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[Opinião] Eis o Homem, de Michael Moorcock

Autor: Michael Moorcock
Título Original: Behold the Man (1969)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 96
ISBN: 9789728839871
Tradutor: Luís Rodrigues

Sinopse: Karl Glogauer é um homem dos nossos tempos. Quando o destino lhe oferece a possibilidade de viajar no tempo, ele não tem dúvidas quanto ao lugar e à época que quer visitar: a Terra Santa no tempo de Jesus. Mas o que poderia ser uma viagem turística à morte do Messias e ao nascimento da maior religião do mundo revela-se uma desilusão: Maria é a libertina da aldeia, José um velho amargo e Jesus Cristo apenas um deficiente mental. Devotado ao ideal de um Jesus real e histórico, Karl acredita que tem de fazer alguma coisa. Reunindo seguidores, repetindo parábolas que consegue recordar e usando truques psicológicos para simular milagres, Karl toma o lugar do Messias. Mas fará sentido um Messias que, no final, não morra na cruz?

Opinião: Todos os participantes do 1.º Encontro BANG! tiveram direito a um livro de graça, à escolha de entre uns quantos. De lá, trouxe comigo Eis o Homem, de Michael Moorcock, que já andava com vontade de ler há algum tempo. Para quem não sabe, este é um escritor com pergaminhos na área da fantasia e ficção científica (é ainda o autor da famosa série Elric, também publicada entre nós pela Saída de Emergência), bastante premiado, sendo um desses primeiros prémios o Nebula Award de 1967 para melhor novela. Esta novela já tinha sido publicada em 1966, na revista New World, e em 1969 foi publicada pela primeira vez a sua versão alargada, que podemos ler nesta edição portuguesa (que contém ainda uma nota de autor interessantíssima datada de 1996).

Eis o Homem conta a história de Karl Glogauer, que, por ter uma espécie de obsessão com o Cristianismo e a religião, apesar de ser agnóstico, decide viajar para a época de Jesus Cristo quando lhe apresentam a possibilidade de viajar no tempo. Karl contacta com figuras conhecidas, como João Baptista, e cedo descobre que a figura de Jesus, Maria e José não eram as pessoas idealizadas historicamente. Jesus é retratado como um deficiente mental e, por isso, Karl sente-se na obrigação de tomar o seu lugar como profeta e passar por todos os acontecimentos Bíblicos, de modo a que a história se pudesse cumprir.

O relato dos acontecimentos após a chegada à Terra Santa são intercalados com pedaços da vida de Karl, em particular da infância e do seu relacionamento com a namorada Monica, e que ajudam a explicar a ânsia do protagonista em que a história seja cumprida e que as coisas possam acontecer como relatadas na Bíblia.

Considero que é um livro bem escrito, que levanta questões importantes para quem se interessa por religião (crentes ou cépticos), especialmente no que se refere ao antagonismo entre ciência e religião e à necessidade da existência de algo em que acreditar. E é aqui que julgo residir o essencial deste livro: é necessário que Jesus Cristo tenha realmente existido para que o Cristianismo tenha significado? No final do livro, temos uma Nota de Autor, onde este explica com algum detalhe o processo de criação desta história e as principais motivações subjacentes.

Não foi um livro que me tivesse arrebatado, e acho que muito disso tem a ver com o meu pouco interesse por temas religiosos e pelo facto de ter preferência por ficção mais longa. Mas é, sem dúvida, um livro a ler para quem se interesse pelo tema. 

Classificação: 6/10 – Interessante

Livro n.º 57 de 2010


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.