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Opinião: A Última Carta | Cecelia Ahern

Autor: Cecelia Ahern
Título Original:
Postscript (2019)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 320
ISBN: 9789896659608
Tradutor: Susana Serrão
Origem: Recebido para crítica
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: Faz sete anos que o marido de Holly Kennedy morreu — seis, desde que ela leu a sua última carta, na qual ele lhe pedia que encontrasse coragem para forjar uma nova vida. Holly orgulha-se da forma como tem evoluído e crescido. Até que recebe a mensagem: «Precisamos desesperadamente da sua ajuda, Holly. Estamos a ficar sem ideias e…» — ela respira fundo, em busca de energia — «… todos nós estamos a ficar sem tempo.» Os membros do Clube P. S. Eu amo-te, inspirados nas últimas cartas do seu marido, Gerry, querem que Holly os ajude a escrever as suas próprias mensagens de despedida para os que lhes são queridos. Holly vê-se atraída, de novo, para um mundo que se esforçou tanto por deixar para trás. Relutante, começa a relacionar-se com o clube, mesmo quando a amizade deles ameaça destruir a paz que ela acredita ter alcançado. Porque cada uma dessas pessoas espera de Holly a ajuda para deixar algo significativo àqueles que mais ama, ela embarcará numa jornada notável que a desafiará a questionar se abraçar o futuro implica trair o passado e o que significa amar alguém para sempre…

Opinião: Li P.S. – Eu Amo-te há 12 anos e, ainda que não tenha sido um livro da vida, recordo-me de ter gostado e de me ter emocionado com a jornada de Holly, na tentativa de sobreviver à trágica morte do seu marido. Foi por isso com bastante curiosidade que parti para esta leitura, que esperava ser “leve” apesar de saber que um dos temas do livro não o era. 

Voltamos a encontrar Holly sete anos depois dos acontecimentos de P.S. – Eu Amo-te. Naturalmente, prosseguiu com a sua vida, que parece estabilizada: tem um emprego, um namorado e uma rede familiar e de amigos que está lá para tudo o que ela precisar. Por isso, fica surpreendida quando, ao gravar um podcast com a sua irmã acerca das cartas que Gerry lhe escrevera sete anos antes, isto desencadeia uma série de acontecimentos que levam Holly a questionar a sua vida e se terá realmente ultrapassado a morte do marido – tanto quanto o poderia fazer.

Tal como a Holly que encontramos aqui não é a mesma de P.S. – Eu Amo-te, por tudo o que entretanto aconteceu na sua vida, também eu não sou a mesma leitora. Tendo eu própria passado por um processo de luto, que é algo tão pessoal quanto um acontecimento marcante da vida pode ser, todas as mensagens que este livro transmite tiveram particular ressonância com a minha vida pessoal. Perder alguém que se ama é terrível, mas mesmo daí é possível retirar coisas positivas, como forma de nos fortalecermos e de nos reconstruirmos a cada dia que passa.

Cecelia Ahern consegue neste A Última Carta pôr o dedo na ferida, como se costuma dizer, e não facilita a vida da sua protagonista. Fá-la hesitar, avançar e recuar, questionar constantemente quem é, o que sente e o que poderá ser a sua vida – e, enquanto isso, o leitor faz precisamente a mesma viagem. Muitas das personagens secundárias possuem histórias igualmente interessantes, com destaque para Ginika, a jovem adolescente com um bebé do qual se terá de despedir em breve.

Em suma, foi uma leitura que me conseguiu verdadeiramente emocionar e que conseguiu trazer valor acrescentado à minha vida de uma forma que eu não antecipava. Na minha opinião, trata-se de uma sequela que vale a pena ler não só porque tem valor por si própria, mas também porque é superior ao livro que a antecede. Recomendo! 

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.