Das Palavras às Imagens (26)

book_thief_xlgPosso dizer com alguma segurança que A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak, é um dos meus livros preferidos de sempre. Acompanhei com alguma curiosidade a notícia que ia ser adaptado ao cinema, mas confesso que tinha algum receio de ver o filme, pelas expectativas demasiado elevadas. De tal modo que, apesar de o filme já ter estreado há quase um ano, só agora me decidi finalmente a vê-lo.

 

Em linhas gerais, esta é a história de uma menina alemã que, na altura da 2.ª Guerra Mundial, se vê entregue a uma família adotiva, com a qual irá criar fortes laços de amor. Ao mesmo tempo, Liesel descobre o poder da palavra e dos livros, e encontra nas histórias que vai lendo um refúgio para todas as tragédias que a envolvem.

 

Tendo já passado alguns anos desde que li o livro que serve de base a este filme, é natural que já não me recorde de alguns detalhes e, por isso mesmo, tenha conseguido ver o filme mais liberta do espetro das comparações. Tentando analisar o filme pelo que vale, diria que é um bom filme. Vale principalmente pelas excelentes interpretações: Sophie Nélisse consegue emprestar a Liesel toda a mistura de candura e coragem que o papel exigia; Geoffrey Rush, o pai adotivo de Liesel, consegue interpretar na perfeição o pai carinhoso e cheio de vida dentro de si; Nico Liersch, no papel do amigo de Liesel, Rudy Steiner, é um portento de ingenuidade e coração grande, potenciados pela sua expressão doce; Emily Watson, como mãe adotiva de Liesel, é uma mulher austera mas que tem o coração enorme.

 

THE BOOK THIEF

 

Penso que a ligação de Liesel com os livros – afinal de contas, o mote dado pelo título – está bem explorada, na medida em que é dado bastante tempo de antena ao poder das palavras e à paixão pela leitura. Onde eu penso que o filme falha um pouco é na originalidade que o livro traz em colocar a Morte como narradora da história. Ela vai aparecendo em voz off, aqui e ali, mas o impacto é, definitivamente, menor. Para além disso, e mesmo já me tendo esquecido de alguns acontecimentos do livro, é impossível olvidar a marcha dos judeus, cena que aguardava com imensa expectativa e que me deixou desiludida. Tal como o filme advoga, a palavra tem imenso poder e penso que nesta cena, mais do que em qualquer outra, isto ficou provado.

 

Acho sinceramente que é um filme com potencial para ser apreciado por quem leu e gostou do livro, especialmente se a visualização do mesmo vier acompanhada com a noção que estamos a ver a mesma história contada de uma forma diferente e que, por isso, o efeito no espetador dificilmente poderá ser repetido em relação àquele que provocou no leitor.

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Sobre Célia

Tenho 38 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.