Novidade Livros do Brasil | Os Pássaros e Outros Contos Macabros, de Daphne du Maurier

Título: Os Pássaros e Outros Contos Macabros
Autor: Daphne du Maurier
Pág.: 312
Data de Lançamento: 08.10.2020
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«Os pássaros dão excelentes vilões. Afinal, foram postos em jaulas, abatidos a tiro e atirados para dentro de fornos, durante séculos. É natural que tivessem de retaliar», sublinha mordazmente Alfred Hitchcock, a quem a célebre história de Daphne du Maurier encantou ao ponto de a transpor das páginas para o grande ecrã. Com Os Pássaros e Outros Contos Macabros, título que não era reeditado em Portugal há 30 anos, a autora clássica do catálogo original da Livros do Brasil volta a ter o merecido lugar de destaque nesta chancela do Grupo Porto Editora. O livro está disponível nas livrarias desde 8 de outubro. A singularidade da escrita de du Maurier confirmou o seu lugar ao lado dos maiores nomes da literatura gótica, como Edgar Allan Poe, Bram Stoker ou Henry James. Na presente edição, há ainda espaço para descobrir outros cinco contos de sua autoria, igualmente inquietantes, escritos entre os anos 50 e 70. «O elemento macabro que percorre muitos dos meus livros foi-se tornando, penso eu, cada vez mais forte com o passar dos anos, especialmente nos meus contos», admite a própria autora no prefácio datado de 1987 e que aqui se reproduz na íntegra.

Sinopse: Certa manhã, Daphne du Maurier observou um homem a trabalhar o campo, enquanto gaivotas sobrevoavam a sua cabeça. Nesse momento, foi-lhe sugerida a imagem que inspiraria a escrita de Os Pássaros: um bando de aves, extremamente esfomeadas e motivadas por um inexplicável fenómeno macabro, ataca a população da Cornualha. Foi esta capacidade de ampliar o lado sombrio de situações quotidianas que tanto fascinou Alfred Hitchcock, impelindo-o a adaptar ao cinema o génio da autora inglesa. A esta história reúnem-se ainda cinco outros contos tenebrosos, onde Veneza, Creta, o lar doméstico, ou um hospital de cidade se tornam palco da tragédia.

Sobre a autora: Nasceu no seio de uma família proeminentemente artística e literária, em Londres, a 13 de maio de 1907. Publicou os seus primeiros trabalhos na revista Bystander, o que resultou num contrato com um agente literário. Em 1931, lançou o romance Apaixonados, o primeiro de mais de duas dezenas que publicaria ao longo da sua carreira. É principalmente reconhecida por duas histórias, Rebecca (1938) e Os Pássaros (1952), ambas adaptadas ao cinema por Alfred Hitchcock. A sua novelística é marcada pela sugestão de elementos sobrenaturais, episódios imbuídos do espírito gótico e raramente com finais felizes. Em 1969, pelo inegável contributo que deu à literatura inglesa, é nomeada dama da Ordem do Império Britânico. Morre em casa, no condado da Cornualha, em 1989.

Novidade Bertrand | Contos de Grimm Para Todas as Idades, de Philip Pullman

Título: Contos de Grimm Para Todas as Idades
Autor: Philip Pullman
Pág.: 392
Data de Lançamento: 09.10.2020
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Os maravilhosos contos de Grimm recontados por Philip Pullman, numa obra que inclui histórias mais populares como ‘Branca de Neve’, ‘Hansel e Gretel’ e ‘Capuchinho Vermelho’, ou outras menos conhecidas como ‘A Madrinha Morte’, ‘As Três Folhas da Serpente’ e ‘A Couve Mágica’. Contos de Grimm Para Todas as Idades chegou às livrarias a 9 de outubro. Esta é uma obra de rainhas maléficas e reis vilões, de príncipes e princesas, de corajosos e trapaceiros. Os Irmãos Grimm marcaram a literatura com histórias repletas de magia. Quem não se assustou com a madrasta malvada capaz de matar a mais bela das donzelas? Ou quem não desejou cruzar-se com animais com poderes mágicos dispostos a salvar quem tem o coração puro? As histórias irresistíveis dos Irmãos Grimm, para leitores de todas as idades, chegam agora pelas mãos do galardoado autor Philip Pullman. Com os personagens míticos que idolatramos, com os princípes valentes e os heróis improváveis, e cuja moral da história guardamos na memória, confiantes de que o bem há-de sempre prevalecer sobre o mal. Nesta obra ficamos a conhecer as cinquenta histórias favoritas de Philip Pullman, que incluem contos da nossa infância e outros menos famosos. Com comentários sobre a sua versão e os contos originais.

Sinopse: Philip Pullman escolheu as suas cinquenta histórias favoritas dos Irmãos Grimm e apresenta-as numa versão claríssima, com a sua voz ímpar e brilhante. Dos contos mais populares, como «Rapunzel», «Branca de Neve» e «Cinderela», a outros menos conhecidos, como «As Três Folhas da Serpente» ou «A Madrinha Morte», Pullman traz o cerne de cada história intemporal para primeiro plano, seguido de um breve mas fascinante comentário. Contos de madrastas perversas, crianças corajosas e reis vilões para ler e reler por muitos anos.
Sou admirador do Philip Pullman desde o início, com a fantasia Galatea, até à esplêndida trilogia Mundos Paralelos. Todos os seus dons, incluindo a eloquência da sua prosa e a sua infinita imaginação altamente romântica, se manifestam nestas maravilhosas versões dos contos de Grimm.” Harold Bloom

Sobre o autor: Philip Pullman nasceu em Norwich, Inglaterra, em 1946. Ainda criança, viveu no seu país, no Zimbabué e na Austrália. Quando tinha onze anos, a família regressou definitivamente a Inglaterra. Frequentou a Faculdade de Exeter, onde descobriu o seu interesse pela literatura do género fantástico. Teve diversas profissões antes de se tornar professor em Oxford. Dedicou-se então à criação literária, começando por escrever textos de teatro e contos. A partir de 1985 passou aos romances, mas foi em 1995 que alcançou o sucesso à escala internacional com a trilogia MUNDOS PARALELOS. Philip Pullman, um dos escritores mais aclamados da atualidade, foi distinguido com vários prémios literários de grande prestígio, incluindo o Carnegie Medal; o Guardian Children’s Book Award; o Whitbread Prize, concedido pela primeira vez a um autor de obras infantojuvenis, e o Memorial Astrid Lindgren Prize, pelo conjunto da sua obra.

Novidade Livros do Brasil | O Longo Vale, de John Steinbeck

Título: O Longo Vale
Autor: John Steinbeck
Pág.: 264
Data de Lançamento: 24.09.2020
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Publicado originalmente em 1938, O Longo Vale reúne uma dúzia de contos que foram dos primeiros escritos por John Steinbeck, todos eles tomando como palco o vale de Salinas da sua infância. A última edição deste título em Portugal, datada de 1973 e há muito esgotada, não abarcava, porém, as quatro partes do conto «O Potro Vermelho», presentes agora nesta nova edição da Livros do Brasil, respeitando assim a estrutura original da obra, fixada nos anos 30. O livro está disponível nas livrarias desde 24 de setembro. Solidão, relações insatisfatórias e sexualidade reprimida emanam destas histórias que, antes de ganharem forma de livro, foram publicadas isoladamente em diversos jornais e revistas. Certas personagens desarmam-nos com a sua ternura e encanto, outras perturbam-nos com a sua impiedade, num conjunto de narrativas que refletem já muitos dos temas alicerce na prosa de Steinbeck: as tensões entre cidade e campo, trabalhadores e patrões, passado e presente.

Sinopse: A aridez da Natureza, os desafortunados que nela buscam uma gota de esperança, a inclemência do destino e dos homens são protagonistas destas narrativas, onde o domínio de forças hostis — naturais e humanas — acabará por fazer brotar os maiores ensinamentos de resiliência e de amor. Incluindo os contos «O Assassínio» e «A Promessa», ambos distinguidos com o Prémio O. Henry, deste volume fazem também parte as histórias de «O Potro Vermelho», centradas no jovem Jody Tiflin e nas aventuras que o ajudarão a crescer.

Sobre o autor: Nasceu em Salinas, na Califórnia, em 1902, numa família de parcos haveres. Chegou a frequentar a Universidade de Stanford, sem concluir nenhuma licenciatura. Em 1925 foi para Nova Iorque, onde tentou uma carreira de escritor, cedo regressando à Califórnia sem ter obtido qualquer sucesso. Alcançou o seu primeiro êxito em 1935, com O Milagre de São Francisco (Tortilla Flat na edição original), confirmado depois, em 1937, com a novela Ratos e Homens. A sua ficção está marcada por uma imensa preocupação com os problemas dos trabalhadores rurais e também por um grande fascínio para com a terra. Em 1939, publicaria aquela que, por muitos, é considerada a sua obra-prima, As Vinhas da Ira. Entre os seus livros, destacam-se ainda os romances A Leste do Paraíso (1952) e O Inverno do Nosso Descontentamento (1961), bem como Viagens com o Charley (1962), em que relata uma viagem de três meses por quarenta estados norte-americanos. Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1962. Faleceu em Nova Iorque, a 20 de dezembro de 1968.

Novidade Porto Editora | Terra Alta, de Javier Cercas

Título: Terra Alta
Autores: Javier Cercas
Pág.: 296
Data de Lançamento: 01.10.2020
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Com uma narrativa intensa e repleta de personagens memoráveis, Terra Alta é uma reflexão lúcida sobre a possibilidade de se fazer justiça e a legitimidade da vingança. Mas, mais do que tudo, é a epopeia de um homem em busca do seu lugar no mundo. Neste novo romance de Javier Cercas, um crime terrível abala a pacata comarca que lhe serve de título: os donos da sua maior empresa aparecem barbaramente assassinados. Quem toma conta do caso é Melchor Marín, jovem polícia e leitor voraz que chegou de Barcelona quatro anos antes. Sobre os ombros carrega um passado obscuro que o converteu numa lenda junto das forças policiais, mas que ele acredita ter enterrado sob uma vida feliz como marido da bibliotecária da povoação e pai de uma menina chamada Cosette, tal como a filha de Jean Valjean, o protagonista d’ Os Miseráveis, o seu livro preferido.

Sobre o autor: Javier Cercas nasceu em Ibahernando, Cáceres, em 1962. Os seus livros foram traduzidos para mais de trinta línguas e obtiveram diversos prémios, de que destacamos: Prémio Nacional de Literatura, Prémio Cidade de Barcelona, Prémio Salambó, Prémio da Crítica do Chile, Prémio Llibreter, Prémio Qué Leer, Prémio Grinzane Cavour, Prémio The Independent Foreign Fiction, Prémio Arcebispo Juan de San Clemente, Prémio Cálamo, Prémio Mondello, Prémio Internacional Terenci Moix e The European Athens Prize for Literature. Em 2011, foi-lhe atribuído o Prémio Internacional do Salão do Livro de Turim pelo conjunto da sua obra. Foram publicados em Portugal os seus livros Soldados de Salamina, O Monarca das Sombras, Anatomia de um Instante, A Velocidade da Luz, O Inquilino, As Leis da Fronteira (vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa / Correntes d’Escritas 2016) e O Impostor.

Novidade Suma de Letras | António Variações – Uma Biografia (ilustrada), de Bruno Horta e Helena Soares

Título: António Variações – Uma Biografia
Autores: Bruno Horta e Helena Soares
Pág.: 152
Data de Lançamento: 22.09.2020
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Sinopse: “Viveu sozinho, à sua maneira, muito incompreendido, se é que ele próprio se compreendeu. Exigente e dono da razão, exótico, louco, apontado, foi até ao fim o mesmo miúdo que chegou a Lisboa sem nada, que falava baixinho e tinha vergonha e por isso desejou tantas vezes regressar à origem: “Adeus que me embora vou/ Vou daqui prà minha terra/ Que eu desta terra não sou”.” Diz-se que António Variações era um artista à frente do seu tempo. Que era talvez demasiado moderno para um Portugal ainda tão cinzento e conservador, um país cujas aldeias perdidas no interior tinham parado no tempo e não tinham espaço para espíritos inquietos como o de António Joaquim Rodrigues Ribeiro. Variações, que assim decidiu chamar-se, fez-se sozinho. E quando conseguiu aquilo que sempre sonhou, quando todos na rua o cumprimentavam, quando a sua música explodiu nas rádios, morreu. Demasiado cedo, dizemos todos. Mas mesmo com pouco tempo de vida e música, deixou-nos a todos um legado único e extraordinário que ainda hoje inspira tantos músicos e artistas portugueses. Este livro é resultado dessa inspiração e também uma homenagem a um homem que nos deu tudo o que tinha para dar.

Sobre os autores: Helena Soares nasceu em 1991, em Viana do Castelo. É licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e tem mestrado na mesma área, pela Escola Superior de Artes e Design (Matosinhos). Fez Erasmus em Madrid e, mais tarde, viajou para Barcelona onde iniciou o seu percurso profissional num estúdio de design. A viagem continuou em Lisboa e, entretanto, o seu trabalho tem marcado presença em diversos projetos, exposições e/ou publicações nacionais e internacionais, desde Buenos Aires, Los Angeles e Nova Iorque, até Austrália, República Dominicana, China e Coreia do Sul.

Bruno Horta nasceu em 1981, é jornalista e tem publicado em diversos órgãos de comunicação social: Focus, Público, Diário de Notícias e Observador entre outros. Foi editor da revista Time Out Lisboa e é autor da peça de teatro “Dadores e Tomadores: Os Novos Comedores de Iogurtes” (2009) e do livro de entrevistas “Uma Década Queer” (2015).

Novidade Bertrand | O Dragão Renascido, de Robert Jordan

Título: O Dragão Renascido
Autor: Robert Jordan
Série: A Roda do Tempo #3
Pág.: 696
Data de Lançamento: 09.10.2020
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O aguardado terceiro volume de A Roda do Tempo, a série de culto da autoria de Robert Jordan, chega às livrarias a 9 de outubro. O Dragão Renascido é a continuação de A Grande Caçada, publicado em finais de 2019. Neste terceiro volume, a série mantém o ritmo alucinantemente épico, cheio de novas aventuras carregadas de reviravoltas, e o desenvolvimento fascinante e complexo das personagens e dos cenários onde tudo se desenrola. Num mundo de Luz e Sombra, onde a Terra é Una com o Dragão e o Dragão é Uno com a Terra, Rand al’Thor, o Dragão Renascido, trava um combate sem fim com as trevas. Para se preparar para o confronto, Rand precisa de encontrar Callandor, a antiga Espada do Dragão, mas para tal terá de combater os Sem-Alma. Com mais de 80 milhões de exemplares vendidos, A Roda do Tempo é a série de fantasia mais vendida de sempre no mundo inteiro, depois de O Senhor dos Anéis

Sinopse: Existe um mundo de Luz e Sombra onde o Bem e o Mal travam uma eterna batalha. É o mundo da Roda do Tempo, uma das melhores séries de fantasia épica alguma vez escrita. A Terra é Una com o Dragão e o Dragão é Uno com a Terra. Num mundo de Luz e Sombra – o mundo da Roda do Tempo – onde o Bem e o Mal travam uma batalha sem fim, a Sombra alastra através das Eras e o Tenebroso evocou todos os poderes mágicos do mal para escapar da prisão onde se encontra. Se o conseguir e nada o puder deter o caos instalar-se-á para sempre… Para o derrotar, apenas o homem que nasceu para combater as Trevas: Rand al’Thor, o Dragão Renascido. O líder há muito anunciado como salvador do mundo – e que nessa demanda o destruirá; o libertador que perderá a razão e que arrastará com ele os que lhe são mais queridos – tenta escapar ao seu destino. Para se preparar para o confronto, Rand precisa de encontrar Callandor, a antiga Espada do Dragão… e os Sem-Alma estão preparados e farão tudo para o impedir.

Sobre o autor: Robert Jordan nasceu em 1948 em Charleston, Carolina do Sul. Aos quatro anos aprendeu a ler com a ajuda episódica de um irmão mais velho, e aos cinco anos entrou nas aventuras de Mark Twain e de Júlio Verne. Com vinte anos foi mobilizado para o exército dos Estados Unidos, cumprindo duas comissões no Vietname (de 1968 a 1970). Depois do seu regresso, licenciou-se em Física e, em 1977, iniciou um percurso como escritor. O seu nome destacou-se sobretudo como autor da série de fantasia épica e bestseller mundial “A Roda do Tempo”, uma das séries mais importantes na história da fantasia, com mais de 14 milhões de exemplares vendidos na América do Norte. Robert Jordan morreu a 16 de setembro de 2007, após uma corajosa luta contra uma doença rara.

Novidade Livros do Brasil | O Templo Dourado, de Yukio Mishima

Título: O Templo Dourado
Autor: Yukio Mishima
Pág.: 280
Data de Lançamento: 08.10.2020
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Baseado num incidente real ocorrido em 1950 — o ato incendiário de um monge que sofria de perturbações mentais —, O Templo Dourado espelha brilhantemente as paixões e as agonias de um jovem religioso no Japão do pós-Segunda Guerra Mundial, tendo ficado inscrito como um dos mais importantes romances de Yukio Mishima. A presente tradução foi feita a partir da versão em inglês, conforme a vontade expressa do autor no que à divulgação internacional da sua obra diz respeito. O livro estará disponível nas livrarias a 8 de outubro. Neste que foi o primeiro romance do autor nipónico a conhecer tradução portuguesa, corria o ano 1972, as personagens são condicionadas pela transformação drástica que à data da sua escrita a sociedade japonesa sofria. Nestas páginas encontramos intensos dilemas de amor-ódio de quem sofre com a ruína de uma tradição que se julgava perfeita e que, por isso, sente a compulsão de cortar radicalmente com o passado. 

Sinopse: Mizoguchi, rapaz de frágil constituição e gago de nascença, vive complexado, ostracizado do mundo e desde a infância fascinado com o famoso Templo Dourado de Quioto. Quando integra aquele espaço como seu aluno, a perfeição estética da estrutura torna-se para ele uma obsessão, o exemplo da excelência, o objeto único do seu desejo, e o mundo exterior perde ainda mais relevância. Mas à medida que vê desenharem-se nas paredes do templo leves indícios de falhas, Mizoguchi convence-se de que o verdadeiro caminho para a Beleza reside num só ato, de libertadora violência. A partir de um incidente real ocorrido em 1950, O Templo Dourado espelha brilhantemente as paixões e as agonias de um jovem no Japão do pós-Segunda Guerra Mundial, tendo ficado inscrito como um dos mais importantes romances de Yukio Mishima.

Sobre o autor: Novelista e dramaturgo, pseudónimo de Kimitake Hiraoka, nasceu em Tóquio em 1925 e suicidou-se de forma mediática, praticando o ritual japonês seppuku, a 25 de novembro de 1970, manifestando assim a sua discordância perante o abandono das tradições japonesas e a aceitação acrítica de modelos consumistas ocidentais. O idealismo que enforma a sua obra e conduzirá a sua vida está enraizado no tradicionalismo militar e espiritual dos samurais, e a sua conceção da arte liga-se a um elevado culto da alma e do corpo. Mishima é um dos mais conhecidos escritores japoneses, várias vezes apontado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura e autor de obras inesquecíveis como Confissões de Uma Máscara (1948), O Templo Dourado (1956) ou O Marinheiro Que Perdeu as Graças do Mar (1963).

Novidade Alfaguara | Os rapazes de Nickel, de Colson Whitehead

Título: Os rapazes de Nickel
Autor: Colson Whitehead
Pág.: 248
Data de Lançamento: 08.09.2020
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Sinopse: Colson Whitehead regressa com a história de dois amigos que lutam pela sobrevivência num reformatório para jovens, num país e num tempo em que a cor da pele determina demasiado. O seu destino acaba no reformatório Nickel, uma instituição que se vangloria de fazer dos seus rapazes homens honrados e honestos. Mas por trás da fachada de rigor esconde-se uma câmara de horrores. Do aclamado autor de A Estrada Subterrânea chega-nos esta história baseada em factos reais, de dois amigos que lutam pela sobrevivência num reformatório para jovens onde, por trás da fachada, se esconde uma câmara de horrores. À medida que o cerco aperta no reformatório, parece haver apenas dois caminhos possíveis: fugir ou aceitar o cruel destino dos que ousam rebelar-se. Turner, o novo amigo de Elwood, está convicto de que a solução passa por repetir a crueldade dos opressores. Já Elwood acredita que é possível seguir o pacifismo que Luther King advogava. O cepticismo de um e o idealismo do outro levá-los-á a desembocarnuma decisão com repercussões inescapáveis. Baseada no caso real de um reformatório da Flórida que destruiu a vida de milhares de jovens, Os rapazes de Nickel é um romance de brutal impacto emocional. Uma obra literária que exibe a pujança de um escritor em plena forma, que explora a ferida aberta da segregação racial nos Estados Unidos e levanta uma poderosa voz contra a injustiça.

Sobre o autor: Colson Whitehead nasceu em 1969 em Nova Iorque. Estudou em Harvard e começou por trabalhar no jornal Village Voice a escrever recensões de discos, filmes e livros. Foi finalista do Prémio PEN/Hemingway com o seu primeiro romance, The Intuitionist. Tem publicados vários romances e um livro de ensaios sobre a sua cidade, The Colossus of New York. Foi ainda finalista dos prémios Pulitzer, Pen/Oakland e PEN/Faulkner. Com A estrada subterrânea venceu o Prémio Pulitzer e o National Book Award, entre várias outras distinções. Venceu pela segunda vez o Prémio Pulitzer – feito raramente alcançado na história da literatura americana – com o romance Os rapazes de Nickel. A estrada subterrânea dará origem a uma série de televisão realizada por Barry Jenkins. Tem leccionado em instituições como a Universidade de Columbia e Princeton e foi distinguido com as bolsas Guggenheim e MacArthur. Vive em Nova Iorque.

Opinião: Mary John | Ana Pessoa

Autor: Ana Pessoa
Ilustrador: Bernardo P. Carvalho
Ano de Publicação Original:
2016
Editora: Planeta Tangerina
Páginas: 192
ISBN: 9789898145772
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Há semanas que ando a escrever-te. Não sei bem porquê. Não sei bem para quê. Quem és tu, Júlio Pirata? Ando a pensar na nossa história. Desde o princípio. Desde o primeiro encontro. Desde a primeira pergunta: “És menino ou menina?” Eu sou uma menina por tua causa, Júlio. Deixei crescer o cabelo para ti, furei as orelhas para ti. Eu vivo e morro para ti. Todos os meses tenho o período, morro um bocadinho e penso em ti. Tu dizes: “Morreste!” E eu morro. Atiro-me para o chão de qualquer maneira. E eu não quero isso. Eu nunca mais quero morrer, Júlio. Eu quero viver para sempre. Todos os minutos de todas as horas de todos os dias.

Numa longa carta dirigida a Júlio Pirata, Maria João faz o balanço dos anos vividos na praceta que ambos partilharam durante a infância e a adolescência. Entre a mágoa e o humor, Maria João organiza os seus pensamentos e emoções, concentrando forças para inaugurar um novo capítulo da sua história.

Opinião: Maria João, uma jovem de 16 anos, decide escrever uma série de cartas a um amigo de infância, Júlio Pirata. No início da história, não percebemos bem porquê, mas depressa ficamos a par da importância de Júlio na vida da rapariga e do quanto ela quer que ele o perceba; as cartas acabam, assim, por funcionar como uma espécie de catarse, através das quais a rapariga tenta entender o que sente e onde os seus sentimentos a podem levar. As cartas são intercaladas as ilustrações de Bernardo P. Carvalho, todas em tons de azul, que lhe dão um toque muito especial.

Através das cartas de Maria João – ou Mary John, como Júlio a trata – ficamos a saber como os dois se conheceram ainda em crianças e de como desenvolveram uma ligação especial, que ela desejava profundamente que fosse para sempre. Mas seria realmente a relação dos dois especial, ou era apenas fundada nesse enorme desejo de Maria João?

Não sendo eu o público-alvo deste livro, que se destina a uma faixa etária que já abandonei há uns bons 20 anos, havia algum receio da minha parte em que esta leitura não tivesse impacto por os dilemas da adolescência serem já algo distante. Mas a verdade é que Ana Pessoa consegue aqui apresentá-los de uma forma universal, fazendo com que o leitor adulto regresse a essa fase da vida e recorde com vividez os sentimentos de inadaptação tão típicos da fase adolescente da nossa vida. A autora consegue criar aqui uma personagem tridimensional, muitíssimo interessante pela mistura da inocência da idade com a sabedoria inata de uma alma antiga.

Mary John alia uma prosa acima da média a um registo bastante acessível, o que o torna muito cativante para adolescentes e adultos. Os primeiros terão, certamente, muito com que se identificar no que respeita ao relato das dores de crescimento, e aos segundos não faltarão pontos de contacto com vivências da juventude. Foi uma leitura que me absorveu e cativou e que, por isso, só posso recomendar, com o desejo de continuar a descobrir os livros desta autora portuguesa.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Opinião: Sem Saída | Cara Hunter

Autor: Cara Hunter
Título Original:
No Way Out (2019)
Série: Inspetor Fawley #3
Editora: Porto Editora
Páginas: 336
ISBN: 9789720033413
Tradutores: Cláudia Ramos
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: São férias de Natal e duas crianças acabam de ser retiradas dos destroços de uma casa em chamas no norte de Oxford. O bebé está morto e irmão foi transportado para o hospital onde luta pela vida. Como é que duas crianças tão pequenas são deixadas sozinhas em casa? Onde está a mãe? E porque é que o pai não atende o telefone? Quando novas provas são descobertas, o pior pesadelo de DI Fawley torna-se realidade. Porque este incêndio não foi um acidente. E o assassino ainda anda lá fora.

Opinião: O enredo do terceiro volume desta série policial, que tem como protagonista o Inspetor Chefe Adam Fawley, inicia-se quando uma casa é consumida pelas chamas e as duas crianças da família são as vítimas do sucedido. O pai e a mãe não são encontrados e, por isso, várias são as perguntas sem resposta. Adam Fawley e a sua equipa são chamados para resolver o caso e inicia-se então a investigação que se afigura não ser de fácil resolução, com a especial agravante de envolver duas crianças possivelmente abandonadas à sua sorte.

O enredo vai-se desenvolvendo com as esperadas reviravoltas, que ajudam a que o ritmo do livro seja sempre frenético e que nunca deixemos de ter interesse na resolução do caso e curiosidade em saber como tudo irá terminar. Sem querer revelar muito, houve um ou outro elemento que me pareceu mais forçado no desenrolar da explicação do ocorrido, mas nada que manche a forma como a autora soube atar todas as pontas e concluir esta história de uma forma muito satisfatória.

À semelhança do que ocorreu nos dois anteriores volumes da série, também desta vez a autora vai incluindo ao longo da narrativa excertos de imprensa relacionados com o caso e respetivos comentários do cidadão comum, e-mails, transcrições de entrevistas e outros elementos que dão uma dinâmica muito particular à história que está a ser contada. Para mim, já é uma imagem de marca dos livros de Cara Hunter que leio sempre com muito gosto.

Registo com muito agrado também o foco dado à vida pessoal da personagem principal, que continua a sofrer com os danos colaterais da perda do seu filho Jake. Desta vez, temos aqui um acontecimento na parte final da história que deixa muita curiosidade por saber como irá ser a sua vida no futuro. Também os outros elementos da equipa de Adam Fawley conhecem desenvolvimentos pessoais interessantes, o que demonstra a preocupação da autora em que criemos ligação emocional com as suas personagens – o que, na minha opinião, faz com muita habilidade.

O veredicto final é, por tudo o que referi, bastante positivo. O terceiro volume desta série consegue manter a qualidade demonstrada nas histórias anteriores e deixa o leitor com muita vontade de continuar a acompanhar a vida pessoal e profissional destas personagens. Recomendo!

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Novidade Alfaguara | Consentimento, de Vanessa Springora

Título: Consentimento
Autor: Vanessa Springora
Pág.: 184
Data de Lançamento: 29.09.2020
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Sinopse: Paris, meados da década de 80: a jovem V. procura nas páginas dos livros algo que preencha o vazio de afecto deixado pelo divórcio dos pais. Com treze anos, num jantar, conhece G., escritor, figura da elite intelectual parisiense, semblante de monge budista e «olhos de um azul sobrenatural». Desconhece a reputação sulfurosa de que o escritor de cinquenta anos goza e desde o primeiro olhar é conquistada pelo magnetismo daquele homem, pelos olhares que lhe dedica. Depois de um meticuloso cortejo de algumas semanas, V.entrega-se a G. de corpo e alma.
O idílio amoroso chega ao fim quando V. percebe, com uma terrível desilusão, que G. coleciona relações com adolescentes e que faz das sucessivas conquistas a matéria-prima da sua obra literária. Debaixo da aparência melíflua de homem de letras esconde-se um perigoso predador, enfeitiçado pela juventude das suas vítimas, encoberto por uma sociedade complacente. 
Mais de trinta anos volvidos sobre os factos, Vanessa Springora narra, de forma lúcida e fulgurante, esta história de amor e perversão. Uma história individual – a sua história com o escritor Gabriel Matzneff – que espelha tantas outras e que expõe as derivas de uma época deslumbrada pelo talento e pela celebridade. Corajoso e comovente, este romance autobiográfico incendiou o meio literário francês e reacendeu o debate sobre o consentimento um pouco por todo o mundo.

Sobre a autora: Vanessa Springora (Paris, 1972) é editora, escritora e cineasta. Fez Mestrado em Literatura Moderna na Universidade de Sorbonne e licenciou-se em Cinema no Institut National Audiovisuel em Paris. antes de começar a trabalhar como assistente editorial na chancela literária Juillard, que dirige desde 2019. Consentimento é o seu primeiro romance, com direitos vendidos para mais de 20 países. Venceu o Grande Prémio das Leitoras da revista Elle e o Prémio Jean-Jacques Rousseau de literatura autobiográfica, além de ter sido um fenómeno editorial e social, pela comoção que causou na sociedade francesa.

Opinião: Grande Sertão: Veredas | João Guimarães Rosa

Autor: João Guimarães Rosa
Ano de Publicação Original:
1956
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 472
ISBN: 9789896658137
Origem: Comprado
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Sinopse: Grande Sertão: Veredas, o único romance e a obra-prima de João Guimarães Rosa, caiu com estrépito no panorama literário brasileiro, em 1956. Revolucionário na forma – praticamente inventou uma língua nova – e no conteúdo, Grande Sertão: Veredas mudou a literatura e assumiu-se, desde o primeiro dia e ao longo do tempo, como uma das mais importantes obras literárias da língua portuguesa, comparada – na ambição e na universalidade – a obras como Os Lusíadas, Dom Quixote e Fausto.

Opinião: Se hoje me perguntassem “Qual foi a tua leitura mais desafiante até à data?“, a resposta seria, sem dúvida, Grande Sertão: Veredas. Tomei conhecimento da existência deste livro através de alguns booktubers brasileiros, que o elogiaram como um grande clássico brasileiro e marco na literatura do país. Quando foi publicado em Portugal no ano passado, comprei-o e a leitura conjunta realizada pela Isabella Lubrano, do canal literário Ler Antes de Morrer, no passado mês de julho foi o empurrão que precisava para finalmente lhe pegar.

Não sou do tipo de leitora que desiste facilmente de um livro; aliás, nem sequer consigo dizer qual foi o último livro que deixei de lado. Quando iniciei a leitura de Grande Sertão: Veredas e li a primeira página não percebi absolutamente nada. Aliás, só ao fim da terceira tentativa comecei a conseguir dar algum sentido às palavras que estava a ler. Li mais algumas páginas e, perante a enorme dificuldade, considerei seriamente desistir. Li algumas opiniões sobre o livro e houve uma que dava uma sugestão preciosa: se tiverem a possibilidade de ler em formato e-book, num e-reader no qual possam consultar significados, irá ajudar imenso. E foi assim que, juntando a minha teimosia à ajuda esporádica do dicionário, fui avançando na leitura.

Demorei umas boas 40-50 páginas a habituar-me à oralidade e complexidade do discurso do texto de João Guimarães Rosa, mas depois disso, com maior ou menor dificuldade, consegui levar a água ao meu moinho. Já idoso, um homem marcado pelo seu passado de jagunço conta a história da sua vida a um visitante que passa pela sua fazenda. Riobaldo, assim é o seu nome, viveu no período áureo dos jagunços, bandos de homens que faziam justiça pelas próprias mãos e que, não raras vezes, eram contratados por chefes políticos para defenderem os seus interesses.

A narrativa consiste, assim, num enorme monólogo ao longo do qual Riobaldo vai falando em episódios da sua vida, de forma não linear, sendo o seu discurso sempre marcado pelos regionalismos sertanejos, deixando muitas vezes ao leitor a tarefa de desvendar o verdadeiro sentido de tudo o que diz. E a verdade é que, ainda que tenha havido várias partes das quais não consegui retirar muito sentido ou que tive de reler, ultrapassadas as dificuldades reconheço estar perante um livro rico de significado, inovador na forma e bastante interessante na análise dos conflitos psicológicos que rondam as personagens. 

Eu leio por diversos motivos: para me divertir, para aprender, mas também para me desafiar. Apesar de não poder dizer que Grande Sertão: Veredas foi um livro divertido ou cuja leitura me entusiasmou ou emocionou (com exceção das surpreendentes páginas finais), sinto-me mais rica depois de o ter lido, precisamente pelo desafio que a sua leitura propunha. Não recomendo de ânimo leve, mas se gostarem de um bom desafio aqui fica a dica.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

Novidade Porto Editora | Sem Saída, de Cara Hunter

Título: Sem Saída
Autor: Cara Hunter
Série:
Inspetor Fawley #3
Pág.: 336
Data de Lançamento: 17.09.2020
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Depois de resolver o desaparecimento da pequena Daisy, em Perto de Casa, e o sequestro de uma mulher e uma criança, em No Escuro, o Inspetor Adam Fawley tem um novo caso em mãos. Sem Saída é o mais recente título de Cara Hunter e chegou às livrarias de todo o país no dia 17 de setembro. Duas crianças pequenas são resgatadas de uma casa em chamas, uma morre e a outra fica em perigo de vida, a mãe está em paradeiro incerto e o pai incontactável. Quando a equipa do Inspetor Fawley entra em ação, descobrem que o incêndio tem mão criminosa e que há um assassino a monte. Em Sem Saída, que já ganhou um lugar na lista do Sunday Times dedicada aos 100 melhores policiais publicados depois de 1945, Cara Hunter mantém o registo intenso e inquietante e, num único fôlego, expõe fragilidades humanas e lacunas sociais e governamentais, com recurso a um humor sombrio e acutilante.

Sinopse: Este é um dos casos mais perturbadores em que o Inspetor Fawley já trabalhou. São férias de Natal e duas crianças acabam de ser retiradas dos destroços de uma casa em chamas no norte de Oxford. O bebé está morto e irmão foi transportado para o hospital onde luta pela vida. Como é que duas crianças tão pequenas são deixadas sozinhas em casa? Onde está a mãe? E porque é que o pai não atende o telefone? Quando novas provas são descobertas, o pior pesadelo de DI Fawley torna-se realidade. Porque este incêndio não foi um acidente. E o assassino ainda anda lá fora.

Sobre a autora: A escritora vive em Oxford, numa rua não muito diferente das que são descritas nos seus thrillers. Perto de Casa é a estreia de uma série protagonizada pelo detetive Adam Fawley.

Opinião: Nevermoor – O Desafio de Morrigan Crow | Jessica Townsend

Autor: Jessica Townsend
Título Original:
Nevermoor: The Trials of Morrigan Crow (2017)
Série: Nevermoor #1
Editora: Nuvem de Letras
Páginas: 420
ISBN: 9789896655945
Tradutores: Margarida Filipe
Origem: Recebido para crítica
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: Uma história de cortar a respiração sobre uma rapariga amaldiçoada que, ao escapar à própria morte, acaba num mundo mágico apenas para ser posta à prova de maneiras jamais imaginadas! Morrigan Crow nasceu na hora e no lugar errado. Condenada a morrer à meia-noite do dia em que fizer 11 anos, terá a oportunidade de mudar de vida quando um homem chamado Jupiter a envia para a mágica cidade de Nevermoor. Aí, descobre que foi escolhida para se candidatar a um lugar na organização mais prestigiante da cidade: a Wundrous Society. Ela terá de competir em 4 perigosos campeonatos contra centenas de outras crianças. Para poder permanecer em Nevermoor em segurança, terá de passar nesses testes.

Opinião: Morrigan Crow vive num mundo em que nascer num determinado dia a uma determinada hora pode ser uma sentença de morte. Por isso, passou a infância à espera do dia em que completaria o 11.º aniversário, quando estava escrito que a sua vida terminaria. A juntar a este destino fatídico, Morrigan não tem propriamente uma família que a apoie e lhe dê amor, já para não falar de que a maldição que pende sobre ela parece ter o condão de fazer com que lhe sejam atribuídas culpas sempre que algo de mau acontece em seu redor.

Mas, como seria de esperar, o destino não se cumpre. Jupiter North, um homem misterioso, aparece a algumas horas da meia-noite do dia fatídico e oferece-se para levar Morrigan para Nevermoor, uma espécie de mundo paralelo onde ela conseguirá escapar à sua morte. E é então que a menina – e o leitor também – entram num mundo de fantasia com gatos falantes, guarda-chuvas mágicos e uma Sociedade especial à qual Morrigan começa a desejar ardentemente pertencer. Jupiter parece ver nela algo de especial – apesar de ela não perceber o quê – e decide ser o seu patrono. Morrigan terá de ultrapassar uma série de desafios para ser uma das nove escolhidas de entre as centenas de crianças que desejam fazer parte da Sociedade Wunderiana, e ao longo do caminho irá fazer amizades (e também algumas inimizades), enquanto tenta encontrar o seu caminho e um lugar onde sinta realmente pertencer.

Esta série de livros (conta com dois até ao momento, estando o terceiro prestes a ser lançado no original) tem sido bastante comparado à série Harry Potter, por motivos mais ou menos óbvios: em primeiro lugar, o público-alvo juvenil; depois, alguns estereótipos como a criança de 11 anos que tem uma maldição sobre ela, mal-amada pela família e que ruma a um mundo mágico onde irá encontrar amigos e um sítio aonde possa pertencer. Mas a verdade é que nada disso impede que Nevermoor – O Desafio de Morrigan Crow ganhe pernas para andar por si próprio e se transforme num entretenimento bem conseguido para jovens e adultos.

Gostei das personagens – apesar de desejar que as possamos conhecer de uma forma mais aprofundada nos volumes seguintes – e achei super interessante o conceito de wunder, uma espécie de fonte misteriosa de magia sobre a qual ainda existe muito a descobrir. Pessoalmente, foi uma leitura bastante divertida, ótima para ir intercalando com outros textos mais densos e complexos, que me conseguiu manter suficientemente interessada para desejar rapidamente partir para o segundo volume, que também já se encontra traduzido para português.

Classificação: 3/5 – Gostei

Novidade Minotauro | Circe, de Madeline Miller

Título: Circe
Autor: Madeline Miller
Pág.: 444
Data de Lançamento: 03.09.2020
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: Deslocada entre deuses e os seus pares, Circe procura companhia no mundo dos homens, onde descobre que possui o poder da feitiçaria, capaz de transformar os rivais em monstros e de aterrorizar os deuses. Sentindo-se ameaçado, Zeus decide desterrá-la para uma ilha deserta, onde Circe aprimora as suas habilidades de feiticeira, domando perigosas feras e cruzando-se com as mais famosas figuras de toda a mitologia grega: o engenhoso Dédalo e Ícaro, seu filho, a sanguinária Medeia, o terrível Minotauro e, claro, Ulisses. Mas os perigos são muitos e Circe terá de decidir, de uma vez por todas, se pertence ao reino dos deuses, onde nasceu, ou ao dos mortais, que ela aprendeu a amar.

Sobre a autora: Madeline Miller cresceu em Nova Iorque e em Filadélfia. Frequentou a Brown University, onde obteve o grau de Master of Arts em Estudos Clássicos. Vive nos arredores de Filadélfia, na Pensilvânia.

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