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[Opinião] Longbourn – Amor e Coragem, de Jo Baker

21797502Autor: Jo Baker
Título Original:
Longbourn (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 392
ISBN: 9789722352499
Tradutor: Maria João da Rocha Afonso
Origem: Comprado

Sinopse: Para todos os que admiram a obra de Jane Austen, esta é uma oportunidade única de revisitar o seu universo, mais concretamente o de Orgulho e Preconceito, mas numa perspetiva completamente nova. Jo Baker conseguiu a proeza de pegar num clássico e reimaginá-lo, com brilhantismo, a partir do ponto de vista dos criados. Enquanto no andar de cima tudo gira em torno das perspetivas de casamento das meninas Bennet, no andar de baixo os criados vivem os seus próprios dramas pessoais, as suas paixões e angústias. À semelhança da obra que a inspirou, também Longbourn é uma história de amor apaixonante e uma comédia social inteligente, que nos dá a conhecer o quotidiano daqueles que serviam nas mansões rurais inglesas do século XIX. Uma obra admirável, que capta na perfeição a atmosfera da Inglaterra de Jane Austen.

Opinião: Orgulho e Preconceito é dos livros mais lidos e amados de sempre, por isso não é surpresa que se multipliquem, mesmo depois de mais de 200 anos decorridos da sua publicação original, os livros publicados que, de algum modo, se relacionem com a famosa história. Este Longbourn – Amor e Coragem (poderiam ter arranjado um subtítulo pior que este?) apresenta-nos não uma nova perspetiva do enredo, mas a história paralela dos criados que serviam em Longbourn, a residência da família Bennet, prometendo uma interação entre upstairs e downstairs com um nível de interesse ao nível da série Downton Abbey (pelo menos a primeira temporada, que foi a única que eu vi).

A linha temporal da história é a mesma que a de Orgulho e Preconceito, mas as personagens principais são os criados. Sarah, Mrs. Hill e Polly ocupam-se diariamente da lida da casa, desde limpezas a lavandaria, assim que o sol se levanta até que se põe. É uma vida difícil, e a autora oferece-nos uma visão, quanto a mim, bem nítida do que seriam as tarefas e a sua dureza na Inglaterra de inícios do século XIX. Na verdade, estas eram pessoas que só conheciam o trabalho e que pouco tempo tinham para viver as suas vidas; lazer era uma palavra praticamente desconhecida. 

Os acontecimentos principais de Orgulho e Preconceito são facilmente reconhecíveis no meio desta história, apesar de não serem, de todo o foco do enredo. E, se por um lado, a identificação destas situações deveriam funcionar como ponto de interesse para os fãs da famosa história de Jane Austen, por outro acabam por, na minha opinião, ser a sua maior fraqueza. Deixem lá ver se consigo explicar isto como deve ser: a história é bastante interessante e bem escrita, mas as ligações com Orgulho e Preconceito, desde as intervenções de personagens que conhecemos de lá a situações que tão bem identificamos acabam por distrair o leitor do foco principal do enredo. Mais, a Lizzy, a Jane, o Mr. Bennet e outros que aparecem aqui não são as mesmas personagens de Orgulho e Preconceito, por mais que a autora lhes tenha tentado dar (e talvez por isso mesmo) outra profundidade e características que até agora desconhecíamos. 

Tenho algumas dúvidas em recomendar este livro a fãs do Orgulho e Preconceito, especialmente àqueles que têm neste livro uma grande referência da literatura. Pessoalmente, a ligação entre este livro e aquele clássico acabou por ser o ponto mais negativo deste livro; se acharem que se conseguem abstrair, penso que estarão perante uma leitura bastante interessante.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.