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[Opinião] Ship of Magic, de Robin Hobb

Autor: Robin Hobb
Série: Liveship Traders #1 | Realms of the Elderlings #4
Formato: Audiobook/ebook
Páginas: 832
Narrador: Anne Flosnik

Sinopse: Bingtown is a hub of exotic trade and home to a merchant nobility famed for its liveships—rare vessels carved from wizardwood, which ripens magically into sentient awareness. The fortunes of one of Bingtown’s oldest families rest on the newly awakened liveship Vivacia. For Althea Vestrit, the ship is her rightful legacy unjustly denied her—a legacy she will risk anything to reclaim. For Althea’s young nephew Wintrow, wrenched from his religious studies and forced to serve aboard ship, Vivacia is a life sentence. But the fate of the Vestrit family—and the ship—may ultimately lie in the hands of an outsider. The ruthless pirate Kennit seeks a way to seize power over all the denizens of the Pirate Isles…and the first step of his plan requires him to capture his own liveship and bend it to his will…

Opinião: Ship of Magic é o primeiro livro da trilogia Liveship Traders. Em termos temporais, esta trilogia situa-se entre as duas séries publicadas em português (a segunda delas ainda a ser publicada), apesar de contar a história de personagens diferentes, mas no mundo que já conhecemos dessas mesmas séries.

Ship of Magic é um livro que eu, à partida, teria muitas reticências em ler se tivesse sido escrito por um autor desconhecido. Isto principalmente por causa da preponderância dos elementos náuticos, já que o livro conta a história da família Vestrit, mercadores em Bingtown (Vilamonte, para quem leu a autora em português), que ganham a vida através de comércio marítimo. A família Vestrit é possuidora de um liveship, uma embarcação especial, feita de uma madeira mágica, que permite que o navio se torne num ser vivo, personificado numa figura de proa que fala, pensa e comanda o navio. A tradição diz que o navio “desperta” quando três elementos de uma família morrem dentro do navio e no início deste livro o terceiro elemento da família Vestrit falece dentro da Vivacia, permitindo assim que ela desperte finalmente, carregando dentro de si conhecimentos e vivências das pessoas que morreram dentro dela.

A família Vestrit viu-se privada do homem que a liderou durante tantos anos, Ephron, e começa a ter de enfrentar as dificuldades. Ronica, a viúva, é uma mulher forte que sempre serviu de pilar ao marido, apagando fogos enquanto ele estava fora, no mar, e que agora se vê perante a impossibilidade de pagar as dívidas da família. Tem duas filhas vivas: Keffria, a típica dona-do-lar, casada com Kyle, de quem tem três filhos, e Althea, a maria-rapaz que adora a vida no mar e deseja um dia que a Vivacia seja sua. O filho mais velho de Keffria e Kyle, Wintrow, estuda desde muito novo para se tornar padre, mas a precipitação dos acontecimentos fazem com que tenha de abandonar o estudo e cumprir as vontades do seu pai. A narrativa gira também em redor do ambicioso pirata Kennit, que deseja ser o líder de todas as localidades piratas das redondezas, e de Brashen Trell, que deixa de fazer parte da tripulação do Vivacia depois da morte de Ephron e que tenta olhar pelo futuro de Althea, enquanto esta tenta provar o seu valor num mundo de homens.

E, assim, a narrativa vai-se desenrolando em redor da vida destas personagens, dos seus seus caminhos de aprendizagem e da luta contra as adversidades que lhes vão surgindo no caminho. Adorei o conceito dos liveships e a Vivacia é uma personagem fantástica. Apesar de ser uma “criança” possui uma sabedoria antiga e que conquista e emociona o leitor. A história aborda também outro liveship, chamado Paragon, que se encontra encalhado e abandonado numa praia, cego e sem amigos. Outra personagem deliciosa. De resto, gostei muito da evolução do jovem Wintrow, sábio mas ao mesmo tempo inocente, que vê cair por terra muitos dos conceitos que tinha em relação à bondade da natureza humana. Althea, claro, é uma personagem de quem é quase impossível não gostar, pela sua força e determinação.

Depois, para além da importância dada aos conflitos pessoais, Robin Hobb desenvolve também de forma muito satisfatória todas as componentes de caracterização do mundo e dos costumes em Bingtown, deixando curiosidade quanto aos misteriosos Rain Wilders, que constroem os liveships, e possuem poderes que suspeito serem mais do que parecem à primeira vista. A nível de escrita, Robin Hobb continua ao seu excelente nível, com descrições detalhadas, elementos imaginativos e personagens muito bem construídas.

Queria só terminar dizendo que tenho pena de não ter lido esta trilogia antes da série que está a ser agora publicada em Portugal. Há alguns elementos (na sua maioria, detalhes, para ser sincera) que teriam sido melhor compreendidos. Adorei este livro e espero sinceramente que a Saída de Emergência se decida por vir a publicar esta série em Portugal. Tem tudo para agradar aos fãs da autora.

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.