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[Opinião] O Dragão de Sua Majestade, de Naomi Novik

Liv01220064_fAutor: Naomi Novik
Título Original:
His Majesty’s Dragon (2006)
Série: Temeraire #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 285
ISBN: 9789722339841
Tradutor: Afonso Arouca
Origem: Comprado

Sinopse: Imagine-se o leitor em pleno decurso das Guerras Napoleónicas. Com uma ligeira alteração… os combates travam-se, não somente em terra ou no mar, mas também… nos céus. Num tempo alternativo, o planeta é compartilhado por duas espécies igualmente inteligentes: os humanos e os dragões. Estes associam-se aos homens quando à nascença recebem o arnês das mãos de um deles, criando um vínculo quase simbiótico que perdura ao longo das suas vidas. Seres magníficos e poderosos, além de capazes de voar, os dragões transportam toda uma tripulação de aviadores, acrescentando um devastador contributo às batalhas. Foi assim que o capitão Will Laurence viu a sua vida mudar de um dia para o outro quando abalroou uma fragata francesa e capturou um ovo de uma espécie muito rara de dragões, oferta do Imperador da China ao próprio Napoleão. 

Opinião: Tinha este livro por ler desde 2008. Sim, leram bem, dois mil e oito, há 6 anos. Não faço a mais pequena ideia porque é que esperei 6 anos para ler isto, porque ainda por cima é um livro sobre o qual me senti sempre interessada. Algum dia tinha de ser, não é? Pois foi agora. 

O Dragão de Sua Majestade tem uma premissa fantástica: dragões como arma durante as Guerras Napoleónicas. A história inicia-se quando o capitão naval Will Laurence captura um navio francês e nele encontra um ovo de dragão prestes a eclodir. Quando o dragão Temeraire nasce, decide que Laurence será o seu aviador, alguém que o acompanhará não só nas batalhas, mas também a pessoa com a qual se vincula a nível mais profundo para o resto da vida.

Enquanto Will enfrenta alguns entraves familiares devido à sua decisão de abandonar a Marinha e dedicar-se ao seu novo estatuto, vai-se desenvolvendo entre ele e Temeraire uma relação muito especial que ultrapassa a mera amizade, recuperando a autora o tema do vínculo especial entre um dragão e o humano que escolhe, já vista noutras obras literárias. Aqui, os dragões aparecem como animais mais dóceis do que, por exemplo, nos livros da Robin Hobb (refiro-os porque os li há pouco tempo e tenho esses dragões muito presentes); não é uma caracterização melhor ou pior, apenas diferente, e levei algum tempo a habituar-me.

A relação entre Will e Temeraire é, na minha opinião, o ponto alto do livro. É ela que serve de fio condutor à narrativa e, para mim, foi o principal elo de ligação emocional com o livro. Claro que a parte do treino de Temeraire, as intrigas que vão decorrendo e a participação de ambos em batalha é interessante, mas foram os momentos de interação entre ambos os meus preferidos do livros. Will, por si só, não me pareceu uma personagem muito interessante; a sua relação com personagens secundárias acabou por me parecer um pouco aborrecida e desinteressante, e nem o seu drama familiar me despertou muito interesse. Achei uma das personagens secundária (Choiseul) muito mais interessante, e fiquei com pena que a sua história não tivesse sido mais desenvolvida.

Penso que Naomi Novik tem uma escrita bastante evocativa do período em que decorre (inícios do século XIX), sendo cuidada e, por vezes, algo floreada. É de leitura agradável, apesar de por vezes um pouco lenta.

O balanço final é positivo, apesar de ter gostado de umas coisas e de outras nem por isso. Não fiquei muito fã do protagonista, mas gostei do dragão Temeraire e da relação entre ambos. Gostei da premissa do livro e do worldbuilding, mas não achei que todas as partes do livros tivessem uma boa dinâmica e que fosse, como um todo, muito equilibrado. A escrita consegue evocar bem o período da história, mas por vezes torna-se um bocadinho aborrecida. Tenho já o segundo volume para ler em breve e ajudar-me a tomar a decisão sobre se vale a pena continuar a ler esta série.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.