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[Opinião] Lisboa aos seus amores, de Abel Neves

Autor: Abel Neves
Ano de Publicação: 2010
Editora: Sextante
Páginas: 208
ISBN: 9789896760267
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Uma geografia também é testemunha das cintilações dos seus moradores e, na teia onde se vão urdindo os jogos amorosos, Lisboa oferece-se a cada instante, ainda que às vezes dela se afastem as personagens. Lisboa aos seus amores reúne três obras que revelam histórias de amor em Lisboa – são aqui apresentadas duas, Felizes e Aliança, tendo Centauros sido publicado anteriormente.
FELIZES: Os amores rolam em Lisboa e o Santo António abençoa todos os gostos. Há infinitos modos de amar, e uma cidade, seja qual for, tem a responsabilidade de ser o abrigo onde os pequenos gestos dão o brilho às confissões e aos compromissos, aos devaneios e às ilusões. Em Felizes, os amorosos têm as suas singularidades, como em todas as histórias de amor, e, como em quase todas estas também, vêem florir em volta a desgraça ou a beleza do enamoramento.
ALIANÇA: Em Aliança há um eco do passado que vem de Berlim e anda por Lisboa. Há um feitiço nas mãos de um homem e que uma mulher encontra na praia, e ela deixa-se levar numa história até sentir na pele uma espécie de degradação da humanidade. A lembrança do seu avô, assassinado em Auschwitz, não poderia estar longe das suas aflições, e a sua coragem tornará os dias mais luminosos.

Opinião: Abel Neves é um escritor português, com obra publicada principalmente na vertente romance, poesia e teatro, desde os anos 80, do qual confesso nunca ter ouvido falar até este livro me vir parar às mãos. Com pouco mais de 200 páginas, contém duas histórias com Lisboa como pano de fundo, retratando o amor nas suas mais variadas formas.

A primeira história, Felizes, fala sobre o amor atribulado de Pasgal por David, um pianista perturbado e inconstante que torna a vida dos dois num poço de incertezas. Tomando como ponto de partida a noite em que David abandona Pasgal, no Santo António, esta história relata episódios da vida dos dois e dá-nos, de uma forma mais abrangente, um vislumbre sobre o que é amar demais.

A segunda história, Aliança, que ocupa dois terços do livro, inicia-se quando a narradora trava conhecimento um homem casado na praia, e tem um caso com ele, servindo este acontecimento para despoletar uma série de dolorosas recordações que recuam até à época da 2.ª Guerra Mundial. Esta história intersecta-se em determinado momento com a primeira, sem que os protagonistas de ambas tenham conhecimento do facto.

Foi uma leitura que, certamente, não beneficiou da pausa involuntária de uma semana de que foi alvo. Ainda assim, é um livro que se lê bem mas que exige alguma atenção por parte do leitor devido aos constantes saltos temporais a que o autor recorre em ambas as histórias, como se fosse pegando em peças desconexas do mesmo puzzle, criando no final a imagem completa – a história que pretende contar. Um livro interessante, mas que não foi particularmente marcante. 

Classificação: 2/5 – OK

Livro n.º 79 de 2010

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.