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[Opinião] O Último Dia de um Condenado, de Victor Hugo

Autor: Victor Hugo
Título Original: Le Dernier Jour d’un condamné (1829)
Editora: Quidnovi
Páginas: 96
ISBN: 9789895547456
Tradutor: Ana Ribeiro
Origem: Comprado

Sinopse: Este romance é uma espécie de monólogo interior de um condenado à morte. O autor, numa tentativa de apelar à abolição da pena de morte, narra o testemunho dos últimos dias de um indivíduo antes de ser executado: os pensamentos, estados de alma e sofrimentos físicos, bem como as condições de vida dos prisioneiros. A esperança e a memória do passado passam também pela cabeça do recluso.

Opinião: Victor Hugo, escritor francês (1802-1885), é especialmente conhecido por ser o escritor de Os Miseráveis ou de O Corcunda de Notre Dame, apesar da produção bastante prolífica na escrita de poesia e teatro. Para além dos romances referidos, Victor Hugo escreveu também várias outras histórias, entre as quais este O Último Dia de um Condenado, que tive oportunidade de ler devido à recente colecção DN/JN.

Escrito nas vinte e quatro horas que antecedem a sua execução, o livro é uma espécie de diário de um homem condenado à morte na França do século XIX e relata na primeira pessoa os acontecimentos das seis semanas que antecedem o dia fatídico. Assistimos ao julgamento e à sua transferência para um local onde os condenados passam os seus últimos dias. Ao longo desse tempo, a personagem principal vai fazendo várias reflexões sobre a vida e a iminência de a perder. Pondera a sua pena de morte face à perspectiva de trabalhos forçados que durariam anos, e tão depressa prefere que a sua vida acabe como depois percebe que a vida é o seu bem mais precioso, repleto de coisas belas e que a fazem valer a pena. É um relato muitas vezes imbuído de angústia e de saudade da sua vida anterior.

Ao leitor, nunca é revelado qual o crime que a personagem principal cometeu, nem sequer o seu nome. Isto contribui para a intemporalidade da crítica subjacente ao teor desta história, a existência da pena de morte. O condenado é uma espécie de representação de todos os condenados, independentemente do crime que cometeram e da sua própria história. É importante referir que em nenhum momento o autor tenta transmitir a ideia de que este homem é inocente e que não merece ser punido: é contra a forma de punição que ele se insurge.

Ao tratar de um tema ao qual sou bastante sensível, e  digo desde já que sou contra a pena de morte, foi uma leitura por vezes angustiante, mas que considerei muito interessante. Gostei da escrita e da forma como o autor apresenta a sua história de modo a atingir o objectivo a que se propõe. É um livro que não nos deixa indiferentes, e que para mim teria funcionado ainda melhor caso fosse mais desenvolvido. Fica a curiosidade por ler Os Miseráveis, que tenho em lista de espera.

Nota final para esta edição: não só o papel é de má qualidade para um livro (quase parece papel de jornal) como a encadernação dificulta a leitura; juntando as gralhas, que são mais que muitas, recomendo que tentem ler outra edição deste livro. 

Classificação: 3/5 – Gostei

Livro n.º 74 de 2010


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.