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Opinião: O dia em que perdemos a cabeça | Javier Castillo

Autor: Javier Castillo
Título Original:
 El día que se perdió la cordura (2014)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 456
ISBN: 9789896657376
Tradutor: Jorge Pereirinha Pires
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Centro de Boston, 24 de Dezembro, um homem caminha nu, trazendo nas mãos a cabeça decapitada de uma jovem mulher. O Dr. Jenkins, director do centro psiquiátrico da cidade, e Stella Hyden, agente do FBI, vão entrar numa investigação que colocará em risco as suas vidas e a sua concepção de sanidade. Que acontecimentos fortuitos ocorreram na misteriosa Salt Lake City há dezassete anos? E por que estão todos a perder a cabeça agora? Com um estilo ágil e cheio de referências literárias- Garcia Márquez, Auster e Stephen King – e imagens impactantes, Javier Castillo contruiu um thriller romântico narrado a três tempos que explora os limites do ser humano e rompe com a estrutura tradicional dos livros de suspense. Amor, ódio, estranhas práticas, intriga e acção trepidante inundam as páginas deste thriller romântico, que se converteu num fenómeno editorial antes da sua publicação em papel.

Opinião: O dia em que perdemos a cabeça, livro de estreia do escritor espanhol Javier Castillo, é a grande aposta da editora Suma de Letras para o início de 2019. Como sabem, costumo gostar bastante dos thrillers/policiais publicados por esta editora, portanto encarei esta leitura com bastante expectativa e, como tive a sorte de ter acesso a um exemplar antes de chegar às livrarias, decidi lê-lo de imediato para poder partilhar convosco a minha opinião na sua data de lançamento.

O dia em que perdemos a cabeça começa com uma premissa intrigante: no dia de Natal, um homem aparece nu nas ruas de Boston, aparentemente louco, segurando nas mãos a cabeça de uma mulher. Não demora muito a ser preso e enviado para um centro psiquiátrico onde é alvo de interrogatórios que permitirão ao leitor perceber toda a história por detrás do acontecimento impactante com que o livro se inicia. Há vários recuos a um passado distante ou não tão distante: a 1996, quando tudo se iniciou na cidade de Salt Lake, e a alguns dias antes do Natal de 2013, antes do aparecimento do homem com a cabeça decapitada nas mãos, que ajudam a perceber o que originou este peculiar evento.

A narrativa baseia-se em capítulos curtos, que terminam normalmente em suspense, o que permite uma leitura vertiginosa. Apesar das suas mais de 450 páginas, é um livro que se devora, porque o ritmo é elevado e dinâmico, e a curiosidade em saber como vai o autor conseguir juntar as peças do puzzle é grande. Continuando a analogia do puzzle, diria que O dia em que perdemos a cabeça é como um puzzle em que a peça adjacente àquela que temos em mãos tem uma cor completamente diferente, nada fazendo supor que, de facto, encaixam. Digo isto porque os saltos constantes entre pontos de vista e linhas temporais por vezes dificultou-me um pouco a compreensão do panorama geral da história e das suas ramificações. Na verdade, fiquei com a sensação que a história tem um início bastante forte mas que, à medida que avança, por vezes perde um pouco o fôlego e acaba por deixar a impressão de algumas pontas mal atadas e outras tantas explicações que poderiam ter sido melhor desenvolvidas.

No cômputo geral, fico com a ideia de que este thriller terá maior impacto em leitores não tão habituados ao género ou que procurem uma leitura rápida e intensa. Não foi dos meus thrillers preferidos, mas ainda assim entreteve.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.