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[Opinião] Elizabeth Costello, de J.M. Coetzee

Autor: J.M. Coetzee
Título Original: Elizabeth Costello (2003)
Editora: Dom Quixote
Páginas: 227
ISBN: 97220272200
Tradutor: Maria João Delgado
Origem: Comprado

Sinopse: Elizabeth Costello é uma velha e famosa romancista australiana cuja vida é revelada através de uma engenhosa série de oito palestras. Partindo de um discurso numa sessão de atribuição de um prémio, num colégio liberal de New England, até uma palestra sobre o mal, em Amesterdão, e uma audição, com uma enorme carga sexual, do poeta Robert Duncan, Coetzee transporta o leitor a uma conclusão surpreendente. Esta obra é aparentemente a história da vida de uma mulher como mãe, irmã, amante e escritora. Mas é também uma meditação profunda e obsessiva sobre a natureza da escrita que apenas um escritor do calibre de Coetzee poderia ter feito.

Opinião: Depois de ter ficado encantado com O Homem Lento, onde Elisabeth Costello acaba por ter um desenvolvimento importante na estória, não resisti muito tempo e comprei o livro onde essa mesma personagem, vista por muita critica como o verdadeiro “alter-ego” do escritor sul-africano, é o centro de toda a trama.

Elisabeth Costello é uma escritora consagrada, com uma vida bastante preenchida e a caminhar para a velhice, cujas opiniões são discutidas em palestras difundidas em todos os meios de comunicação social.

Essas palestras que são a base do livro de Coeztee, que está dividido em 8 capítulos (cada um dedicado a um diferente tema) e um PS, expondo o seu ponto de vista nalguns temas da vida, tais como o problema do Mal, a literatura africana, o realismo, e também o ponto de vista, quase radicalizado, da defesa do autor do meio ambiente, dos animais e do modo de vida vegetariano.

Como introdução a essas longas palestras, vamos assistindo também a um desenrolar de histórias de vida da personagem principal. Além do papel de escritora, conhecemos o seu papel como mãe, irmã e amiga de quem a rodeia.

Apesar de não ser tão atraente e tão viciante como o outro livro, e onde há momentos, felizmente poucos, onde podemos ficar um pouco aborrecidos com algumas passagens mais filosóficas das palestras, reconhecemos a bela escrita do seu autor e, sobretudo, a capacidade de dizer o que pretende sem dar grandes voltas e sem descrições que nos levam a perder interesse por aquilo que estamos a ler.

Com a leitura dos seus dois livros, Coetzee conseguiu conquistar a minha admiração pela sua obra, tudo isto sem ler, segundo o que diz a critica especializada, as suas “obras-primas” , o que, certamente, não demorará muito tempo. – Ricardo

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.