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Opinião: As Flores Perdidas de Alice Hart | Holly Ringland

Autor: Holly Ringland
Título Original:
The Lost Flowers of Alice Hart (2018)
Editora: Porto Editora
Páginas: 400
ISBN: 9789720030627
Tradutor: Cláudia Ramos
Origem: Comprado
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Sinopse: Alice tem nove anos e vive num local isolado, idílico, entre o mar e os canaviais, onde as flores encantadas da mãe e as suas mensagens secretas a protegem dos monstros que vivem dentro do pai. Quando uma enorme tragédia muda a sua vida irrevogavelmente, Alice vai viver com a avó numa quinta de cultivo de flores que é também um refúgio para mulheres sozinhas ou destroçadas pela vida. Ali, Alice passa a usar a linguagem das flores para dizer o que é demasiado difícil transmitir por palavras. À medida que o tempo passa, os terríveis segredos da família, uma traição avassaladora e um homem que afinal não é quem parecia ser, fazem Alice perceber que algumas histórias são demasiado complexas para serem contadas através das flores. E para conquistar a liberdade que tanto deseja, Alice terá de encontrar coragem para ser a verdadeira e única dona da história mais poderosa de todas: a sua.

Opinião: Devido às várias opiniões mais do que entusiastas que li e vi acerca deste livro, a minha expectativa estava muito alta, o que, como é sabido, nem sempre é um bom ponto de partida quando se inicia um livro, devido às elevadas probabilidades de desilusão. As Flores Perdidas de Alice Hart é o livro de estreia da escritora australiana Holly Ringland, que foi buscar às suas vivências e pessoas com quem lida inspiração para a história e as personagens que apresenta neste livro.

Quando a história se inicia, conhecemos Alice e os seus pais, que moram numa zona isolada da costa australiana. A mãe da menina tem um jeito especial para as flores e é ao lado dela que Alice se sente segura, o que se revela cada vez mais difícil perante o comportamento errático e violento do pai. Alice vai crescendo sem ter uma infância digna desse nome e a sorte da criança só parece tomar outro rumo quando, na sequência de uma tragédia que envolve os pais, tem de ir viver com a avó paterna para a quinta que esta gere, onde se produzem flores e se acolhem mulheres sem rumo ou lar. Mas esta estabilidade está longe de ser permanente, porque existem ainda muitos segredos familiares com potencial para virar novamente do avesso a vida de Alice.

As Flores Perdidas de Alice Hart é, basicamente, um livro de descoberta pessoal, onde a personagem principal tenta encontrar o seu rumo e o seu lugar no mundo. Gostei bastante da escrita de Holly Ringland, podendo mesmo afirmar que, quanto a mim, é um dos pontos altos do livros. A forma como ela descreve as variadas paisagens australianas pelas quais Alice vai viajando são vívidas, fazendo jus à sua beleza natural. Outro aspeto que me agradou foi a imprevisibilidade do enredo; tal como a personagem principal, nunca sabemos que rumo a sua vida irá tomar, o que, quanto a mim, ajudou a enriquecer a história.

Contudo, nem tudo foram rosas (pun intended!), porque algumas vezes pareceu-me faltar alguma articulação entre os vários momentos da história. Existem duas ou três transições radicais na vida de Alice, no que diz respeito ao espaço físico e psicológico da personagem, que fiquei com a sensação poderem ter sido feitas de forma mais suave e harmoniosa. No que respeita às personagens, as femininas são, de longe, bem mais desenvolvidas e tridimensionais do que as masculinas. Quanto a mim, os “vilões” acabam por ser retratados como homens manipuladores e violentos, ficando a sensação que falta um pouco mais de explicação para os seus comportamentos.

Ainda assim, gostei bastante de ler As Flores Perdidas de Alice Hart. Acho que Holly Ringland tem boas ideias e escreve bem, faltando, na minha opinião, aprimorar um pouco mais a forma como a narrativa se desenvolve e a caracterização das personagens. É um bom primeiro romance, que me deixa com vontade de continuar a seguir o seu trabalho.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.