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[Opinião] D. Amélia, de Isabel Stilwell

Autor: Isabel Stilwell
Editora: Esfera dos Livros
Páginas: 554
ISBN: 9789896262075
Origem: Comprado

Sinopse: Uma rainha não foge, não vira costas ao seu destino, ao seu país. D. Amélia de Orleãs e Bragança era uma mulher marcada pela tragédia quando embarcou, em Outubro de 1910, na Ericeira rumo ao exílio. Essa palavra maldita que tinha marcado a sua família e a sua infância. O povo acolheu-a com vivas, anos antes, quando chegou a Lisboa. Admirou a sua beleza, comentou como era alta e ficou encantado com o casamento de amor a que assistiu na Igreja de São Domingos. A princesa sentia-se uma mulher feliz. Mas cedo começou a sentir o peso da tragédia. O povo que a aclamou agora criticava os seus gestos, mesmo quando eram em prol dos mais desfavorecidos. O marido, aos poucos, afastava-se do seu coração, descobriu-lhe traições e fraquezas e nem o amor dos seus dois filhos conseguiu mitigar a dor. Nos dias mais tristes passava os dedos pelo colar de pérolas que D. Carlos lhe oferecera, 671 pérolas, cada uma símbolo dos momentos felizes que teimava em não esquecer. Isabel Stilwell, autora best-seller de romances históricos, traz-nos a história da última rainha de Portugal. D. Amélia viveu durante 24 anos num país que amou como seu, apesar de nele ter deixado enterrados uma filha prematura que morreu à nascença, o seu primogénito D. Luís Filipe, herdeiro do trono, e o marido D. Carlos assassinados ao pleno Terreiro do Paço a tiro de carabina e pistola. De nada lhe valeu o ramo de rosas que tinha na mão e com o qual tentou afastar o assassino. Outras mortes a perseguiriam… D. Amélia regressou em 1945 a convite de António de Oliveira Salazar com quem mantinha correspondência e por quem tinha uma declarada admiração. Morreu seis anos depois em França, seu país natal, na cama que Columbano havia pintado para ela. Na cabeceira estavam desenhadas as armas dos Bragança.

Opinião: Gosto muito de romances históricos, pela oportunidade de conhecer o passado e perceber como influenciou o presente. Não consigo referir épocas sobre as quais goste de ler em particular, porque gosto de várias, mas agradam-me livros que abordem a sociedade e a monarquia portuguesa de outrora. Desta autora, já tinha lido o D. Filipa de Lencastre, que não me convenceu por aí além; decidi ler este lançamento recente para tirar as teimas.

O livro encontra-se dividido em três partes: na primeira, acompanhamos a vida da jovem Amélia, filha do pretendente ao trono francês, e a agrura da família Orleães com o exílio; a segunda parte cobre o período de tempo entre o casamento de Amélia com D. Carlos e o regicídio; a terceira parte, contada na primeira pessoa, recupera a viagem a Portugal que Amélia fez na década de 1940, na qual visitou os túmulos do marido e dos filhos.

Escrito em capítulos curtos, que convidam a uma leitura rápida, D. Amélia inclui alguns aspectos ficcionados, nomeadamente a nível de diálogos, mas a grande base de suporte é verídica, aproximando-se de uma verdadeira biografia, para a qual contribuem textos escritos pela mão de D. Amélia e provenientes da sua correspondência pessoal. É bastante centrado na Rainha, como seria de esperar, mas não tanto como no livro anterior que li da mesma autora, porque aqui a autora refere alguns detalhes contextuais interessantes, em especial sobre estado de outras monarquias europeias, algumas delas, à semelhança da portuguesa, ameaçadas por ideais republicanos.

Tive alguma pena de não ter lido em mais detalhe sobre o trabalho de caridade levado a cabo por D. Amélia enquanto Rainha de Portugal, sendo este seu lado apenas abordado de forma algo superficial. O que é abordado em grande detalhe é a relação entre os Reis, com as constantes infidelidades de D. Carlos a marcarem posição de relevo na história, bem como a paixão de D. Amélia pelos filhos, em especial por Luís.

Para mim, a parte mais emocionante do livro foi a última, que descreve o regresso de D. Amélia a Portugal, já com 80 anos. O facto de ser relatada na primeira pessoa ajudou-me a sentir mais próxima da “personagem” e os próprios sentimentos presentes convidavam a que fosse um relato emocionante. Acho que o livro tinha ganho se tivesse sido todo contado na primeira pessoa, porque o tinha transformado em algo mais pessoal e menos aproximado de um relato biográfico, ajudando a cativar o leitor que pretende ler um retrato ficcionado mas historicamente fiel de um pedaço da história do seu país. Ainda assim, é um livro valioso pela riqueza histórica e que recomendo a quem se interessar pela vida das pessoas que marcaram a monarquia portuguesa.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.