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2.º Festival BANG!, ou o dia em que conheci a minha escritora preferida

Decorreu no passado sábado a 2.ª edição do Festival BANG!, organizado pela editora Saída de Emergência, e que teve novamente lugar no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. 

Uma das novidades deste ano foi o início do evento logo da parte da manhã, com uma maior aposta em sessões de discussão, com vários convidados. Só consegui chegar ao Pavilhão Carlos Lopes por volta das 15h e, depois de uma volta rápida pelas bancas presentes, dirigi-me à principal sala do evento, no 1.º andar, onde estava a iniciar-se a sessão “As Raparigas Vão aos Mundos Todos?”, com a Inês Botelho e a Cristina Alves. A ideia era falar um pouco sobre a presença das mulheres como personagens dentro da ficção especulativa, o que foi feito com recurso à referência a vários livros, de onde recolhi algumas sugestões. Foi bastante interessante, e no final ficou a sensação que muito mais haveria por dizer.

Seguiu-se a apresentação de Os Contos Mais Arrepiantes de H.P. Lovecraft, ilustrados por 22 artistas nacionais, numa edição lindíssima que tive a oportunidade de ver in loco na banca de livros disponíveis para venda. Para além do editor Luís Corte Real, estavam também presentes dois dos ilustradores da antologia, e se o objetivo era interessar quem estava a assistir neste livro em particular, tenho a dizer que a missão foi cumprida.

Mas a verdade é que a grande maioria dos presentes aguardavam ansiosamente a chegada da convidada de honra deste ano, a escrita de fantasia norte-americana Megan Lindholm, mais conhecida pelo seu pseudónimo Robin Hobb. Após uma breve apresentação da sua parte, teve início a sessão de perguntas e respostas. Uma das coisas acerca das quais tinha maior curiosidade era acerca dos próximos livros que vai escrever, agora que parece que a história do Fitz terminou, por fim (snif). O que ela nos disse foi que tem vários projetos em mãos e que é muito provável que vá publicar novamente sob o nome Megan Lindholm, em específico desenvolvendo uma história em redor de uma personagem que aparece no conto “Community Service“, no livro The Book of Magic.

Muitas perguntas se seguiram, algumas já habituais, como as que abordaram os rituais de escrita, e eu lá ganhei coragem e perguntei-lhe como é que ela conseguia criar uma ligação emocional tão forte entre as suas personagens e os leitores – pelo menos é isso que acontece comigo. Ela referiu a importância da narração na primeira pessoa, e sem dúvida que é um fator importante, ainda que me pareça que a modéstia a impediu de admitir que realmente tem uma grande sensibilidade e conhecimento acerca da natureza humana.

A sessão de perguntas e respostas demorou cerca de uma hora, mas fiquei com a sensação que poderia ter durado um pouco mais, porque interesse não faltava. Talvez tivesse havido a tentativa de evitar que a previsivelmente longa sessão de autógrafos não se prolongasse até tão tarde como na edição do ano passado. Não sei, mas eu gostava de ter ouvido a Robin falar durante mais tempo. Foi engraçada a sensação que tive ao ouvi-la falar; pareceu-me uma pessoa extremamente calma, observadora e introspectiva. Ouvi-la transmitiu-me a mesma sensação de aconchego que encontro quando leio os seus livros. Ela é uma contadora de histórias e isso sente-se em cada palavra, escrita ou falada. 

Enquanto estive na fila à espera da minha vez para obter um autógrafo, pensei em várias coisas que gostaria de lhe dizer, mas quando finalmente lá cheguei achei que nada seria suficiente para que ela alguma vez perceba o impacto que os seus livros tiveram e têm na minha vida. Por isso, fiquei só ali, a vê-la escrever o meu nome e o dela numa letra impecável, com um sorriso nos lábios, e disse-lhe “Thank You”. 

Resta-me agradecer também à editora Saída de Emergência por esta oportunidade única, mas também por terem apostado nos livros desta autora e de mos terem dado a conhecer. Fico curiosa por saber quem será a estrela do próximo Festival BANG!, que se realizará para o ano. Até lá!


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.