël Dicker, que pela primeira vez nos leva ao seu país para narrar uma história surpreendente. Um triângulo amoroso, jogos de poder, traição e inveja – nada falta a esta intriga magnética, em que a verdade é muito diferente do que imaginávamos.

Sobre o autor: Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. Estreou-se na literatura com Os últimos dias dos nossos pais (Alfaguara, 2014). Mas foi a publicação do segundo romance que fez dele um fenómeno literário global: A verdade sobre o caso Harry Quebert (Alfaguara, 2013) foi publicado em trinta e três países, vendeu mais de quatro milhões de exemplares e venceu o prémio de melhor romance da Academia Francesa de Letras, o Prix Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para melhor romance em língua francesa. Seguiu-se, em 2016, O Livro dos Baltimore e, em 2018, O desaparecimento de Stephanie Mailer. O mistério do quarto 622 é o seu quinto romance e confirma a mestria de Dicker no género do mistério literário.

Opinião: A Cidade das Mulheres | Elizabeth Gilbert

Autor: Elizabeth Gilbert
Título Original:
City of Girls (2019)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 400
ISBN: 9789897840531
Tradutor: Ester Cortegano
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: No Verão de 1940, aos 19 anos, empurrada pelo desespero dos pais, Vivian Morris chega a Manhattan levando consigo apenas uma mala e uma máquina de costura. Embora pouco apreciados na prestigiada Faculdade de Vassar, o seu especial talento com as agulhas e a sua dedicação para lograr o penteado perfeito acabaram por transformá-la na estilista estrela de Lily Playhouse, o decadente teatro de variedades da sua nada convencional tia Peg. Apesar da guerra, os dias em Nova Iorque são tudo menos aborrecidos. Nesta cidade das mulheres, Vivian e as suas amigas tentam ser livres e beber a vida até à última gota. Mas ela também descobrirá que tem lições para aprender e amargos erros para cometer e que, para viver a vida que verdadeiramente deseja, terá de se reinventar a cada passo.

Opinião: Antes de passar para a minha opinião acerca deste livro, deixem-me contextualizar um pouco a leitura. Durante muito tempo, tive uma espécie de preconceito em relação aos livros da Elizabeth Gilbert, devido ao seu super-famoso “Comer Orar Amar”. Aliás, já falei dessa questão aqui no blogue, há uns tempos. A partir do momento em que opiniões de pessoas em quem confio começaram a sugerir-me que muito provavelmente estava enganada em relação a esta autora que fiquei com vontade de experimentar um dos seus livros – algo que, sem dúvida, é do mais elementar bom senso: nada como tirarmos as nossas próprias conclusões. E, por esse motivo, A Cidade das Mulheres, o último romance de Elizabeth Gilbert, chegou na melhor altura para me provar, definitivamente, que estava equivocada.

Este é um livro que recua até à década de 1940 numa Nova Iorque vibrante, já com a Segunda Guerra Mundial a decorrer, mas antes de os Estados Unidos terem iniciado a sua participação. Vivian Morris, uma jovem de 19 anos que procura encontrar um pouco de rumo na sua vida, é mandada pelos pais para viver durante uma temporada com a sua tia Peg, que geria um teatro um pouco decadente, onde eram postas em cena peças de teatro dirigidas às classes mais desfavorecidas. Após ter vivido até então sob a proteção dos pais e sem saber praticamente nada da vida, Vivian é lançada às feras, por assim dizer, e inicia-se então a sua descoberta da sexualidade, da amizade, do amor, mas também da mágoa e da crueldade humana. 

Todo o livro é narrado na primeira pessoa pela protagonista, como se de uma longa carta se tratasse, sendo o texto dirigido a Angela, que de início apenas sabemos ser filha de alguém importante na vida de Vivian. Sabemos que se trata de uma mulher idosa a olhar para trás na sua vida, com o discernimento dos anos que entretanto passaram, que permite que toda a narrativa possua um tom de sinceridade, ainda que irreverente, o que dá todo um tom realista à história. 

Uma das coisas que mais gostei neste livro foi a caracterização de Vivian. Toda a sua história está repleta de personagens vibrantes e marcantes, que por vezes parecem ofuscar a sua própria presença. Uma delas diz-lhe mesmo, a dada altura, que Vivian nunca foi nem será uma mulher interessante. E apesar do enorme sucesso que Vivian acaba por ter como estilista/costureira, esta personagem parece, à primeira vista, não ter tido uma vida verdadeiramente marcante. A minha opinião é que viveu uma vida com significado pelas relações que forjou, em especial a que é explorada na parte final do livro. Mas nem só de Vivian se faz este livro, porque há várias outras mulheres, ricas na sua diversidade, que ajudam a compor esta cidade de mulheres, e que a autora soube explorar tão bem.

Portanto, em jeito de balanço final, foi um livro que me manteve agarrada às suas páginas até ao final, com vontade de que nunca terminasse. Adorei e recomendo sem reservas!

Classificação: 5/5 – Adorei

Novidade Suma de Letras | 1974, de Niklas Natt och Dag

Título: 1794
Autor: Niklas Natt och Dag
Trilogia: Bellman noir #2
Pág.: 494
Data de Lançamento: 23.06.2020
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Sinopse: 1794, Estocolmo. Uma mãe chora a filha brutalmente assassinada na noite de núpcias. Desesperada, sem ninguém que atenda o seu pedido, acaba por bater à porta do vigia com um só braço e que chora amargamente a morte do amigo. No hospital de Danviken, nos arredores da cidade, um jovem nobre é atormentado pelo crime repugnante que cometeu. A investigação de Cardell leva-o de novo ao abismo de Estocolmo e à descoberta de que a cidade está mais perversa e perigosa do que nunca. Neste novo episódio, o leitor reúne-se com Mickel Cardell e Anna Stina Knapp no seu mundo barulhento e depravado, onde o que fica do esplendor gustaviano está prestes a entrar em colapso. Estocolmo verá os seus dias tornarem-se mais sombrios e o antigo esplendor dará lugar à escuridão escondida nos cantos e recantos da corrupta cidade.

Sobre o autor: NIKLAS NATT OCH DAG (n. 1979) estreia-se como autor com o thriller histórico 1793. Tem uma inegável ligação com a história sueca, sendo membro da mais antiga família nobre da Suécia. Quando não está a escrever ou a ler, gosta de tocar violão, bandolim, violino ou a flauta de bambu japonesa, a shakuhachi. Vive em Estocolmo com a sua esposa e os dois filhos. 1793 é um fenómeno editorial sem par. Será publicado em 35 países, está a ser nomeado para vários prémios literários e é um inegável sucesso da crítica e do público em todos os países onde já foi publicado.

Novidade Suma de Letras | A Cidade das Mulheres, de Elizabeth Gilbert

Título: A Cidade das Mulheres
Autor: Elizabeth Gilbert
Pág.: 396
Data de Lançamento: 23.06.2020
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Sinopse: No Verão de 1940, aos 19 anos, empurrada pelo desespero dos pais, Vivian Morris chega a Manhattan levando consigo apenas uma mala e uma máquina de costura. Embora pouco apreciados na prestigiada Faculdade de Vassar, o seu especial talento com as agulhas e a sua dedicação para lograr o penteado perfeito acabaram por transformá-la na estilista estrela de Lily Playhouse, o decadente teatro de variedades da sua nada convencional tia Peg. Apesar da guerra, os dias em Nova Iorque são tudo menos aborrecidos. Nesta cidade das mulheres, Vivian e as suas amigas tentam ser livres e beber a vida até à última gota. Mas ela também descobrirá que tem lições para aprender e amargos erros para cometer e que, para viver a vida que verdadeiramente deseja, terá de se reinventar a cada passo.

Sobre a autora: ELIZABETH GILBERT é a autora de A Grande Magia e Comer, Orar, Amar, dois bestsellers n.º 1 do The New York Times, além de ter escrito vários outros livros, todos eles de grande sucesso internacional. Foi finalista dos prémios National Book Award, National Book Critics Circle Award e do PEN/Hemingway Award. O seu último romance, A marca de todas as coisas, foi eleito o melhor livro do ano pelo The New York Times, O: The Oprah Magazine, The Washington Post, The Chicago Tribune e The New Yorker.

Opinião: Crime na Mesopotâmia | Agatha Christie

Autor: Agatha Christie
Título Original:
Murder in Mesopotamia (1936)
Editora: RBA Coleccionables
Páginas: 237
ISBN: 9788447359080
Tradutor: Arminda Pereira
Origem: Comprado
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Sinopse: Miss Amy Leatheran é uma enfermeira contratada para cuidar da Mrs. Leidner, esposa de um famoso arqueólogo, que sofre de «manias» que lhe provocam alucinações e o temor constante de ser assassinada. A enfermeira vai para a Mesopotâmia e toma conta da sua doente num acampamento no meio do deserto iraquiano, onde o marido chefia um grupo de arqueólogos. As fantasias da doente são cada vez maiores, mas ninguém a leva a sério, até que um dia aparece morta no quarto.

Opinião: Ao fim de 20 livros lidos da Rainha do Crime, posso afirmar com toda a certeza que regressar aos livros dela é sempre garantia de umas horas bem passadas, quase como reencontrar velhos amigos ao fim de algum tempo sem os ver. É sempre assim que me sinto ao regressar às aventuras de Poirot ou Miss Marple e das incríveis situações que Agatha Christie sempre apresenta aos seus leitores.

Desta vez, o cenário é a Mesopotâmia, que corresponde basicamente ao Iraque e ao Kuwait e às regiões circundantes dos rios Tigre e Eufrates. Agatha Christie valeu-se certamente da sua experiência pessoal em expedições arqueológicas na zona para criar todo o ambiente que serve de base ao enredo: a enfermeira Leatheran é contratada pelo coordenador de uma dessas expedições para tomar conta da sua mulher, que aparentemente sofre de mania da perseguição e está convencida que a sua vida corre perigo. Como seria de supor, afinal Mrs. Leidner não estava alucinada, e acaba por aparecer morta em circunstâncias muito estranhas.

Ao estilo clássico da autora, todos os membros da expedição são suspeitos: desde o padre ao fotógrafo, passando pelo médico. Hercule Poirot encontrava-se, casualmente, no país, e a polícia local acha que a peculiaridade do crime pode beneficiar das capacidades dedutivas do detetive belga. Infelizmente, isto só acontece quase a meio do livro, e confesso que senti falta da sua presença. Todo o enredo vai avançando e beneficiando da incrível capacidade que Agatha Christie tem para explorar relações e o pior do ser humano. Normalmente, consigo abstrair-me dos horrores que se vão passando nas páginas, mas desta vez houve pelo menos uma cena em que fiquei verdadeiramente arrepiada.

O final é também o clássico em que Poirot junta todos os suspeitos e fala sobre as suas deduções, e é claro que consegue descobrir o verdadeiro culpado. Toda esta secção final é deliciosa, um verdadeiro prato gourmet para os fãs destes policiais clássicos. No final, adorei o piscar de olhos aos fãs da autora, quando é dito que posteriormente o detetive belga viajou no Expresso do Oriente e encontrou outro caso para resolver. É bom saber que ainda me restam vários livros de Agatha Christie para ler, porque é sempre um prazer garantido regressar aos seus livros.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Opinião: O Que Sabe o Vento | Amy Harmon

Autor: Amy Harmon
Título Original:
What the Wind Knows (2019)
Editora: TopSeller
Páginas: 416
ISBN: 9789896686598
Tradutor: Fernanda Semedo
Origem: Comprado
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Sinopse: Anne Gallagher cresceu encantada pelas histórias do avô acerca da Irlanda. Destroçada pela morte dele, viaja até à sua casa de infância para espalhar as cinzas do avô no lago Lough Gill. Aí, invadida pelas lembranças do homem que adorava e consumida pela história que nunca conheceu, vê-se levada para uma outra época. A Irlanda de 1921, à beira de uma guerra civil, é um sítio turbulento e instável? Mas é lá que Anne inesperadamente desperta, desorientada, ferida e ao cuidado do Dr. Thomas Smith, o homem que a resgatou do invulgar acidente que sofreu e que é tutor de um rapazinho que lhe é estranhamente familiar. Confundida por todos como a mãe perdida do rapaz, Anne adota a sua identidade, convencida de que o desaparecimento dessa mulher está ligado ao seu. Com a tensão a escalar no país, levando Thomas a juntar-se à luta pela independência da Irlanda, Anne vê-se arrastada para o conflito e percebe que vai ter de decidir se estará disposta a desistir da vida que conhecia por um amor que nunca pensou vir a encontrar. Mas será mesmo dela a escolha?

Opinião: Parti para este livro sabendo muito pouco sobre a história, apenas guiada por algumas vozes em que confio, que o tinham elogiado bastante. E que bom é partir para um livro com poucas expectativas e ser surpreendida como eu fui neste caso.

Depois de ter ficado órfã muito cedo e de ter sido criada pelo avô, Anne Gallagher é agora uma escritora de sucesso. Eoin sempre lhe falou do seu país Natal, a Irlanda, mas Anne nunca lá tinha ido; quando na fase terminal da sua vida Eoin lhe pede para levar as suas cinzas para a Irlanda e as deitar num lago perto da casa onde tinha sido criado, Anne não consegue imaginar como esta viagem vai alterar a sua vida. Não há como falar sobre a história deste livro sem referir a componente das viagens no tempo, porque boa parte do enredo gira em torno da declaração e reconhecimento da independência da Irlanda, entre 1916 e 1922, época para a qual a personagem principal é inadvertidamente transportada.

Não sabia praticamente nada sobre a história da independência da Irlanda, e por isso este livro foi um manancial de informação, através da participação direta no enredo de algumas figuras históricas, como Michael Collins, ou das entradas no diário de Thomas Smith, uma personagem ficcional que a autora colocou a ter uma participação importante nos eventos históricos. Mas mais do que esta componente histórica muito interessante, e que nunca se torna maçadora, o que me cativou por completo neste livro foi a forma subtil e emocionante como a autora desenvolveu a história entre Anne e Thomas. Não posso deixar de referir que adorei a escrita de Amy Harmon; é notável a sua capacidade para descrever emoções sem parecer demasiado lamechas ou óbvia. 

A adaptação de Anne a uma época e país completamente diferentes daqueles em que nasceu e cresceu é um claro ponto de interesse do enredo, bem como o seu conhecimento antecipado acerca de marcos históricos importantes e o impacto desse conhecimento no desenrolar da história. Julgo que a autora foi inteligente ao não complicar em demasia a questão da viagem no tempo e das suas implicações, apesar de ter detetado, aqui e ali, alguns pontos que talvez tivessem ganho com uma explicação mais coerente. 

O Que Sabe o Vento é um livro que contém em si as doses certas de romance e História, com uma pitadinha muito bem-vinda de ficção científica. Foi uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos e deixou-me com a certeza que não demorarei muito a ler o outro livro da autora publicado em Portugal, Procura-me Quando a Guerra Acabar.

Classificação: 5/5 – Adorei

Desafio de Leitura – Mangalipa Mania

Já sigo os canais da Filipa e da Manganet praticamente desde que descobri o Booktube no final de 2017. Desde então, tenho vindo a acompanhar com assiduidade os vídeos que elas vão publicando e posso dizer que são duas das minhas booktubers preferidas, apesar de terem estilos e vídeos algo diferentes. No passado mês de março, embarcaram numa competição de leitura entre elas – a que chamaram “Mangalipa” – cujo objetivo era ler o maior número de páginas possível no espaço de um mês, cumprindo os desafios diários selecionados de forma aleatória, que podiam ir desde ler x páginas a não ler nada.

Fui acompanhando os vídeos semanais com os vlogs do desafio e achei imensa piada. Elas conseguiram cativar os seus subscritores com uma série de vídeos engraçados e entusiasmantes, criando uma expectativa enorme acerca de quem seria a vencedora. E, naturalmente, começaram a ter pedidos para organizarem algo em que todos pudessem participar, e que acabou por se transformar no “Mangalipa Mania”, que decorreu nas duas últimas semanas de abril. 

Ainda hesitei um pouco, mas depois decidi inscrever-me, à semelhança de outras cerca de 170 pessoas. Foram feitas duas equipas, cada uma liderada ou pela Filipa ou pela Manganet (eu fui #TeamManga) e, durante duas semanas, todos demos o nosso melhor. Tínhamos um chat no Skype que foi pensado para podermos trocar os desafios diários com outros membros da equipa, caso o desejássemos, e para podermos informar que queríamos passar o desafio para a outra equipa (podíamos usar cada ajuda apenas uma vez). Mas a verdade é que o chat se tornou numa outra coisa completamente diferente: passou a ser um sítio para falarmos uns com os outros sobre livros e, na verdade, sobre um pouco de tudo. Sempre cheio de boa-disposição, foi tão, mas tão divertido, que acabou por ser melhor coisa que retirei desta experiência.

O balanço de leitura foi espetacular: terminei 10 livros nos 15 dias do desafio (ainda que dois já tivessem sido iniciados), mas a verdade é que senti que estava a recuperar o ritmo de leitura que sei que consigo e desejo ter. Por isso, foi uma forma divertida e entusiasmante de retomar leituras e sair desta letargia literária em que me encontrava. Mas como dizia, o melhor de tudo foi mesmo os laços que se criaram com os meus companheiros de equipa: houve sempre um ambiente incrível e uma excelente compreensão daquilo que estava em causa neste desafio de leitura. Continuamos a comunicar e essa é sempre uma das melhores partes dos meus dias, agora que nos encontramos nesta situação tão particular. Fica o agradecimento às duas organizadoras deste projeto (nem quero imaginar o trabalho que tiveram e as horas que perderam!) e uma palavra de carinho para todos os novos amigos que fiz, esperando que possamos em breve conhecer-nos pessoalmente.

Se quiserem ver os vídeos da Filipa e da Manganet acerca deste desafio, é seguir este e este link.

P.S.: Foi a #TeamLipa quem acabou por ler mais páginas, mas isso não interessa nada 😀 

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