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[Opinião] A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, de Junot Díaz

Autor: Junot Díaz
Título Original: The Brief Wondrous Life of Oscar Wao (2001)
Editor: Porto Editora
Páginas: 296
ISBN: 978-972-0-04148-7
Tradutor: Victor Cabral
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Oscar Wao é enorme. E dominicano.
Gozado pelos colegas e isolado do mundo, sonha com raparigas e aventuras extraordinárias, sente vergonha por não estar à altura da reputação viril dos machos dominicanos, mas não consegue mais do que uma vida de desilusões.
Para Oscar, o drama é um fado demasiado familiar.
A sua breve e assombrosa vida está marcada a ferro e fogo por uma maldição ancestral, o fukú, que, nascido em Santo Domingo, é transmitido de geração em geração, como uma semente ruim.
Alimentada pela sorte dos seus antepassados, quebrados pela tortura, pela prisão, pelo exílio e pelo amor impossível, a história de Oscar escreve-se fulgurante e catastrófica, e integra a grande História, a da ditadura de Trujillo, a da diáspora dominicana nos Estados Unidos e a das promessas incumpridas do Sonho Americano.

Opinião: A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao conta a história de um peculiar jovem dominicano e da sua família, narrada na primeira pessoa por Yunior, um amigo de Oscar e da sua irmã Lola. Apesar de ser narrado por uma das personagens secundárias da história, esta é dividida por capítulos que contam a história de Oscar, da sua família e da forma como o passado influenciou quem e o que são.

É quase impossível não simpatizar com Oscar e com os seus dilemas. Estamos perante um jovem excessivamente gordo, rejeitado pelos jovens da sua idade, que se refugia nos livros, no cinema e nos jogos como forma de escape à dura realidade que enfrenta, principalmente no que diz respeito às rejeições das mulheres por quem platonicamente (ou não) se apaixona. Tendo em conta o nível geek da personagem principal, existe toda uma panóplia de referências a literatura e cinema relacionados com fantasia e ficção científica… Adorei todas as referências a “O Senhor dos Anéis”, e em quase todas dei uma boa gargalhada… Ter a mensagem Speak friend and enter* pendurada na porta do quarto é uma ideia genial 🙂

Ao longo de todo o livro, o autor faz questão de nos presentear com uma série de notas de rodapé (muitas delas longas), que apesar de por vezes cortarem um pouco o ritmo da narrativa são preciosas para o entendimento da herança histórica com que a República Dominicana e os seus habitantes têm de suportar. Muito deste enquadramento histórico está relacionado com o ditador Trujillo, cujas acções influenciaram as personagens deste livro, em especial os antepassados de Oscar. Para além destas notas de rodapé, no próprio corpo do livro apercebemo-nos das características mais distintivas dos dominicanos. Por várias vezes, lembrei-me d’O Tigre Branco de Aravind Adiga, precisamente porque o senti como uma crítica implícita aos vícios e costumes da população nativa do país natal do escritor.

No fundo, é um livro que fala sobre a solidão e sobre a força do destino: em última análise, a conclusão é que somos nós que o fazemos.

Resumindo, não achei propriamente uma história muito original no seu conteúdo, mas a originalidade está certamente presente na forma como é contada, prendendo o leitor do início ao fim do livro. Uma nota final para o bom trabalho de tradução, num livro em que, pela profusão de expressões castelhanas no meio do texto, entre outros aspectos particulares, não me pareceu de todo fácil de traduzir. 

Classificação: 8/10 – Muito Bom

 

*Para quem não está familiarizado com o livro ou que já não se lembra, Speak friend and enter era a famosa mensagem inscrita na Porta de Durin, à entrada das Minas de Moria, e que continha a chave para a entrada nas Minas. Erradamente, Gandalf supõe que a mensagem significa que se se tratar de um amigo, basta dizer a palavra chave para entrar nas Minas. Afinal de contas, a palavra chave era friend, ou mellon em élfico. (Yunior, um amigo de Oscar, chega a tratá-lo assim neste livro).


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.