Home / Das palavras às imagens / Das Palavras às Imagens (14)

Das Palavras às Imagens (14)

Hoje é, finalmente, publicado o 5.º volume das Crónicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, com o título A Dance With Dragons. Fiz a pré-encomenda do livro há uns meses e aguardo (im)pacientemente que me chegue a casa depois de ter sido expedido na passada sexta-feira. Como forma de assinalar a data, pensei em partilhar convosco as minhas impressões sobre a série televisiva que a HBO adaptou à tv e que foi trasmitida entre Abril e Junho, num total de 10 episódios. Em Portugal, a série será transmitida a partir de Outubro no canal SyFy.

Em primeiro lugar, quero dizer que considero que tivemos, na primeira temporada de Game of Thrones, uma excelente adaptação do livro com o mesmo nome, considerando todos os fatores positivos e negativos. A série seguiu, arrisco a dizer em 95% das vezes, o rumo de acontecimentos dos livros, apesar das inevitáveis condensações de diálogos e detalhes e da adição de novas cenas. Foi notória a preocupação em manter a série o mais fiel possível aos livros, e por isso deixo aqui a minha vénia aos responsáveis. Julgo mesmo que, em alguns casos, a preocupação com essa fidelidade acabou por funcionar contra o fluir da história, mas confio que, na próxima temporada, estas pequenas falhas sejam corrigidas. Afinal de contas, muitas vezes o que funciona bem num livro não funciona necessariamente bem na tv/cinema – daí o nome “adaptação”. Ainda assim, fico contente que seja uma série com a história “adaptada” em vez de “baseada em”, como está a acontecer com True Blood.

O melhor da série, para mim, foram os atores escolhidos e o enredo. Game of Thrones teve a sorte de poder contar com grandes atores, que estiveram, na sua maioria, a grande nível. Muitos deles desconhecia completamente e fiquei muito impressionada pela qualidade do seu trabalho, pelo quão bem incorporaram os seus papéis e pela extensão do seu conhecimento acerca da história da sua personagem e do mundo em que esta vive. A história, essa, já eu conhecia e sabia que, se a seguissem com o mínimo de fidelidade, não havia muito por onde falhar.

Quanto à produção de toda a série, fiquei muito bem impressionada com alguns cenários, em especial o salão no Eyrie e o respetivo trono. Dos cenários externos, especialmente grandes planos, não vimos muito… mas do que vimos destaco a imponente Muralha. Gostei, de um modo geral, da roupa criada para a série, mas não me façam falar das perucas. Quanto a armaduras, espadas e outro material de luta, acho que foram bem desenvolvidas, apesar de ter achado as armaduras da Guarda da Cidade talvez com um aspeto demasiado oriental. Aliás, penso que essa “orientalidade” passa um pouco nas roupas, penteados e alguns cenários em King’s Landing, e tenho algumas dúvidas se foi adequado.

Refletindo um pouco sobre aquilo que menos gostei na série, sem entrar em detalhes de cenas ou personagens em concreto, penso que devo referir a sensação de falta de um certo caráter épico e grandioso à história. Por exemplo, os Dothraki deveriam ter parecido mais do que uma tribo nómada com algumas centenas (dezenas) de elementos. Os acampamentos de guerra dos Lannister e dos Stark deveriam ter tido mais do que alguns planos fugidios. Batalhas, nem vê-las, apesar de achar que essa decisão escapou por pouco ao limite do aceitável. Também não apreciei muito as famosas cenas de sexposition, que penso terem cumprido bem a função de mostrar que a série passa na HBO, mas pouco mais que isso.

Mas, apesar destas reticências, estou muito, mas mesmo muito satisfeita com a adaptação. Não que eu seja grande entendedora de séries televisivas, e talvez esteja influenciada pelo facto de ser fã a priori, mas tenho de dizer que, na minha opinião, temos aqui uma grande série. É excitante ver tanta gente agarrada à história, ansiosa por saber o que vai acontecer e a correr às livrarias e comprar os livros. A longa contagem decrescente para a segunda temporada já começou.


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.