Home / Das palavras às imagens / Das Palavras às Imagens (6)

Das Palavras às Imagens (6)

 

True Blood é uma série televisiva baseada nos livros da escritora americana Charlaine Harris, da autoria de Alan Ball, que começou a ser transmitida em 2008, e que já teve duas temporadas. A primeira delas baseou-se no 1.º volume da saga Sangue Fresco e a segunda temporada teve por base o 2.º volume. A história é a de uma comunidade no Louisiana, Bon Temps, na qual coexistem humanos e vampiros, que apenas recentemente foram reconhecidos na sociedade, depois de os japoneses terem inventado um sangue sintético que permite aos vampiros já não terem de se alimentar de sangue humano e poderem, por esse motivo, conviver pacificamente com eles (ou, pelo menos, tentar). A personagem principal desta série é Sookie Stackhouse (interpretada por Anna Paquin, já vencedora de um Óscar de Melhor Actriz Secundária pelo filme O Piano), uma empregada no bar Merlotte’s que consegue ler os pensamentos de outras pessoas. No início da série televisiva, tal como nos livros, Sookie apaixona-se pelo vampiro Bill Compton, e o espectador vai tendo oportunidade de descobrir, ao mesmo tempo que Sookie, o mundo e os costumes peculiares dos vampiros.

 

 

Diria que True Blood é uma série televisiva que se baseia nos livros de Charlaine Harris e não que estamos perante uma adaptação dos mesmos, porque apesar de a linha de enredo principal se manter (especialmente na primeira temporada), muitas são as alterações feitas. De facto, se a série televisiva se restringisse apenas aos acontecimentos e personagens existentes nos livros, dificilmente se arranjaria material para filmar 12 episódios por temporada, com duração de uma hora cada. Alan Ball pegou no mundo e nas personagens criadas pela escritora e acrescentou-lhes outras personagens e enredos secundários, imprimindo-lhes o seu cunho pessoal. É uma série com conteúdo sexual bastante mais explícito do que é costume em séries americanas, com muita violência e peculiaridade à mistura.

 

Após ver as duas temporadas já feitas (prevê-se que a terceira estreie em Junho de 2010), posso dizer que o balanço é positivo. Apesar disso, acho que ambas as temporadas são um pouco desequilibradas, no sentido em que não conseguem manter de forma constante a atenção por parte do espectador; nem todos os enredos secundários funcionam bem – especialmente na segunda temporada, com o destaque dado à ménade – e dei por mim, várias vezes, com vontade que a acção passasse para o trio principal: Sookie, Bill e Eric.

 

Por falar nestas três personagens, confesso-me algo desiludida com a sensação que a Sookie da série me passou: nos livros (contados por ela na primeira pessoa), é uma personagem muito divertida, inteligente, independente e corajosa; na série, apesar de manter esta última característica, senti falta do seu sentido de humor e não gostei da demasiada dependência que revela em relação a Bill. Esta personagem, interpretada pelo até agora desconhecido (pelo menos para mim) Stephen Moyer, continua tão apática como nos livros e, se possível, ainda menos interessante. Na minha opinião, a transposição de personagem livro-série mais bem conseguida foi a do xerife Eric Northman, desempenhada pelo sueco Alexander Skarsgård (filho do conhecido actor Stellan Skarsgård), que empresta à sua personagem o mesmo tom sarcástico, ameaçador e sexy do Eric que conhecemos dos livros. Quanto às personagens secundárias, sem dúvida que as minhas preferidas foram Pam (assistente de Eric, interpretada por Kristin Bauer) e Lafayette (cozinheiro no bar Merlotte’s, interpretado por Nelsan Ellis).

 

Resumindo: se andarem à procura de uma boa série de vampiros, e estiverem um pouco fartos da abordagem teen de que ultimamente os vampiros têm sido alvo, True Blood é uma óptima escolha. Mas leiam primeiro os livros 😉

 

Para terminar, deixo aqui o vídeo com o fantástico génerico desta série, produzido pela Digital Kitchen (que já tinha feito também o de Sete Palmos de Terra). A viciante música chama-se “Bad Things” e é da autoria de Jace Everett. A conjugação da música com as imagens do genérico capta, na perfeição, o espírito da série.

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.