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Opinião: Levaram Annie Thorne | C.J. Tudor

Autor: C.J. Tudor
Título Original:
The Taking of Annie Thorne (2019)
Editora: Planeta
Páginas: 352
ISBN: 9789897771835
Tradutor:
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Naquela altura…
Uma noite, Annie desapareceu. Sumiu da sua cama. Houve buscas, apelos. Todos pensaram o pior. E depois, miraculosamente, após quarenta e oito horas, ela voltou. Pensou-se que não queria ou não conseguia dizer o que lhe acontecera. Mas alguma coisa aconteceu à minha irmã. Não sei explicar o quê. Só sei que quando voltou, já não era a mesma. Não era a minha Annie. Não queria admitir de forma alguma que às vezes tinha um medo de morte da minha irmãzinha…
Agora…
O e-mail chegou à minha caixa de correio há dois meses. Quase o apaguei de imediato, mas fiz clique para abrir: SEI O QUE ACONTECEU À SUA IRMÃ. ESTÁ A ACONTECER DE NOVO. Quando a minha irmã tinha oito anos, desapareceu… mas depois voltou. O pior dia da sua vida não foi quando a irmã foi levada… foi o dia em que ela voltou.

Opinião: Depois de ter lido O Homem de Giz no início deste ano e de ter ficado com curiosidade para conhecer trabalhos seguintes da autora, tive oportunidade de ler uma edição de avanço do seu segundo livro, Levaram Annie Thorne, que está a partir de hoje disponível nas livrarias portuguesas. Este novo livro, narrado na primeira pessoa por Joe, o irmão de Annie, centra-se no seu regresso a Arnhill, a terra da infância, onde a sua irmã desapareceu 25 anos antes. Desde o início, percebemos que algo de muito estranho se passou com a menina, que reapareceu 48 horas depois, sem nunca se ter percebido o que lhe aconteceu e parecendo ser uma criança completamente diferente.

Joe regressa então a Arnhill, quando abre uma vaga de professor na escola da localidade, mas desde cedo percebemos que existe alguma outra intenção neste regresso de Joe à sua terra natal. Na verdade, há muitas coisas por desvendar: quem lhe mandou um email referindo que os estranhos acontecimentos que levaram ao desaparecimento da sua irmã estão novamente em marcha ou o que levou a professora que Joe vai substituir a assassinar o filho, suicidando-se em seguida. Aliás, o primeiro e arrepiante capítulo deste livro descreve com bastante pormenor a descoberta dos dois corpos, dando desde o início a sensação que Levaram Annie Thorne vai ser um livro com mais elementos de horror do que o seu antecessor o que, tenho de confessar, me agradou bastante.

Há alguns elementos em comum com O Homem de Giz, nomeadamente os acontecimentos decorridos num meio pequeno, num passado relativamente distante, ao qual o protagonista vai voltando para que o leitor consiga encaixar as peças do puzzle. Voltamos a ter um protagonista com vários defeitos de caráter, com o qual não é propriamente fácil simpatizar, mas acho que a sua imperfeição acaba por torná-lo mais interessante, não só pelas possibilidades que levanta no que respeita ao enredo, mas também porque não gosto de personagens perfeitas e, por isso, distantes daquilo que faz parte de qualquer ser humano.

A comparação com O Homem de Giz é inevitável, não tanto pela similitude de histórias, mas antes porque muitas vezes um segundo livro não é fácil e o leitor tem tendência a esperar algum ao mesmo nível, na pior das hipóteses. Acho que quem gostou do primeiro livro da C.J. Tudor vai sinceramente apreciar mais esta história de sua autoria. Há alguns momentos de verdadeira tensão no enredo, que deixam o leitor ávido de saber o que se seguirá, mas há outros tantos em que a autora, quanto a mim, não a consegue manter ao mesmo nível. No final, fiquei com vontade de saber mais sobre a questão sobrenatural da natureza das minas de Arnhill e penso que este aspeto poderia ter sido melhor desenvolvido, mas não deixa de ser uma questão de gosto pessoal. O balanço é positivo, e fica a vontade de continuar a acompanhar o trabalho desta escritora.

Classificação: 3/5 – Gostei 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.