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[Opinião] Toda a Luz que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr

25458847Autor: Anthony Doerr
Título Original:
All the Light We Cannot See (2014)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 520
ISBN: 9789722355438
Tradutor: Manuel Alberto Vieira
Origem: Comprado

Sinopse: Marie-Laure é uma jovem cega que vive com o pai, o encarregado das chaves do Museu Nacional de História Natural em Paris. Quando as tropas de Hitler ocupam a França, pai e filha refugiam-se na cidade fortificada de Saint-Malo, levando com eles uma joia valiosíssima do museu, que carrega uma maldição. Werner Pfenning é um órfão alemão com um fascínio por rádios, talento que não passou despercebido à temida escola militar da Juventude Hitleriana. Seguindo o exército alemão por uma Europa em guerra, Werner chega a Saint-Malo na véspera do Dia D, onde, inevitavelmente, o seu destino se cruza com o de Marie-Laure, numa comovente combinação de amizade, inocência e humanidade num tempo de ódio e de trevas.

Opinião: Já li vários livros de ficção que decorriam na Segunda Guerra Mundial. É um contexto naturalmente apreciado por escritores, devido não só às possibilidades que um período de guerra oferece, mas também por causa da sua magnitude e horrores associados, não esquecendo a maior facilidade que é obter informação sobre o mesmo. Dito isto, e porque abundam livros tendo como background a Segunda Guerra Mundial, é preciso um pouco mais para me cativar e surpreender. Espera isso de Toda a Luz que Não Podemos Ver, em especial devido a opiniões positivas que venho lendo, mas infelizmente não correspondeu às expectativas.

A história é contada na perspetiva de dois adolescentes, uma rapariga francesa cega e um inteligente rapaz alemão. Os capítulos vão alternando não só entre eles, mas também no tempo, com alguns anos de diferença. Marie-Laure vive com o pai em Paris e vê-se obrigada a fugir com ele para Saint-Malo, no norte do país, para se abrigarem quando a capital de França é tomada pelos alemães. Werner ingressa numa escola da juventude hitleriana e que, depois de passar por diversas vicissitudes na guerra, acaba por ir parar também a Saint-Malo. Não pensem que isto é spoiler, pois o livro inicia-se na véspera do Dia D, quando ambos estão naquela cidade, sendo que depois o autor volta atrás para relatar o percurso de ambos.

Já tenho dito por aqui que gosto de histórias que vão alternando linhas temporais. Mas também digo que isto tem de ser extremamente bem construído, com as linhas temporais a entrecruzarem-se de forma a que o leitor sinta vontade de perceber qual o desenlace e a ligação entre as duas. Ora, neste livro a expectativa maior é perceber quando se dará o encontro dos dois protagonistas e qual o seu impacto. Esperei durante mais de 80% do livro e quando finalmente aconteceu soube-me a pouco. Existe também um diamante que assume um papel principal na história, mas penso que lhe terá sido dado demasiado destaque tendo em conta o final.

É certo que o autor tem uma prosa bela, e consegue introduzir no livro passagens daquelas que dá vontade de guardar. Mas às vezes também parece que lá estão a mais, só porque sim, sem nenhum objetivo concreto. Nota-se que o autor fez uma boa pesquisa, e isso é de louvar, mas pessoalmente falhou-me na construção de personagens que parecessem reais. Werner pareceu-me sempre demasiado indiferente, não sendo a favor mas também não sendo contra a ideologia e atos nazis. Diz-se algures que Werner e Marie-Laure foram obrigados a passar para a idade adulta, mas eu tive dificuldade em avaliá-los desse modo tendo em conta as suas ações: pareceram-me quase sempre demasiado ligados à sua infância. Isto significa também que não senti propriamente um desenvolvimento das personagens, talvez com exceção da parte final.

Apesar de todos estes handicaps, não posso dizer que não gostei do livro. Entreteve, provocou-me curiosidade quanto ao desenlace final, e gostei da escrita do autor a espaços. Mas sem dúvida que, perante todo o hype que o envolve, esperava muito mais.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.