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Blogmas 2018 – Dia 14 | Opinião: A Puxar ao Sentimento, de Vasco Graça Moura

Autor: Vasco Graça Moura
Ano de Publicação: 
2018
Editora: Quetzal
Páginas: 88
ISBN: 9789897225352
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Com este livro de fados inéditos, o génio poético de Vasco Graça Moura é recordado quatro anos após a sua morte. Na obra de Vasco Graça Moura, que escreveu vários ensaios sobre a origem deste género musical, há muitas incursões no fado e, inclusive, um livro que lhe é inteiramente dedicado: Letras do Fado Vulgar. O poeta escreveu alguns fados para as vozes de intérpretes como Mísia, Kátia Guerreiro ou Cristina Branco. “A Puxar ao Sentimento” inclui um bom número de fados inéditos de Vasco Graça Moura, marcados pelo seu génio melancólico e pleno de ironia – são poemas maravilhosos que, só por si, constituem uma homenagem ao fado e uma contribuição literária para abrir (ainda mais) as suas portas. Quatro anos depois da morte de Vasco Graça Moura, esta é uma forma de continuar a recordar uma das grandes vozes da poesia e da literatura portuguesas do nosso tempo.

Opinião: Se seguem este blogue ou o que vou lendo com alguma assiduidade, já devem ter percebido que a poesia não está dentro dos géneros que leio com mais frequência. O fado também não é propriamente o estilo musical que mais aprecio (longe disso). Mas há uma coisa de que gosto muito: diversificar leituras; por isso me pareceu boa ideia pegar neste livro, que reúne em si poemas inéditos do autor português Vasco Graça Moura, escritos para fado.

A Puxar ao Sentimento apresenta-nos, assim, um conjunto de 31 poemas (alguns deles com mais do que uma versão), que versam essencialmente sobre o amor, a paixão e a desilusão amorosa. A melancolia é um sentimento que atravessa praticamente todos os poemas, que se destacam pela sua óbvia musicalidade. Vou deixar as análises mais técnicas para quem disso percebe de verdade, e limito-me a dizer-vos que li estes poemas com muito gosto. Apreciei mais uns do que outros, como seria de esperar, mas no cômputo geral foi uma leitura que me agradou por ser tão diferente daquilo que costumo ler e por me parece que o autor conseguiu escrever bons poemas que darão no futuro, com toda a certeza, boas canções. 

Capricho

dizes que minto e eu desminto
para repor a verdade
nunca minto ao meu instinto
nem finjo sinceridade

porém se às vezes pressinto
ter em risco a liberdade
tudo aquilo que então sinto
só o direi por metade

e dentro desse recinto
respiro mais à vontade
criando um laço indistinto
entre mentira e verdade

e desminto então que minto
com toda a sinceridade
de quanto eu sinto ou não sinto
entre mentira e verdade

num fingimento sucinto
de que não sinto ansiedade
pois se a sinto não a pinto
como se fosse saudade

e assim sempre que pressinto
ter em risco a liberdade
muitas vezes se não minto
também não digo a verdade

pois não minto ao meu instinto
e apenas mostro como há-de
ser feito aquilo que sinto
de mentira e de verdade

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.