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Questionário (XVI)


O questionário desta semana foi respondido pela Homem do Leme e como sempre as respostas são muito interessantes. Mais uma vez, muito obrigado!
 

1 – Como surgiu a ideia de criares um blog sobre livros?
A ideia surgiu porque sou apaixonada pela leitura e pela escrita, e desta forma associo as duas paixões. Considero, também, que escrever sobre os livros que leio a semelhança do que fazem outros bloggers) é uma forma de incentivar a leitura e de difundir vários autores e as suas obras. E como a comunidade de leitores em Portugal ainda é muito diminuta, tudo o que se possa fazer para a aumentar é válido.

 

2 – És uma leitora rápida? Quantos livros lês, em média, por mês?
Depende do tamanho do livro, do interesse que me desperta, do tempo que tenho livre, entre outras coisas. Mas normalmente leio entre dois a três. No entanto, não leio para contabilizar livros mas sim pelo prezer da leitura, pelo que nunca leio “a correr”, gosto de “saborear” as páginas.

 

3 – Qual é o teu livro preferido de sempre e porquê?
Bem, aqui não posso responder exactamente à pergunta, porque não consigo escolher só um. A minha escolha vai para:

  • “Os Maias”, de Eça de Queiróz – adoro o estilo de escrita, e a história é maravilhosa. A forma como Eça descreve, e critíca, a sociedade daquele tempo é brilhante. É um clássico, bem escrito, num português como já não se escreve.
  • “Shantaram” – David Gregory Roberts – é uma história verídica, contada na primeira pessoa, de um ex-toxicodependente que foge de uma prisão de alta segurança na Austrália e se refugia na Índia. É o relato da descoberta e crescimento interior de um homem, que aos olhos de todos é forte e implacável, mas que é capaz dos mais profundos sentimentos e reflexões. Adorei a história, tocou-me de uma forma muito especial.
  • “Viagem ao Mundo da Droga” – Charles Duchaussois – Foi um livro que li pela primeira vez na minha adolescência e me marcou pela frieza e realismo com que o autor conta a sua história. É, mais uma vez, uma história escrita na primeira pessoa, o relato frio e sem fantasia da descida de um toxicodependente ao inferno e a sua luta pela recuperação.
  • “Os Três Mosqueteiros” e “O Conde de Monte Cristo” – Alexandre Dumas – mais dois clássicos, que pela beleza como estão escritos e pela história, não podiam deixar de estar aqui, como livros da minha vida.

 

4 – O que te leva a identificares-te com uma personagem/história?
O que me faz “entrar” na história, vivê-la enquanto a leio, é a forma como o autor escreve e a capacidade que o relato tem de me conseguir abstrair do que me rodeia. Bons diálogos, personagens bem caracterizadas, suspense, acção, boas descrições. Enfim, tudo o que faz uma boa história e é claro, ser um tema que me agrada.
 

5 – Género literário preferido e que livro recomendarias dentro do mesmo?
Sou fã de policiais e de thriller’s psicológicos. Dentro destes géneros não consigo recomendar apenas um livro, mas sim autores que considero exímios neste estilo: Dick Haskins (ou António Andrade Albuquerque), Tami Hoag, Tess Gerritsen, Mo Hayder, Carlos Ademar, Thomas Harris.

 

6 – O que achas das adaptações cinematográficas de livros?
Sou sempre bastante crítica e até agora nenhum me satisfez. Normalmente leio o livro antes e quando vejo o filme impera a sensação de desilusão, de fracasso. Mas eu gosto muito mais de ler que de cinema. Na realidade, algumas adaptações nem estão más, mas ficam sempre muito aquém da qualidade do livro.

 

7 – Qual é a tua opinião sobre os e-books?
Confesso que não estou muito inteirada do tema, mas o que tenho visto (e é muito pouco) parece-me ainda muito fraco. No entanto tenho a ideia que é uma área em desenvolvimento.

 

8 – Tens alguma ideia sobre o que deveria ser feito para aumentar os índices de leitura em Portugal?
Muitos falam em tornar o preço dos livros mais acessível, o que também considero importante, mas mais importante que isso, falta incentivo à leitura. As séries dedicadas aos jovens incentivam a tudo menos à leitura, a escola devia fazer muito mais pela leitura desde a pré-primária,… Gostava que existisse um programa televisivo sobre livros e autores (e o mesmo devia acontecer na rádio), anúncios a livros e a lançamentos. Os pais também deviam estar mais atentos ao desenvolvimento do gosto pela leitura dos seus filhos: contar histórias desperta a curiosidade sobre o que está escrito no livro, oferecer livros às crianças desde cedo é uma forma de as motivar a ler.

Muito se podia e devia fazer.

 

9 – A leitura é uma paixão que nasce connosco ou está mais dependente de factores externos (muitos livros em casa desde a infância, etc.)?
A leitura não nasce connosco, apesar de a personalidade de cada um também nfluenciar o seu gosto pela leitura. No entanto, o gosto pela leitura deve ser promovido desde muito cedo. É importante as crianças crescerem num meio onde se lê, e principalmente onde se fala do que se lê, onde se discutem os livros que se lêem – é da discussão de um livro que nasce o interesse por ele. Considero que os livros e as histórias devem fazer parte da vida de uma criança tal como fazem os brinquedos. É importante que a escola também desenvolva o interesse pela leitura, não apenas pela obrigação e cumprimento curricular, mas pelo prazer que dela se pode retirar e pela discussão de ideias que a leitura promove.<homemdoleme@live.com.pt>
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Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.