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[Opinião] Os Dias da Febre, de João Pedro Marques

Autor: João Pedro Marques
Editora: Porto Editora
Páginas: 320
ISBN: 9789720040985
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Descendo a Calçada de Santana e espreitando por entre as cortinas da sua carruagem, Elvira Sabrosa vislumbra Robert Huntley, um inglês que não via desde os tempos da infância, há mais de 20 anos.
Os Dias da Febre narra as circunstâncias que conduziram ao reencontro de Robert e Elvira, e o que dele decorreu. O cerne da acção situa-se em 1857, quando Lisboa estava a ser atingida por uma epidemia de febre-amarela que mataria quase 5 mil pessoas. É nesse contexto alarmante e febril que a intriga se desenvolve e que o leitor é convidado não só a conviver com as figuras da época, mas também a percorrer a cidade em toda a sua diversidade, dos camarotes do S. Carlos às ruas apertadas de Alfama, das enfermarias do Hospital de S. José às bancadas das Cortes, dos salões das senhoras das classes altas ao bulício do café Nicola.
Romance histórico escrito por um historiador e extensamente apoiado na documentação existente, Os Dias da Febre tem a História sempre presente sem, todavia, se dar muito por ela, já que se trata de uma história da vida quotidiana, embebida na própria narrativa. Isto significa que não estamos apenas perante um romance sobre uma epidemia, a morte e o amor: Os Dias da Febre é também uma viagem pelos sons, os cheiros, as gentes, as casas, os costumes, as cores – numa palavra, pela vida – da Lisboa de meados do século XIX.

Opinião: Os Dias da Febre é o primeiro livro de João Pedro Marques, doutorado em História, no campo da ficção. Enquadrado na Lisboa do século XIX, com algumas incursões pelas colónias portuguesas da altura, é um livro que fala do reencontro de Elvira, uma senhora da sociedade, e Robert, um médico inglês, das cirscunstâncias que os levaram a esse reencontro e dos acontecimentos posteriores. O livro está disponível para venda a partir de hoje.

De início os capítulos repartem-se por várias personagens, sem sequência temporal em concreto, com o objectivo de familiarizar o leitor com toda a envolvente da vida de Elvira Sabrosa e Robert Huntley. Conhecemos o irmão de Elvira e as suas aventuras em África, o seu marido Carlos Cabral e a história da própria Elvira. Quanto a Robert, temos oportunidade de acompanhar as suas viagens, incluindo a do Brasil onde conheceu Catarina, que viria a ser sua esposa, apesar de o casamento não ter durado muito tempo devido à trágica morte desta.

Quando voltamos ao presente, a 1857, o contexto histórico remete-nos para a epidemia de febre amarela que ocorreu em Lisboa no Verão desse ano, bem como as condições que a proporcionaram e o desenlace da situação. Mas a verdade é que este acontecimento não é o motor central da história, serve apenas para contextualizar e para satisfazer os mais curiosos pela história; ainda assim, confesso que gostaria de ter lido um pouco mais sobre o contexto histórico.

A febre a que o título do livro se refere não é apenas a amarela: é também a febre do amor que atinge Elvira e Robert. Não posso afirmar que a história dos dois me tenha arrebatado por completo, mas é composta por momentos que não podem deixar de emocionar o leitor.

É uma história agradável, escrita de uma forma despretensiosa, que dá mais ênfase à componente “romance” do que à componente “histórico”, mas sempre com um visível rigor no relato de pormenores históricos. Gostei. 

Classificação: 7/10 – Bom

Livro n.º 23 de 2010


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.