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[Opinião] Filho da Guerra, de Emmanuel Jal

Autor: Emmanuel Jal
Título Original: War Child (2008)
Editor: Albatroz
Páginas: 304
ISBN: 978-972-0-04174-6
Tradutor: Cláudia Ramos e Helena Ramos
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Em criança, mal podendo com o peso de uma arma, Jal, um dos Meninos Perdidos do Sudão, testemunhou e praticou actos de extrema brutalidade, no contexto da guerra civil que grassava no seu país.
As suas memórias de terror desenham-se vividamente nesta poderosa autobiografia, que revela dolorosamente a fúria que a guerra lhe ensinou, mas também a forma impressionante como conseguiu superá-la.
Inspirado por Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Nelson Mandela, socorreu-se da música como instrumento para o seu próprio processo de cura e incentivo à paz no seu país, tornando-se um dos mais promissores cantores rap africanos, reconhecido internacionalmente.
Chocante, inspirador e carregado de esperança, Filho da Guerra é a autobiografia de um jovem singular, determinado a contar a sua própria história e a revelar ao mundo a tragédia do seu país.

Opinião: Os livros autobiográficos são, normalmente, uma faca de dois gumes: tanto podem tornar-se espelho de quem o lê como ser alvo de antipatias. Para mim, o Filho da Guerra, de Emmanuel Jal, enquadra-se no segundo grupo. Confesso que esperava um quadro negro, mas pintado de forma mais natural, sem dramatismos exagerados e de onde se retirasse uma lição de vida. No geral, o livro retratou uma realidade conhecida, mas de que se fala pouco, sem qualquer lampejo de novidade ou interesse. Assim, cedo o meu entusiasmo se desvaneceu.

A acção da trama passa-se no Sudão, onde as rivalidades étnicas/religiosas despoletam uma guerra civil. É neste enquadramento que vamos conhecendo Emmanuel e aqueles que o rodeiam. Intervalando entre o passado e o presente, o autor leva-nos a compreender, na plenitude, as razões do conflito, a forma como, posteriormente, o protagonista se torna um elemento activo na guerra e como soube dar a volta à sua vida, tornando-se uma figura de destaque na música e na luta pelas seus ideais.

Filho da Guerra vale, sobretudo, em termos históricos, na medida em que nos desvenda os bastidores de uma guerra civil, que dura há já vários anos, e que apenas conhecemos pela imprensa. Por outro lado, a obra peca, sem dúvida, pela escrita do autor. Por vezes, torna-se demasiado pesada, sem fluidez e com muita informação. É notória, e até compreensível, a ânsia do autor para tentar transparecer o seu sofrimento, mas nem sempre o faz da melhor forma, o que desmotiva quem lê. É com livros destes que compreendemos que escrever é mesmo um dom. – Cristina

Classificação: 5/10 – Razoável


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.