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Opinião: Uma Coluna de Fogo | Ken Follett

FollettAutor: Ken Follett
Título Original:
A Column of Fire (2017)
Série: Kingsbridge #3
Editora: Editorial Presença
Páginas: 768
ISBN: 9789722360845
Tradutor: Isabel Nunes e Helena Sobral
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Natal de 1558. O jovem Ned Willard regressa a Kingsbridge, e descobre que o seu mundo mudou. As velhas pedras da catedral de Kingsbridge contemplam uma cidade dividida pelo ódio de cariz religioso. A Europa vive tempos tumultuosos, em que os princípios fundamentais colidem de forma sangrenta com a amizade, a lealdade e o amor. Ned em breve dá consigo do lado oposto ao da rapariga com quem deseja casar, Margery Fitzgerald. Isabel Tudor sobe ao trono, e toda a Europa se vira contra a Inglaterra. A jovem rainha, perspicaz e determinada, cria desde logo o primeiro serviço secreto do reino, cuja missão é avisá-la de imediato de qualquer tentativa quer de conspiração para a assassinar, quer de revoltas e planos de invasão. Isabel sabe que a encantadora e voluntariosa Maria, rainha da Escócia, aguarda pela sua oportunidade em Paris. Pertencendo a uma família francesa de uma ambição brutal, Maria foi proclamada herdeira legítima do trono de Inglaterra, e os seus apoiantes conspiram para se livrarem de Isabel. Tendo como pano de fundo este período turbulento, o amor entre Ned e Margery parece condenado, à medida que o extremismo ateia a violência através da Europa, de Edimburgo a Genebra. Enquanto Isabel se esforça por se manter no trono e fazer prevalecer os seus princípios, protegida por um pequeno mas dedicado grupo de hábeis espiões e de corajosos agentes secretos, vai-se tornando claro que os verdadeiros inimigos ̶ então como hoje ̶ não são as religiões rivais. A batalha propriamente dita trava-se entre aqueles que defendem a tolerância e a concórdia e os tiranos que querem impor as suas ideias a todos, a qualquer custo. 

Opinião: Mesmo tendo sido escrito há quase 30 anos, Os Pilares da Terra continua a ser, sem grande dúvida, o livro mais lido e adorado do escritor britânico Ken Follett. Dezoito anos depois surgiu Mundo sem Fim, a sequela decorrida dois séculos depois da história original, que recuperou a população de Kingsbridge no século XIV, durante o período da Peste Negra. Agora, Ken Follett decidiu prosseguir com esta série, voltando a Kingsbridge no século XVI, em pleno conflito religioso entre católicos e protestantes.

Em 1558, duas famílias se destacam em Kingsbridge: os Fitzgerald, católicos com um grande desejo de ascensão social, e os Willard, que prosperam à custa do comércio que faziam com a cidade de Calais, naquela altura sob jugo inglês. No início do livro, Ned Willard vê frustradas as suas intenções de casar com Margery Fitzgerald, que é obrigada pela família a unir-se ao Visconde Bart Shiring. Abatido, Ned decide abandonar Kingsbridge e prestar os seus serviços a Isabel I, nessa altura ainda apenas uma prossível pretendente ao trono, caso se desse o falecimento da atual rainha, Maria Tudor. 

A partir desta altura, o leitor compreende que Ken Follett lhe preparou uma “viagem” que percorrerá vários países: em França, Pierre Aumande é um jovem ladrão, filho ilegítimo de uma família importante, que procura ascender socialmente a acaba no meio da corte francesa e de intrigas palacianas; em Espanha, o irmão de Ned, Barney, estava em Sevilha com familiares, quando as perseguições da Inquisição se iniciaram. Outras paragens são-lhe apresentadas, como a Holanda (à altura controlada pelos espanhóis) e a Nova Espanha (nomeadamente na Hispaniola). Na Europa, existe um fator comum: as lutas entre católicos e protestantes e o extremismo das duas posições contrabalançado pelo desejo de tolerância de algumas pessoas.

O período cronológico abordado neste livro é extenso (começa em 1558 e o epílogo decorre em 1620) e, como se sabe, esta época foi fértil em acontecimentos históricos: a ascensão da rainha Isabel I ao trono e a luta pela sua manutenção nessa posição (que incluiu a execução de Maria da Escócia, sua parente e pretendente ao trono, e a luta contra a Armada Invencível), a já referida luta entre católicos e protestantes, intrigas palacianas e assassinatos, entre muitos outros. Ken Follett conseguiu, a meu ver, apresentar um retrato bastante fiel (daquilo que sei desta época histórica) e detalhado aos seus leitores. 

Uma Coluna de Fogo é uma boa lição de história, que me fez mais lembrar a série “O Século” do que propriamente Os Pilares da Terra, pela sua abrangência e importância dada aos factos históricos que rodeavam as suas personagens ficcionais. Na minha opinião, ao contrário do que aconteceu no primeiro volume da série “Kingsbridge”, este volume foca-se muito menos na localidade de Kingsbridge e nas vicissitudes da vida dos seus habitantes, tornando-o, por esse motivo, menos cativante. 

Claro que há personagens muito interessantes, e aqui tenho de referir Pierre Aumande, que a meu ver foi a mais bem conseguida. No início, quase não sabemos se havemos de gostar dele ou odiá-lo, ainda que a sua sede de poder e capacidades de manipulação deixem adivinhar que aquela personagem irá cair numa espiral de destruição. Os capítulos com a sua perspetiva foram, sem dúvida, os que mais gostei de ler.

Apesar de longo, Uma Coluna de Fogo manteve quase sempre o meu interesse. Considero apenas que a narrativa poderia ter sido encurtada em algumas secções sem prejuízo da sua qualidade, antes pelo contrário. No cômputo geral, foi uma boa leitura, que me entreteve e com a qual aprendi coisas novas ou recordei algumas que já sabia sobre este período em concreto da história.

Classificação: 3/5 – Gostei

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Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.