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Opinião: Perdido e Achado | Stephen King

Autor: Stephen King
Título Original:
 Finders Keepers (2015)
Série: Bill Hodges #2
Editora: Bertrand
Páginas: 392
ISBN: 9789722535083
Tradutor: Ana Lourenço
Origem: Comprado
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Sinopse: 1978: Morris Bellamy está tão obcecado por John Rothstein, um icónico autor norte-americano, que era capaz de matar para conseguir um livro inédito do escritor.
2009: Pete Saubers, um rapaz cujo pai foi brutalmente ferido por um Mercedes roubado, descobre uma mala cheia de dinheiro e os cadernos de Rothstein.
2014: Depois de trinta e cinco anos na prisão, Morris sai em liberdade condicional. E está determinado a recuperar o seu tesouro.

Cabe agora a Bill Hodges, detetive reformado que gere uma empresa de investigação chamada Finders Keepers, salvar Pete de um Morris cada vez mais desvairado e com sede de vingança…

Opinião: Depois de ter devorado o primeiro volume da trilogia “Bill Hodges”, quis seguir rapidamente para a segunda parte e voltar à companhia das personagens já nossas conhecidas. Desta vez, o caso remonta há quase 30 anos, quando Morris Bellamy assassinou o famoso escritor norte-americano John Rothstein, revoltado contra o destino que este deu a uma personagem icónica que criou e com a qual Morris estava obcecado. Rothstein havia decidido deixar Jimmy Gold, a tal personagem, para sempre na “gaveta”, mas havia o rumor que Rothstein teria escrito mais livros que continuavam a história de Jimmy. Depois de o assassinar, Morris rouba todos os cadernos manuscritos e esconde-os num baú, que enterra perto de sua casa. Mas é preso por outro crime antes de ter oportunidade de ler o que Rothstein deixou escrito, e os cadernos ficam durante muito tempo esquecidos no baú… até que, em 2009, o jovem Pete Saubers, que agora mora na casa onde Morris outrora residira, os encontra.

O pai deste jovem tinha sido uma das vítimas do “Sr. Mercedes” no livro anterior, quando esperava na fila para tentar arranjar um emprego. Felizmente não faleceu ,mas as sequelas foram graves e a falta de dinheiro ameaçava a estabilidade da família Saubers. Este é um dos pontos de contacto com a história do livro anterior, sendo a outra o facto de a irmã de Pete ser amiga da irmã de Jerome, o jovem que conhecemos em Sr. Mercedes e que ajudou Bill Hodges a resolver o caso do livro anterior. Mais uma vez, temos aqui uma história viciante, com personagens muito bem desenvolvidas – destacaria Morris Bellamy, um vilão com o qual não conseguimos deixar de sentir uma ligeira afinidade: quem nunca se sentiu frustrado com o destino que um autor deu a determinada personagem com a qual criámos enorme empatia? 

Perdido e Achado aborda também o amor aos livros e o poder das histórias. Claro que Morris Bellamy leva tudo a um extremo inconcebível, mas o livro levanta questões interessantes quanto à vontade do autor face àquilo que os seus leitores desejam – até que ponto nós, leitores, podemos exigir o que quer que seja aos autores? É também um livro que fala daquele(s) livro(s) que incendeiam para sempre a nossa paixão pelas histórias na forma escrita; muitos leitores conseguirão identificar qual o livro que trouxe aquela chama que não se conseguirá jamais apagar, e que nos faz ler livros atrás de livros, em busca de renovar aquela sensação de deslubre absoluto que esse livro favorito nos trouxe.

Ainda que tenha gostado muito do enredo, acho que Bill Hodges acaba por demorar muito a entrar na história e tem um papel relativamente secundário. Gostaria de ter visto mais deste detetive reformado que agora se dedica à investigação privada. O final deste livro traz uma revelação muito interessante que deixa antever um terceiro volume muito bom! Para ler em breve.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.