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[Opinião] Silver Bay – A Baía do Desejo, de Jojo Moyes

Autor: Jojo Moyes
Título Original: Silver Bay (2007)
Editora: Porto Editora
Páginas: 416
ISBN: 9789720041944
Tradutor: Elsa T.S. Vieira
Origem: Comprado

Sinopse: Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes.
Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente.
Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay – tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen – onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á dividido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade… e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável.
Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?

Opinião: Depois da boa surpresa que foi Um Violino na Noite, as expectativas positivas para este livro eram quase inevitáveis. Silver Bay é uma pequena localidade australiana onde Kathleen, uma respeitável senhora que já ultrapassou os 70 anos, gere o seu pequeno e antigo hotel, único nas redondezas. O hotel, e a vila, tinham prosperado nos anos 50, numa altura em que Kathleen, com apenas 17 anos, ficou conhecida por ter apanhado um enorme tubarão, proeza digna de entrar no Guiness. Mas com o decorrer do tempo, a façanha foi ficando esquecida e Silver Bay voltou apenas a atrair alguns turistas, que procuravam os passeios de observação de golfinhos e baleias.

Com Kathleen vivem a sua sobrinha Liza e Hannah, filha desta. Liza é-nos apresentada como uma mulher enigmática, quase anti-social, uma das pessoas na localidade a fazer viagens de observações com turistas e com especial apetência para se aproximar dos animais aquáticos. Hannah é uma criança absolutamente adorável e ternurenta, mas claramente afectada por algo que aconteceu no passado, acontecimento esse que também inquieta a sua mãe. E é assim, pelos olhos destas três mulheres, e também de um dos seus amigos, Greg, que a autora nos vai contando como decorre a vida em Silver Bay.

Em Londres, Mike Dormer é incumbido pelo seu patrão, e pai da sua noiva, de viajar para Silver Bay e estudar a viabilidade do local para se tornar o centro de um grande empreendimento hoteleiro, que ofereceria serviços topo de gama, incluindo desportos aquáticos. Mike sempre se considerou uma pessoa bastante pragmática e ponderada e encara a tarefa como mais uma oportunidade de demonstrar as suas qualidades e utilizá-la como trampolim à progressão na sua carreira. Com o que ele não contava era que as gentes de Silver Bay e o seu amor pelos golfinhos e baleias se insinuassem no seu coração e o fizessem reconsiderar toda a sua postura perante a vida até então e o efeito que o projecto teria naquelas pessoas e na fauna local.

É um livro ternurento, que tem o condão de nos fazer ficar alerta para os estragos que a mão do homem tem feito na Natureza, em particular na vida animal, pela ganância do dinheiro. Gostei imenso de saber mais sobre o comportamento e a inteligência dos golfinhos e das baleias, mas é de ficar com o coração apertado saber a que tipo de maldades estes animais já foram sujeitos.

Pensando um pouco no livro que já tinha lido desta autora, noto um pouco a sua tendência para pegar em cenários pouco inalterados pelo passar do tempo (neste caso, a vila de Silver Bay, no livro anterior a Casa Espanhola), mostrar-nos um pouco da sua antiga glória, colocando as personagens principais a lutar pela sua sobrevivência. O interessante lote de personagens que a autora nos vai apresentando, nos vários capítulos narrados na primeira pessoa por cada uma delas, aproximam o leitor dos seus sentimentos e dilemas e a forma envolvente como Jojo Moyes vai relatando o decorrer da história e revelando o passado de Liza tornam quase impossível largar o livro.

Num livro deste género, o final feliz é de esperar; neste caso, o final apresenta um contorno imprevisível que me arrancou algumas lágrimas. E se um livro me consegue emocionar a este ponto, muito dificilmente não o recomendaria. Não é um livro perfeito, mas foi uma leitura marcante e emocionante. Fico ansiosamente à espera de mais livros desta autora. 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.