[Blogue] Reflexões

Quando iniciei este blog em 2007, certamente haveriam mais, mas lembro-me de apenas conhecer o Constelação das Letras (Miss Alcor, onde andas?), no âmbito dos blogs literários geridos por “amadores”. Na altura, a inspiração que esse blog me suscitou juntou-se à vontade de falar sobre os meus queridos livros, dando origem ao Estante de Livros. Actualmente, e como podem verificar na barra lateral esquerda deste blog (a qual não contém boa parte dos links), a blosgosfera literária portuguesa está maior do que nunca e parece-me que a tendência é para continuar a crescer. Fico sinceramente contente pelo facto, porque nunca é demais falar sobre livros, mas já por várias vezes me pareceu que este boom de blogs acompanhou (e quem sabe aconteceu em parte devido a) o início do interesse das editoras neste tipo de divulgação, numa altura em que os espaços dedicados a livros nos meios de comunicação sociais vão escasseando cada vez mais e as editoras não podem ignorar a importância da Internet na divulgação das suas publicações. As principais modas literárias não são geradas na nossa (ainda pequena) blogosfera, e apesar da sua importância crescente parece-me que ainda está longe do potencial que pode alcançar; no entanto, está a ganhar importância. Não posso afirmar textualmente que o surgimento de tantos novos blogs esteja em boa parte relacionada com a crescente atenção por parte das editoras, mas estes quase 3 anos por estes lados levam-me a crer sinceramente que esta relação existe, o que levanta questões de credibilidade e conflito de interesses – um blog de  opiniões literárias não deveria aparecer sempre pela vontade do seu autor em partilhá-las?

Como vocês sabem, o Estante de Livros conta com o apoio de algumas editoras, que se consubstancia na disponibilização de exemplares para opinião e na realização de passatempos ocasionais. Posso dizer-vos que estas parcerias resultaram, provavelmente em igual proporção, de diligências da nossa parte e de contactos das próprias editoras. É algo de que nos orgulhamos, por representarem, de certo modo, um reconhecimento do nosso trabalho, mas, acima de tudo, é uma conjugação de interesses: as editoras vêm os seus livros publicitados e “criticados”, e nós vamos recebendo alguns livros grátis, o que não só permite que poupemos alguns euros (mentiria se dissesse o contrário), como é muitas vezes uma oportunidade de ler livros que nunca nos passariam pelas mãos de outra forma. Estes livros, apesar de não terem custo monetário, não são totalmente grátis – carregam consigo a “obrigação” (aceite por nós) de emitirmos a nossa opinião. Contudo, uma coisa é certa:  o conteúdo dos nossos posts de opinião seriam exactamente iguais se o livro em causa tivesse sido comprado por nós e não oferecido por uma editora. Se, no início, aquela parte de mim que tem sempre reticências em magoar ou dizer algo que não devo me fez “sentir mal” por ter de opinar negativamente sobre um livro que me tinha sido gentilmente oferecido, nos dias que correm essa questão é totalmente inexistente: é uma questão de honestidade não só para com quem lê o que escrevo, mas também para mim própria. Acima de tudo, o importante é transmitir o que realmente achei sobre determinado livro, sem grandes preocupações de colocar água na fervura.

Estas parcerias foram algo que surgiu por acréscimo ao verdadeiro objectivo que nos guia desde o início. De momento, tenho bastante disponibilidade para ir lendo os livros fornecidos pelas editoras, mas nem sempre a minha (e a do Ricardo e a da Cristina) disponibilidade será igual, e sem dúvida chegará o dia em que a conjugação dos factores tempo-disponibilidade-paciência não irá permitir manter o ritmo actual – e no dia em que isso acontecer, as minhas opiniões continuarão a aparecer, ainda que com menor periodicidade, mas espero que com o mesmo interesse.

O objectivo final deste post e a ideia que vos queria passar já foi veiculada, com muito mais simplicidade e frontalidade do que eu seria capaz, pelo autor do blog Speculative Horizons, num artigo muito interessante sobre esta questão, no qual, entre outras coisas, refere:

Yeah, it’s cool to get free books. (…) But getting free books is a bonus, a perk. It’s a sign that a publisher takes you and your blog seriously and thinks you’re worthy of receiving a review copy. Quite often, it’s the result of a mutual relationship between you and the publisher that’s been built on mutual trust and respect – a relationship that may have taken some time to develop.

[…]

… if you’re thinking of starting a blog in order to get free books, then you’re getting into blogging for the wrong reason. The best blogs are the ones that are run by people who love the genre, love books, and want to talk about them – which is why they started blogging.

(Sim, é fixe receber livros grátis. (…) Mas receber livros grátis é um bónus, um privilégio. É um sinal que a editora te leva a ti e ao teu blog a sério e pensa que és merecedor de receber um exemplar para opinião. Muitas vezes, é o resultado de uma relação mútua entre ti e a editora, baseada na confiança recíproca e no respeito – uma relação que pode ter levado algum tempo a desenvolver.
[…] … se estás a pensar começar um blog com o objectivo de receber livros grátis, estás a criar um blog pelo motivo errado. Os melhores blogs são aqueles que são geridos por pessoas que adoram o género, adoram livros e querem falar sobre eles – que foi o motivo pelo qual criaram um blog.)

Fica o meu conselho e o meu lema: os livros sempre, em primeiro lugar. – Célia M.

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Sobre Célia

Tenho 38 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.