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Opinião: O Mundo À Beira de Um Ataque de Nervos | Matt Haig

Autor: Matt Haig
Título Original:
Notes on a Nervous Planet (2018)
Editora: Porto Editora
Páginas: 376
ISBN: 9789720031747
Tradutor: Paulo M. Morais
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: E se o modo como vivemos estivesse programado para nos deixar infelizes? Toda a sociedade de consumo assenta na ideia de nos criar o desejo de ter o último modelo, em vez de nos contentarmos com o que temos; somos encorajados a sairmos de nós e a querermos outras vidas: uma receita quase infalível para a infelicidade.
Os índices de stress e ansiedade estão a subir. Estamos cada vez mais ligados uns aos outros e, no entanto, cada vez mais isolados.
• Como manter o equilíbrio num planeta que nos enlouquece?
• Como preservar a humanidade numa era tão obsessivamente tecnológica?
• Como ser feliz quando somos incentivados a cultivar a ansiedade?
O mundo à beira de um ataque de nervos oferece uma visão pessoal e importante que procura compreender de que forma nos podemos sentir felizes, humanos e íntegros em pleno século XXI.

Opinião: Sigo Matt Haig nas redes sociais há já alguns anos e, para além de gostar bastante das ideias e reflexões que apresenta, identifico-me bastante com a sua batalha contra as doenças mentais e com o desespero que por vezes é tentar que as pessoas entendam que ninguém sofre de depressão ou tem ataques de ansiedade porque quer. Ainda que não tenha lido Razões para Viver, parece-me que este O Mundo À Beira de um Ataque de Nervos será um complemento àquele livro, onde o autor falou sobre a sua luta contra a depressão e de como continuar a lidar com esta doença numa base diária. Desta vez, Matt Haig explora o impacto que as redes sociais e a tecnologia têm na nossa saúde mental, detalhando a sua experiência pessoal e como tem tentado lidar com a situação.

Como utilizadora das principais redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter), percebo bem do que Matt Haig fala. São muitas vezes um desfile de vidas perfeitas de pessoas que optam apenas por mostrar o lado bom das suas vidas, com potencial de causar ansiedade em quem os vê, ainda que insconsciente. Ou então, tornam-se viveiros ideais para os trolls, pessoas que só se sentem bem em criticar ou ofender tudo o que mexe e que, racionalmente, devíamos ignorar; o problema é que as nossas vulnerabilidades humanas muitas vezes nos deixam num estado que não permite perceber o ridículo que é deixar que um desconhecido estrague o nosso dia e nos deixe mal-dispostos.

Mas as redes sociais têm ainda uma outra vertente: a constante catadupa de notícias, muitas vezes alarmistas, cujo único resultado é causar-nos stress que podia ser evitado, e aquela sensação de que se nos afastarmos iremos estar a perder conteúdo de interesse: o chamado fear of missing out. Matt Haig explica a dificuldade de nos vermos livres desta espiral, mas também tenta transmitir ao leitor a importância de tentarmos apreciar e desfrutar da nossa vida dentro das limitações que temos.

Matt Haig não pretende propriamente apresentar grandes soluções; antes, partilha com o leitores situações em que se viu envolvido, o que tentou fazer para sair delas e as lições que aprendeu – o que não implica necessariamente que nunca mais dê por si a cair numa destas ciladas. Fá-lo de uma forma despretensiosa e cativante, com capítulos curtos e com ideias bem alinhavadas. Gosto da abordagem que adota no seu discurso, nunca dando ao leitor a sensação de ser um iluminado que encontrou todas as respostas. Matt Haig não tem qualquer problema em falar de forma aberta sobre as suas más experiências, na esperança que possam ajudar quem o lê, e a ideia que fica depois de finda a leitura é que, apesar de todas as dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia, com maior ou menor intensidade, vale a pena viver. Recomendo!

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.