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[Opinão] Frankenstein, de Mary Shelley

Autor: Mary Shelley
Título Original: Frankenstein; or, the Modern Prometheus (1818)
Editor: Colecção BIS/Leya
Páginas: 238
ISBN: 9789896530198
Tradutor: João Costa
Origem: Comprado
Sinopse: Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante, que a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais consegue dar vida a um monstro que se revolta contra a sua triste condição e persegue o seu criador até à morte. Frankenstein foi adaptado inúmeras vezes ao cinema, mas a mais memorável imagem do monstro foi encarnada pelo actor Boris Karloff, em 1931, fazendo ainda hoje parte da cultura popular.

Opinião: Há livros que fazem parte do imaginário colectivo e cujo nome, mais ou menos vezes, já toda a gente ouviu falar: Frankenstein é um deles, não só por força das várias adaptações ao grande ecrã, mas também devido à qualidade literária que o livro apresenta e às questões que levanta. Mary Shelley terminou de escrever este livro quando tinha apenas 19 anos, tendo sido publicado pela primeira vez em 1818.

A história começa com cartas escritas pelo explorador Robert Walton à sua irmã, nas quais relata as suas viagens e o empreendimento que irá levar a cabo no Pólo Norte, querendo chegar onde nenhum homem tinha chegado antes. Em determinada altura dessa viagem, Walton encontra no meio do gelo um homem fragilizado, que recolhe para o seu navio, oferecendo-lhe a sua ajuda para que este recupere. Após uma fase mais complicada, o tal homem, de seu nome Victor Frankenstein, começa a contar a história da sua vida e todos os acontecimentos que o levaram até ao local em que foi encontrado.

Frankenstein fala-nos da sede de saber na sua juventude, da vontade que tinha de mudar o mundo e do desejo de deixar o seu nome na galeria dos grandes da ciência. A dada altura da sua vida, com 17 anos, muda-se de Genebra para Ingolstadt (Alemanha), a fim de prosseguir os seus estudos. É nesta cidade que descobre a forma de dar vida a coisas inanimadas e, a partir de pedaços de corpos de mortos, constrói e dá vida a um homem, que faz maior que o homem normal por causa da dificuldade em recriar todos os pequenos detalhes do corpo humano. No entanto, após fazer este ser acordar, Victor apercebe-se da sua monstruosidade e foge com medo dele. Os acontecimentos subsequentes da vida de Victor, e da vida dos que lhe são queridos, estarão sempre, de uma ou outra forma, ligados à sua “hedionda” criação, que por força da sua solidão e exclusão da sociedade começa a perseguir o seu criador.

É um livro que encerra uma série de questões extremamente interessantes, que vão desde a vontade que o Homem sempre teve em interferir com a Natureza e o seu normal curso até ao problema da solidão e exclusão da sociedade por via da diferença, e da necessidade de qualquer ser humano tem em sentir-se integrado. É uma história marcante, pela inovação que representou na época e pelos temas que trata, e que continuam bem actuais. Recomendo vivamente!

PS: Podem ver aqui a crítica do Menphis a este livro.

Classificação: 9/10 – Excelente

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.