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Opinião: Uma Educação | Tara Westover

Autor: Tara Westover
Título Original:
Educated (2018)
Editora: Bertrand
Páginas: 376
ISBN: 9789722533799
Tradutor: Cláudia Brito
Origem: Comprado
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: Tara Westover cresceu a preparar-se para o Fim dos Tempos, para ver o Sol escurecer e a Lua pingar, como que de sangue. Passava o verão a conservar pêssegos e o inverno a cuidar da rotatividade das provisões de emergência da família, na esperança de que, quando o mundo dos homens falhasse, a sua família continuasse a viver. Não tinha certidão de nascimento e nunca pusera um pé na escola. Não tinha boletim médico, porque o pai não acreditava em médicos nem em hospitais. Não havia quaisquer registos da sua existência. O pai foi ficando cada vez mais radical com o passar do tempo, e o seu irmão, mais violento. Aos dezasseis anos, Tara decidiu educar-se a si própria. A sua sede de conhecimento haveria de a levar das montanhas do Idaho até outros continentes, a cruzar os mares e os céus, acabando em Cambridge e Harvard. Só então se perguntou se tinha ido demasiado longe. Se ainda podia voltar a casa. Uma Educação é a história apaixonante de uma mulher que se reinventa. Mas é também uma história pungente de laços de família e de dor quando esses laços são cortados. Com o engenho dos grandes escritores, Tara Westover dá forma, a partir da sua experiência singular, a uma narrativa que vai ao cerne do que é a educação e do que ela nos pode oferecer: a perspetiva de ver a vida com outros olhos e a vontade de mudarmos.

Opinião: Desde que comecei a ouvir falar neste livro, no ano passado, que fiquei com uma boa dose de certeza que iria gostar muito. Parecia ser exatamente a minha praia, também porque tenho vindo a ganhar cada vez mais gosto por livros de não ficção.

Tara Westover nasceu em 1985 no estado do Idaho, nos Estados Unidos da América, no seio de uma família mórmon que não acreditava em recorrer aos hospitais em caso de doença ou em colocar os filhos na escola. Neste relato na primeira pessoa, a autora conta histórias incríveis – pelo menos aos olhos daquilo que é “normal” na sociedade ocidental – de como foi crescer sem ir à escola ou várias situações em que os membros da família tiveram acidentes da mais variada gravidade e decidiram tratar-se em casa.

Dizia que boa parte das situações relatadas deixam o leitor incrédulo, mas a autora narra-as de tal forma que percebemos com clareza que, para aquela família, este modo de vida era perfeitamente normal e aceitável. Tara percorre um longo caminho até conseguir compreender que, talvez, se conseguisse entrar na universidade mesmo sem ter frequentado a escola, poderia saciar a sede de conhecimento que ela própria parecia não saber que tinha. E assim foi, a autora consegue entrar na universidade e, depois de muito esforço e percalços, acaba por conseguir um percurso brilhante.

Uma das coisas que mais me marcou neste livro – e foram várias – foi a ocasião em que, logo no início do seu percurso académico, ela ouve falar no Holocausto, sem fazer a mínima ideia do que se tratava. Todo o livro até ali tinha apresentado uma coleção de situações que demonstravam a distância entre esta menina-mulher e o conhecimento da História e do mundo que a rodeava, mas foi só aqui que me dei conta da tamanha ignorância que ela, inadvertidamente, possuía dentro de si. Como é possível que alguém possa ignorar o que era o Holocausto?

Mas nem só da questão da educação fala este livro; a história de Tara é profundamente marcada pelo abuso físico e psicológico. O mais chocante é que, até bem pouco tempo antes de escrever este livro, Tara encarava estas situações como normais, porque simplesmente foi o que sempre conheceu, e mesmo quando começou a sentir que havia algo de muito errado com tudo o que o seu irmão Shawn fazia e dizia, a ideia de que os laços de família deveriam ser preservados a todo o custo fizeram com que Tara aceitasse o que ia acontecendo, para não vergar ao peso da culpa de finalmente os cortar.

No final, apesar de ficar uma certa sensação de incompletude por estarmos perante a história de uma mulher de 34 anos, que ainda terá muito para viver e resolver, permanece também com o leitor uma maravilhosa história de superação e a incrível importância de coisas que temos como certas, como a saúde e a educação. Recomendo!

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.