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Blogmas 2018 – Dia 3 | Opinião: A Distância entre Mim e a Cerejeira, de Paola Peretti

Autor: Paola Peretti
Título Original:
 La distanza tra me e il ciliegio (2018)
Editora: Nuvem de Tinta
Páginas: 200
ISBN: 9789896655648
Tradutor: Simonetta Neto
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Todas as crianças têm medo do escuro, mas felizmente, para a maioria, o escuro é temporário e o medo transitório. Para Mafalda, de nove anos, o escuro é a sua única certeza e o seu futuro: dentro de seis meses, uma doença macular degenerativa condená-la-á a uma cegueira irreversível. Como será a sua vida então? Um livro com uma mensagem inspiradora e muito poética sobre superação, sonho e amizade. Uma história comovente para todas as idades inspirada na vida da autora.

Opinião: A Distância entre Mim e a Cerejeira é o romance de estreia da autora italiana Paola Peretti, que aproveitou a sua experiência pessoal com a Doença de Stargardt para dar vida à pequena Mafalda e falar sobre esta condição, mas também para exteriorizar as suas ideias quanto a formas de enfrentar o medo. A Doença de Stargardt é uma doença degenarativa que afeta a visão central, deteriora a perceção da cor e, em última análise, leva à cegueira. Escrever esta história foi como que uma catarse para a autora, permitindo-a, durante o processo de perda da sua própria visão, ver as coisas com mais clareza.

Mafalda é uma menina de 9 anos que se vê perante a perspetiva, a curto prazo, de perder por completo a sua visão. Escreve num caderno as coisas que gostaria de fazer até lá e mede a progressão da sua doença de acordo com a distância a que tem de ficar de uma cerejeira para a ver completamente focada. Esta árvore acaba por ser, de certo modo, uma metáfora para um porto seguro, um local que oferece a segurança que a menina tão desesperadamente procura. Pelo meio do caminho, Mafalda vai enfrentando várias desilusões advindas da natural imaturidade das crianças que a rodeiam, mas encontra também bondade inesperada, que a vai ajudando a suportar as dificuldades que se atravessam no seu caminho.

Acho que a voz infantil está muito bem conseguida, o que nem sempre é fácil alcançar nestes livros. Há uma doçura e inocência que atravessam todo o livro e que se tornam a sua imagem de marca. É impossível não gostar da Mafalda e sentir empatia em relação à vida difícil que começa a enfrentar, mas mesmo no meio da dificuldade é possível encontrar esperança, amor e amizade. Esse é a principal mensagem deste livro, algo sobre o qual vale sempre a pena refletir.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.