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Opinião: Fica Comigo | Ayọ̀bámi Adébáyọ̀

Autor: Ayọ̀bámi Adébáyọ̀
Título Original:
 Stay with Me (2017)
Editora: Elsinore
Páginas: 288
ISBN: 9789898864437
Tradutor: Luís Filipe Mochila
Origem: Comprado
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Sinopse: Yejide e Akin estão casados desde os tempos de faculdade, onde se conheceram e apaixonaram. Agora, decorridos vários anos, Yejide espera por um milagre: uma criança. É o que o seu marido quer, e o que a sociedade espera dela — e, entre consultas de fertilidade, curandeiros e tisanas, Yejide tem feito tudo o que pode para consegui-lo. A família de Akin, no entanto, começa a dar sinais de impaciência, e quando sugerem ao jovem casal acolher em casa uma segunda esposa, mais jovem, os dois percebem que terão de encontrar uma solução rapidamente. Percorrendo os anos turbulentos da Nigéria da década de 1980 até aos nossos dias, Fica Comigo é uma história sobre a fragilidade do amor conjugal e do colapso da família sob o peso exasperante da maternidade, bem como da contradição de valores que coexistem no interior de uma mesma sociedade.

Opinião: Uma das coisas mais positivas que os livros nos podem trazer é o contacto com realidades que, de outro modo, dificilmente conheceríamos. Ainda que não seja uma decisão consciente que pretendo implementar nos próximos tempos, acho importante sairmos da bolha dos autores anglo-saxónicos que, por vários motivos, tendemos a ler com maior frequência. Foi por isso e pelas boas opiniões que fui vendo que decidi comprar e ler este livro.

Fica Comigo inicia-se em 2008, quando Yejide é convidada pelo ex-marido para comparecer ao funeral do pai dele. Este acontecimento faz com Yejide recorde o passado complicado dos dois, levando o leitor aos anos 1980 e ao início da sua relação. Yejide e Akin apaixonaram-se rapidamente e casaram pouco depois, mas a pressão social para terem filhos foi fazendo com que o casamento dos dois desmoronasse aos poucos. Ainda que ela tivesse uma personalidade rebelde, não conseguiu evitar a subjugação à vontade da família do marido, que começava a desesperar pela falta de descendentes. É aqui que o leitor percebe o impacto da sociedade e dos costumes neste país, onde a poligamia continua nos dias de hoje a ser legal, num terço dos estados nigerianos, predominantemente no norte do país. Por isso, perante a incapacidade de gerar um filho, a família de Akin arranjou outra mulher para ele.

O livro aborda a relação entre estas duas pessoas e a forma como é profundamente condicionada pelo contexto social e pelas tradições enraizadas na Nigéria. Aqui e ali, o leitor vai tendo vislumbres da situação política do país nas décadas de 1980-90, mas se não tiver já algum tipo de conhecimento acerca da história da Nigéria não me parece que este livro traga grande valor acrescentado neste aspeto. Acho sinceramente que o livro teria ganho maior profundidade se o contexto político tivesse sido mais explorado, mas tenho noção que isto se trata de uma questão de gosto pessoal. No que toca ao desenvolvimento das personagens e do relacionamento entre elas, penso que o livro está bastante bem conseguido; o leitor sente-se envolvido na história e as reviravoltas no enredo conseguem mantê-lo interessado ao longo de toda a narrativa – ainda que, amiúde, tenha ficado com a sensação de um pouco de drama a mais.

No final de contas, foi um livro de que gostei muito. Sem ter correspondido plenamente às minhas expectativas, é um livro bem escrito, com personagens bem desenvolvidas, e que proporciona ao leitor uma oportunidade de conhecer um pouco mais da vida na Nigéria, tão diferente daquela que conhecemos. Recomendo!

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.