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[Blogue] Os e-books em Portugal

Nos últimos tempos, os livros digitais, conhecidos por e-books, e os leitores dos mesmos têm vindo a ganhar importância, a alterar a forma como a leitura é encarada e a conquistar adeptos. Como possuidora de um leitor de e-books (o Kindle 3), pensei que seria interessante escrever um texto que pudesse esclarecer um pouco a forma como este novo suporte de leitura está a ser encarado em Portugal pelos editores e vendedores online.

 

Onde

Atualmente, é possível comprar e-books online, de literatura em português, na Mediabooks, Wook ou Bertrand, por exemplo. A Wook e a Bertrand fazem parte do Grupo Porto Editora, enquanto que a Mediabooks pertence ao Grupo Leya. Uma vez que os preços e os livros disponíveis na Wook e na Bertrand são os mesmos (ou, pelo menos, foi o que me pareceu), vou apenas considerar a Wook nos exemplos que referir. 

 

O quê
A Wook tem para venda e-books em português (de autores portugueses e estrangeiros) e inglês, enquanto que a Mediabooks tem apenas e-books em português (de autores portugueses e estrangeiros). Da minha pesquisa, verifiquei que a Mediabooks apenas vende e-books de editoras pertencentes ao seu grupo; na Wook, para além dos livros da Porto Editora, encontrei alguns da Presença ou da Planeta Manuscrito.

A oferta continua ainda a ser escassa. Dentro da literatura, encontrei 194 e-books na Mediabooks e 52 na Wook. 

 

Quanto
Na Wook, não vi diferenças de descontos consoante o autor seja português ou estrangeiro. Por exemplo, A Escrava de Córdova, de Alberto S. Santos (publicado em 2008), custa 16,08€ em formato físico e 14,90€ em formato digital. Sendo o preço de editor 17,87€, verificamos que o e-book tem um desconto de cerca de 16,6% em relação a esse preço, contra os “normais” 10% do livro físico. Vi outros exemplos de e-books de autores portugueses e a percentagem de desconto costuma rondar os 16-17% em relação ao preço de editor.

Na Mediabooks, encontra-se a referência a que existem centenas de e-books com 30% de desconto sobre o preço de editor, mas se fizermos as contas o desconto anda normalmente dentro do 26-27% – encontrei mesmo alguns casos em que os descontos eram ainda menores. Por exemplo, A Cidade do Medo, de Pedro Garcia Rosado (publicado em 2010), custa 15,04€ em formato físico (preço de editor) e 10,98€ em formato digital, o que representa um desconto de 27%. Se estivermos a falar de autores estrangeiros, nos exemplos que vi, os descontos eram menores. A Mediabooks apresenta ainda a opção de por mais 2,49€ em relação ao preço do livro físico poder ser adquirido o e-book correspondente.

 

 

Como 
A minha única experiência com os e-books em lojas online portuguesas aconteceu quando a Mediabooks tinha livros grátis para download – entre eles, “Os Maias”, e decidi aproveitar a oportunidade para ver como decorria a aquisição. A compra processa-se normalmente e depois recebe-se um email com o link para download que, ao ser acionado, instala no computador o programa Adobe Digital Editions e atribui um Adobe ID ao utilizador, que será associado ao livro em causa. Com aquele ID, o livro poderá ser lido nesse ou noutro computador. No entanto, a tecnologia DRM dos e-books vendidos pela Wook e Mediabooks impede que o ficheiro seja convertido noutro formato, o que significa que se adquirirem um e-book nestas lojas e tiverem um leitor de e-books que não leia o formato .epub – como o Kindle – não o vão conseguir ler. Ambas as lojas vendem alguns livros em formato .pdf, mas no caso da Wook é explicitamente referido que também não são acessíveis para o Kindle. Existem formas de contornar a tecnologia DRM – basta procurar no Google – que eu experimentei com sucesso, mas que não são, de todo, uma forma aceitável de ter acesso livre ao que se compra.

 

Considerações
Gostava de ver uma estatística em relação à percentagem de leitores portugueses que têm um Kindle e que estão a ser totalmente alienados por quem decidiu os moldes de venda de e-books nas lojas que referi. Portanto, enquanto isto perdurar, é-me completamente inútil pensar sequer em comprar e-books em português. 

Os preços praticados para os e-books não são aliciantes, salvo uma ou outra excepção, em comparação ao livro físico. A Leya promete ter mensalmente 5 títulos com 50% de desconto, mas depois de algum tempo a tentar encontrá-las no site, desisti. É importante notar que também lá fora as novidades não apresentam grandes diferenças de preço entre os dois formatos, mas em termos de promoções de livros menos recentes por cá estamos a milhas de distância.

A minha sensação é que a aposta nos e-books em Portugal ainda se faz muito a medo e não me parece que haja grande vontade dos responsáveis em que o formato e-book ganhe muita importância no nosso país. Ou será só impressão minha?

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.