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[Opinião] No Café da Juventude Perdida, de Patrick Modiano

Autor: Patrick Modiano
Título Original: Dans le café de la jeunesse perdue (2007)
Editor: Edições ASA
Páginas: 112
ISBN: 9789892304540
Tradutor: Isabel St. Aubyn
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Paris, anos 60. No café Condé reúnem-se poetas malditos, futuros situacionistas e estudantes. À nostalgia que impregna aquelas paredes junta-se um enigma personificado numa mulher: todas as personagens e histórias confluem na misteriosa Louki. Quatro homens contam-nos os seus encontros e desencontros com a filha de uma empregada do Molin-Rouge. Para quase todos eles, ela encarna o inalcançável objecto de desejo. Louki, tal como todos os boémios que vagueiam por uma Paris espectral, é uma personagem sem raízes, que inventa identidades e luta por construir um presente perpétuo. Modiano recria em redor da fascinante e comovente personagem desta mulher a Paris da sua juventude, enquanto constrói um maravilhoso romance sobre o poder da memória e a busca da identidade.

Opinião: Este pequeno livro, que está disponível a partir de hoje, fala-nos de uma jovem parisiense dos anos 60, Louki, que frequenta o café Condé; este é o ponto de partida para a sua interligação com outros frequentadores do Condé, que durante o livro nos apresentam os seus pensamentos e pontos de vista relativamente a Louki.

O primeiro ponto de vista que temos oportunidade de ler, de um dos frequentadores do café Condé, descreve-nos o ambiente do local, as suas personagens, os seus hábitos e as relações entre elas. A partir daí, os capítulos abordam essencialmente a personagem Louki e o mistério que a rodeia, incluindo um ponto de vista da própria.

Louki é uma personagem que retrata a solidão e o desenraizamento, que por nunca ter sentido que pertencia a um lugar, vive constantemente à procura do seu lugar no mundo, alterando constantemente a sua vida e cortando raízes com quem vai encontrando pelo caminho.

Gostei bastante da escrita de Patrick Modiano, autor que não conhecia, especialmente de pequenos momentos e observações que pontuam o livro e que tornam a história ainda mais interessante. Houve alguns momentos um pouco confusos ao longo do livro, devido ao facto de se falar de acontecimentos passados e presentes de tal forma que é preciso uma leitura muito atenta para os destrinçar. Para além disso, e apesar de ter gostado deste livro, preferia que fosse maior e, por isso, que a sua história fosse ainda mais desenvolvida… mas isso é um gosto pessoal, e provavelmente a vontade do autor foi precisamente esta.

Classifcação: 7/10 – Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.