Home / 3/5 / Opinião: A Agenda Vermelha | Sofia Lundberg

Opinião: A Agenda Vermelha | Sofia Lundberg

Autor: A Agenda Vermelha
Título Original:
Den röda adressboken (2019)
Editora: Porto Editora
Páginas: 320
ISBN: 9789720031310
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
Origem: Comprado
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: Doris pode ter noventa e seis anos e morar sozinha em Estocolmo, mas tal não significa que não continue ligada ao mundo. Todas as semanas, aguarda ansiosamente o telefonema por Skype com Jenny, a sobrinha-neta americana que é, simultaneamente, a sua única parente. As conversas com a jovem mãe levam-na de volta à sua própria juventude e tornam mais suportável a iminência da morte, que Doris sente a rondá-la. De uma forma muitíssimo lúcida, escolhe, de entre as inúmeras memórias que uma vida longa carrega, as que estão relacionadas com aqueles que conheceu e amou e cujo nome inscreveu numa pequena agenda vermelha. As histórias desse passado colorido – o amor platónico pelo pintor modernista Gösta Adrian-Nilsson; o trabalho como manequim de alta-costura em Paris, na década de 1930; a fuga clandestina num barco que é bombardeado pelos soldados alemães do III Reich, no auge da Segunda Guerra Mundial – recriam uma existência plena que, embora se aproxime do derradeiro final, não está isenta de surpresas: um lembrete agridoce de que, na vida, os finais felizes não são apenas ficção.

Opinião: Aos 96 anos, Doris vive sozinha em Estocolmo e ainda vai conseguindo desenrascar-se com alguma ajuda externa para refeições e limpeza da sua casa. Tem apenas uma familiar, a sua sobrinha-neta Jenny, que vive nos Estados Unidos da América e com quem contacta frequentemente via Skype.

Com esta idade tão avançada, é natural que a grande maioria dos amigos e familiares próximos de Doris já tenha falecido. No entanto, ela continua a guardar uma agenda vermelha que o pai lhe ofereceu em criança, onde escreveu sobre boa parte dos principais acontecimentos da sua vida e sobre as pessoas que por ela passaram. As entradas nesta espécie de diário são o mote para vários saltos ao passado, levando o leitor pela mão para conhecer a vida singular desta mulher que, entre várias outras coisas, passou pelo complicado período da II Guerra Mundial.

Mas a verdade é que, depois de uma queda em casa, Doris é levada para o hospital e percebe-se que a sua vida, provavelmente, se aproxima do fim. À medida que conhecemos a história de vida de Doris, vemos que ela passou por muito, mas houve poucas alturas da sua vida em que foi verdadeiramente feliz. Agora que está no final da vida, será tarde demais para tentar remendar alguns erros do passado e trazer-lhe ainda um conforto final?

Para além da edição muito bem conseguida (o livro é mais pequeno do que o habitual e tem os cantos arredondados, a fazer lembrar uma agenda propriamente dita), tenho de admitir que a premissa deste livro agradou-me imenso. E a verdade é que a história é bem contada e tem todos os elementos para poder agradar a leque alargado de leitores, mas pessoalmente falhou em me emocionar como penso ter sido intenção da autora. Provavelmente o final algo melodramático e um pouco irreal não ajudou muito a isto.

Doris é, em si, uma personagem muito interessante, e penso que esta é a parte mais bem desenvolvida do livro. Ela tem uma história de vida intensa e cheia de provações, na qual o interesse amoroso foi, para mim, a parte menos cativante. Talvez por isso o final tivesse falhado em me emocionar – nunca me senti verdadeiramente investida na parte romântica da história de vida de Doris e o ênfase final que lhe é dado acaba por, de certo modo, desfazer um pouco daquilo que me tinha cativado anteriormente. Ainda assim, foi um livro que entreteve e que deixa curiosidade relativamente a futuras publicações desta autora.

Classificação: 3/5 – Gostei

mae-billboard

Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.