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Novidade Bertrand | Miguelistas e Liberais, de Ron B. Thomson

Título: Miguelistas e Liberais
Autor: Ron B. Thomson
Pág.: 240
Data de Lançamento: 15.02.2019
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A 15 de fevereiro, a Bertrand Editora fez chegar às livrarias portuguesas um retrato profundo e raro sobre um dos episódios mais tumultuosos da história lusa: a Guerra Civil de 1832-34. Em Miguelistas e Liberais, o historiador Ron B. Thomson relata o conflito também conhecido por Guerra dos Dois Irmãos, travado entre absolutistas e liberais e que colocava de um lado D. Miguel e de outro D. Pedro, aprofundando a questão do liberalismo para além do confronto militar, e identificando este período como o início da luta pelo Portugal moderno.
Num país que apreciava e pretendia conservar a sociedade tradicional, a ideologia liberal revelou-se uma tarefa difícil de implementar. Face a esta vontade popular, que condenou quase desde o início os objetivos a que os liberais se propuseram, Thomson observa que «será este, talvez, o elemento mais interessante da história moderna portuguesa, a persistente sobrevivência de uma cultura orgulhosa perante tantas pressões antagónicas». Apesar de o tema central deste período tratar a definição da melhor forma de governo para o país, a questão essencial consistia, como o autor refere, «na passagem de uma sociedade predominantemente agrária para uma sociedade moderna».
Sustentando a sua interpretação através da análise da crise política e económica que se iniciou com a Guerra Peninsular, o professor universitário demonstra como a Concessão de Évora Monte marcou o fim da fase militar da luta constitucional, mas também como deixou por resolver as divisões de base no país – que viriam a dominar a política e a sociedade portuguesas nos mais de cem anos que se seguiram –, resultando no nascimento de um tipo de constitucionalismo, assente numa sociedade que se manteve mais autoritária do que liberal. Miguelistas e Liberais esclarece assim como foi possível aos liberais ganharem a guerra mas perderem o povo.

Sinopse: Miguelistas e Liberais analisa a crise política e económica que se iniciou com a Guerra Peninsular e a fuga da corte para o Brasil e que foi agravada pela revolução de 1820 e pela redação da primeira Constituição portuguesa. Seguiu-se a contrarrevolução, a reivindicação do trono por D. Pedro (imperador do Brasil) em favor da filha, D. Maria da Glória, e a contestação desta por parte do seu irmão, D. Miguel, o Usurpador, que precipitou a chamada Guerra dos Dois Irmãos e que culminou no exílio de D. Miguel. A Concessão de Évora Monte marcou o fim da Guerra Civil, mas não trouxe a desejada estabilidade porque as reformas liberais, apoiadas apenas por uma pequena elite urbana, pouco impacto tiveram na sociedade portuguesa, maioritariamente agrária, que se manteve imune quer a pressões internas, quer às influências externas. Em Miguelistas e Liberais, Ron B. Thomson demonstra que o liberalismo em Portugal foi um fenómeno urbano, de elite, esclarece as razões para o seu fracasso e explica como foi possível aos liberais ganharem a guerra mas perderem o povo.

Sobre o autor: Ron B. Thomson é professor emérito no Pontifical Institute of Mediaeval Studies, em Toronto. Mestre em História da Ciência e da Tecnologia e doutorado em História Moderna, pela Universidade de Oxford, Thomson desenvolve investigação sobre a História da Ciência Medieval e a História de Portugal. Divide os seus dias entre Lagoa (Algarve) e Toronto.


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.