Opinião: O Melhor de Tudo, de Richard Yates (Onze Tipos de Solidão)

O Melhor de Tudo acompanha um casal nas vésperas do seu casamento. A dois dias do importante evento, toda a gente em volta de Grace está super-entusiasmada com exceção da própria, que continua a duvidar seriamente se será uma boa decisão, uma vez que não conhece Ralph como gostaria de conhecer. Grace não consegue esquecer as palavras da companheira de quarto, Martha, que nunca compreendeu a sua relação com Ralph, por este lhe parecer completamente banal.

Enquanto isso, Ralph parece mais entusiasmado com a forma como os amigos vêm a sua relação com Grace e o casamento próximo, do que com o evento em si. A importância que atribui ao amor fraternal, ao dinheiro e mesmo às aparências parece sobrepôr-se a tudo o que esteja relacionado com Grace e, mesmo quando ela claramente deseja um contacto íntimo, isto passa despercebido a Ralph, inebriado pela amizade dos seus companheiros e desejoso de voltar para junto deles.

É uma história que parece trágica ao leitor, ainda que nada de aparentemente terrível aconteça. A força das convenções sociais oprime estas duas pessoas, que se vêem a braços uma com a outra sem na realidade perceberem bem porquê, rumando a um destino inevitavelmente infeliz. Por isso é que quando Grace afirma, no final do conto “Lá estarei” (no casamento), o leitor sabe que ela vai cumprir a sua promessa.

 Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

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Sobre Célia

Tenho 38 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.