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[Opinião] A Casa de Papel, de Carlos María Domínguez

Autor: Carlos María Domínguez
Título Original: La Casa de Papel (2002)
Editora: ASA
Páginas: 78
ISBN: 9789724145402
Tradutor: Henrique Tavares e Castro
Origem: Empréstimo

Sinopse: Os livros mudam o destino das pessoas: Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura. Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória e que lhe era agora devolvido. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma. A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção.

Opinião: Ia eu toda lançada começar a leitura de Bibliotecas cheias de fantasmas, de Jacques Bonnet, quando me sugeriram que, pelas referências que por lá aparecem a A Casa de Papel, pegasse primeiro neste pequeno livro do escritor argentino Carlos María Domínguez. Felizmente, estava um exemplar disponível na biblioteca que frequento e, por isso, trouxe-o comigo.

A Casa de Papel é, como já referi, um livro pequeno, que se lê num par de horas. É escrito por amor aos livros, para quem gosta deles e de ler sobre eles, cheio de citações que apetece guardar. A narrativa começa quando Bluma Lennon, professora em Cambridge, é atropelada enquanto lia um livro de poemas de Emily Dickinson. O seu substituto, e narrador desta história, recebe pelo correio uma misteriosa encomenda vinda de Buenos Aires e endereçada a Bluma, que contém dentro de si o livro A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, repleto de vestígios de cimento. O nosso narrador parte então para Buenos Aires, em busca do dono do livro e, acima de tudo, ansioso por descobrir o mistério que o rodeia. Não me vou alongar mais na descrição das linhas gerais do enredo, porque fazê-lo seria estragar o prazer de descobrir um dos seus desenvolvimento mais interessantes.

É um livro que fala sobre bibliofilia e sobre os limites a que a paixão pelos livros pode levar um ser humano.  Os livros são aqui descritos como objectos com vida própria, podendo influenciar decisivamente a vida dos seus donos. Está muito bem escrito e é muito fácil deixarmo-nos embalar pela melodia das suas palavras. Uma pequena delícia e, no final, só fica a pena por ter terminado tão depressa.

[…] um leitor é um viajante através de uma paisagem que se foi fazendo. E é infinita. A árvore foi escrita, e a pedra, e o vento na ramaria, a saudade dessas ramagens e o amor ao qual emprestou a sua sombra. E não encontro melhor sina que percorrer, em poucas horas diárias, um tempo humano que, de outro modo, me seria alheio. Não chega uma vida para percorrê-lo. Roubo a Borges metade de uma frase: uma biblioteca é uma porta no tempo.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.