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Das palavras às imagens (15)

 

No fim-de-semana passado, tirei um bocadinho de tempo para, finalmente, rever um dos meus filmes preferidos dos últimos anos – falo de Expiação, realizado por Joe Wright, baseado na obra homónima de Ian McEwan. Li o livro no início de 2008, comprado porque a reedição alusiva ao filme, que estreou por essa altura, me chamou a atenção. Foi um livro que me marcou imenso na altura, diferente de tudo o que tinha lido até então. Fiquei apaixonada pelo tom dramático da história e hipnotizada pela prosa magistral do autor. Vi o filme pouco tempo depois de terminar o livro e lembro-me de ter adorado e achado a adaptação muitíssimo fiel ao livro, mas nunca surgiu a oportunidade de falar aqui sobre o filme, de forma um pouco mais detalhada.

 

De forma muito resumida, Expiação conta a história de um amor entre dois jovens, Robbie e Cecilia, afastados por um enorme mal-entendido gerado pela irmã de Cecilia, Briony, numa história que se inicia pouco tempo antes do início da 2.ª Guerra Mundial, evento que também marca de forma dramática o rumo dos acontecimentos. 

 

Como já referi, o filme é extremamente fiel aos acontecimentos do livro, inclusive na inclusão das cenas repetidas vistas na perspetiva de personagens diferentes. Nos extras do DVD, tive oportunidade de constatar a preocupação do realizador para que assim fosse e penso que resultou muito bem. Há várias cenas emocionantes no filme, e muito dificilmente se conseguem deixar as lágrimas de lado. Não é uma história cor-de-rosa ou feliz, longe disso. As interpretações são excelentes, e gostei em particular da Saoirse Ronan (que foi nomeada para o Oscar de Melhor Atriz Secundária) e do James McAvoy. A Keira Knightley também não está mal, mas confesso que não é a minha atriz preferida. 

 

 

Não posso deixar de falar também da maravilhosa banda sonora de Dario Marianelli, com os seus fantásticos compassos marcados pelo som das teclas de uma máquina de escrever ou a inesquecível Elegy for Dunkirk, que acompanha aquela que é para mim a cena mais marcante do filme, uma única e longa cena que dá conta dos militares ingleses que esperavam a evacuação para Inglaterra nas praias de França, em Junho de 1940. Esta banda sonora deu ao filme o seu único Oscar no meio de 7 nomeações.

 

Escusado será dizer que recomendo muito tanto o livro como o filme, ambos imensamente marcantes. Revisto o filme, fica a vontade de reler o livro.

 

Dearest Cecilia, the story can resume. The one I had been planning on that evening walk. I can become again the man who once crossed the surrey park at dusk, in my best suit, swaggering on the promise of life. The man who, with the clarity of passion, made love to you in the library. The story can resume. I will return. Find you, love you, marry you and live without shame.

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.