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Opinião: Contador de Histórias | Jeffrey Archer

Autor: Jeffrey Archer
Título Original:
Tell Tale (2017)
Editora: Bertrand
Páginas: 208
ISBN: 9789722536110
Tradutor: Fernanda Oliveira
Origem: Recebido para crítica
Comprar: Wook | Bertrand (links afiliados)

Sinopse: Jeffrey Archer, o autor da saga dos Clifton, regressa com um novo livro de contos há muito aguardado pelos leitores, repleto de textos emocionantes e, às vezes comoventes, escritos nos últimos dez anos. Descubra o que aconteceu ao jovem detetive napolitano que, para resolver um assassínio, é arrastado para uma pequena cidade. Veja o que muda na vida de um jovem à medida que este descobre as origens da fortuna do seu pai. Siga as histórias de uma mulher que, na década de 1930, se atreve a desafiar homens poderosos, e a de uma outra, jovem, que apanha boleia e tem o encontro da sua vida.

Opinião: O meu primeiro contacto com o escritor inglês Jeffrey Archer foi com a saga dos Clifton, da qual acabei por ler apenas os dois primeiros volumes (conta com um total de sete). Fiquei com a ideia de voltar a tentar outras obras de sua autoria e a oportunidade perfeita surgiu agora, com a publicação de Contador de Histórias, que a Bertrand Editora teve a simpatia de me enviar – também no âmbito da visita do autor a Portugal no início deste mês.

Contador de Histórias reúne em si 13 histórias distintas, sendo oito delas inspiradas em acontecimentos reais. O chavão “a realidade ultrapassa a ficção” aplica-se aqui na perfeição, quando lemos sobre todos os habitantes de uma pequena cidade italiana que querem assumir a culpa do assassinato do respetivo Presidente da Câmara ou que um homem enriqueceu a explorar um parque de estacionamento que não lhe pertencia, durante anos a fio.

Há vários leitores que afirmam não gostar particularmente de contos. Não me incluo nesse lote, e por isso tenho vindo a descobrir, ao longo dos anos, vários autores sublimes nessa arte que é contar uma história marcante em relativamente poucas palavras. Vem-me de repente à memória o fantástico Richard Yates (Onze Anos de Solidão é um portento), as micro-narrativas de Juan José Millás (Os Objetos Chamam-nos) ou de Bruce Holland Rogers (Pequenos Mistérios), e a recém-descoberta (por mim) Maria Judite de Carvalho, cujo primeiro volume das suas Obras Completas me arrebatou por completo.

É seguro afirmar que gosto de contos e, pessoalmente, tendo a apreciar mais este formato narrativo quando a sua sublimidade se revela a nível de enredo e de escrita, tendendo o meu gosto pessoal para histórias com cariz menos convencional a nível de estrutura e que abordem temas relacionados com a (por vezes deprimente) condição humana. Tudo isto para explicar o motivo pelo qual estas histórias não me conseguiram arrebatar, ainda que lhes reconheça uma caráter curioso e divertido, conseguindo o autor muitas vezes surpreender o leitor com as reviravoltas finais. É um livro que entretém e que se lê de forma bastante descontraída, conseguindo cumprir o seu objetivo. 

Talvez seja um pouco presunçoso da minha parte afirmar isto, mas vou arriscar na mesma: acho que Contador de Histórias tem bastante potencial para agradar aos leitores que, por norma, afirmam não gostar muito de contos. Será que estou certa? Fica ainda a nota final, transmitida pelo autor no Meet & Greet com alguns dos seus leitores, de que em 2020 irá sair em inglês uma edição especial ilustrada dos melhores contos do autor, escolhidos pelos seus leitores.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.