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[Opinião] O Inverno do Mundo, de Ken Follett

15838077Autor: Ken Follett
Título Original:
Winter of the World (2012)
Série: Trilogia “O Século” #2
Editora: Editorial Presença
Páginas: 832
ISBN: 9789722348768
Tradutor: Isabel Nunes e Helena Sobral
Origem: Comprado

Sinopse: Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retomamos a história no ponto onde a deixámos. A segunda geração das cinco famílias cujas vidas acompanhámos no primeiro volume assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é-nos oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.

Opinião: Depois de ter lido A Queda dos Gigantes no final do ano passado, e como já tinha o segundo volume da trilogia disponível, decidi avançar com esta leitura antes que os detalhes da história de desvanecessem. Se o primeiro volume incidia principalmente sobre os acontecimentos que antecederam a Primeira Guerra Mundial e o evento propriamente dito, este O Inverno do Mundo faz o mesmo mas para a Segunda Guerra Mundial. A lógica é muito semelhante: vamos seguindo várias famílias presentes nos principais países envolvidos no conflito, as mesmas do volume anterior mas aqui sob o ponto de vista de alguns dos seus descendentes. As vidas destas pessoas voltam a ser o foco principal do livro, e os acontecimentos históricos vão servindo de pano de fundo das suas vidas.

Na primeira parte do livro, Ken Follett situa o leitor quanto às personagens já nossas conhecidas e aos seus descendentes, dando especial ênfase à situação na Alemanha, com a subida do Partido Nazi ao poder. Mas não foi só na Alemanha que o fascismo criou raízes: não fazia ideia que tinha sido uma ideologia com tantos adeptos em Inglaterra e que conduziu mesmo a uma batalha nas ruas de Londres.

Entrando no conflito, os vários eventos vão sendo relatados de forma cronológica, e cobrem a repressão nazi na Alemanha e as atrocidades por lá cometidas, o Blitz na Inglaterra, a espionagem entre os vários países envolvidos no conflito, o ataque a Pearl Harbour e o desenvolvimento da bomba atómica, entre outros. Ao contrário do que a sinopse afirma, o Holocausto é um tema que praticamente não é abordado neste livro. Ao optar por apenas relatar os acontecimentos que as suas personagens presenciam, Ken Follett acabou por colocar muitas delas em situações que por vezes desafiam a sua verosimilhança, pelas constantes coincidências e presença em vários momentos fulcrais da história. Contudo, o autor não colocou nenhuma das suas personagens num contexto de campo de concentração. Não sei se por achar que nenhuma delas teria motivos suficientes para lá estar ou se quis mesmo deixar essa questão para um plano muito secundário por ser um assunto que já foi tratado com bastante exaustão na literatura. Seja como for, o Holocausto foi um dos acontecimentos mais marcantes da Segunda Guerra Mundial e, na minha opinião, devia ter sido mais desenvolvido neste livro. De resto, os vários temas são abordados com detalhe e, parece-me, precisão histórica. Aprendi diversas coisas sobre a Segunda Guerra Mundial que desconhecia.

Sem grande surpresa, a parte ficcional do livro foi a que menos gostei. Digo isto porque tendo lido o volume anterior já sabia o que esperar: drama novelesco com muita previsibilidade à mistura. Não é, de todo, o meu tipo de enredo preferido. Quanto a Ken Follett, tem o mérito do trabalho de pesquisa exaustivo, mas não o considero um escritor particularmente brilhante. Acredito que a minha opinião não seja muito popular, mas acho que ele desenvolve as personagens de uma forma muito básica e superficial e não lhes dá grande profundidade. O que não deixa de ser “notável”, tendo em conta que cerca de boa parte do livro gira à volta das personagens que criou.

É uma leitura interessante pela componente histórica, rápida pela forma como o livro está escrito (vários capítulos e sub-capítulos), mas que, quanto a mim, peca por não ter uma parte ficcional com o mesmo nível de interesse. A trilogia completa-se com Edge of Eternity, que sai em setembro deste ano e que terá como pano de fundo a Guerra Fria. Ainda estou indecisa quanto a lê-lo, mas o mais provável é que não venha a pegar-lhe.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.