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Na apresentação de “O Demónio da Depressão”, de Andrew Solomon

Nunca fui muito dada a estar presente em lançamentos de livros; apenas esporadicamente tenho ido, quando já conheço o autor e gosto dos seus livros. Portanto, a experiência de ontem, quando decidi ir à  Fnac do Chiado ouvir um autor que desconhecia até há bem pouco tempo e de quem nunca li um livro que fosse, foi uma espécie de estreia que, a avaliar pelo resultado final, quero repetir mais vezes. 

O que me fez lá ir foi o tema do livro que iria ser apresentado. O Demónio da Depressão pretende, de acordo com a sinopse, ser um “retrato da doença que assola os nossos tempos. As medicações, os tratamentos alternativos, o impacto deste distúrbio nas várias populações, as implicações históricas, sociais, biológicas, químicas e médicas da depressão“. Ora e porque é que isto me interessa? Porque tenho vivido com depressão nos últimos tempos. E foi porque ontem lá estive que tive uma série de epifanias, entre as quais perceber que não há qualquer problema em assumi-lo.

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A sessão teve início com uma breve apresentação por parte da representante da editora Quetzal, a que se seguiu a intervenção do escritor Richard Zimler. O conhecido autor norte-americano há muitos anos a viver em Portugal é amigo de Andrew Solomon e já tinha tentado, pouco tempo após o lançamento do livro original, em 2000, convencer algumas editoras a publicá-lo por cá, o que não chegou a acontecer. Andrew Solomon começou a sua intervenção referindo aquela que é a sua trademark: “O contrário da depressão não é a felicidade. É a vitalidade“. E esta foi outra epifania para mim, porque sim, é isto mesmo. Há dias em que o mero ato de levantar da cama e vestir parece uma tarefa inalcançável. 

A conversa entre Zimler e Solomon foi muito boa e abordou temas como a medicação, o facto de algumas pessoas parecerem mais resilientes à doença, de como a depressão é uma vulnerabilidade biológica ou a forma como a crise afeta a incidência da doença. As perguntas vindas da assistência também foram muito interessantes  e teriam continuado por mais tempo, caso não houvesse necessidade de terminar a sessão. No fim, fiquei com a nítida sensação de que se gostar tanto do livro como gostei da apresentação certamente que se tornará um dos melhores do ano.

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Fica também a nota final que a Quetzal tem prevista nova publicação do autor para 2017, com o título Longe da Árvore, tradução de Far from the Tree.


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.