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[Opinião] A Gárgula, de Andrew Davidson

Autor: Andrew Davidson
Título Original: The Gargoyle (2008)
Editor: Caderno
Páginas: 552
ISBN: 9789892301747
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
Origem: Comprado
Sinopse: O belo e atormentado narrador de A Gárgula conduz numa estrada sinuosa quando é ofuscado pelo que parecia ser uma saraivada de setas. Despenha-se numa ravina e acorda numa unidade de queimados, sofrendo as torturas dos condenados. É agora um monstro. A sua vida acabou. Mas está apenas a começar: um dia, Marianne Engel, uma encantadora e indomável escultora de gárgulas, entra no seu quarto e revela-lhe que foram amantes na Alemanha medieval: ele, um mercenário que sofrera terríveis queimaduras; ela, uma freira escriba no famoso mosteiro de Engelthal, onde lhe prestara cuidados de enfermagem. À medida que se desenrola a sua história, qual Scherazade, e relata outras histórias igualmente fantásticas de amor imortal no Japão, Islândia, Itália e Inglaterra, o narrador é devolvido à vida e, por fim, ao amor. A Gárgula é um romance extraordinário que levará o leitor numa metamórfica e original viagem. Fá-lo-á acreditar no amor, em milagres e na rendição. O mais extraordinário romance de estreia da última década: uma fascinante história de amor sobre o poder libertador do sofrimento, que transcende os limites do nosso tempo e espaço.

Opinião: Fiquei com este livro debaixo de olho desde que saiu porque gostei da sinopse e achei a história original, mas agora que já o li vejo que a sinopse não nos prepara exactamente para o que vamos encontrar. Eu não sei bem o que esperava deste livro, mas, de facto, não foi nada daquilo que estava à espera. O que não quer dizer que não gostei.

O narrador da história (cujo nome nunca chegamos a conhecer) começa a contá-la a partir de um acidente de viação que queimou o seu corpo quase por completo e que o leva a permanecer numa unidade de queimados em recuperação. Ao longo desse tempo, ele irá conhecer várias pessoas muito diferentes das suas anteriores companhias, uma vez que antes do acidente ele era um actor pornográfico viciado em cocaína. Entre essas pessoas, está Marianne Engel, que os médicos acreditam sofrer de esquizofrenia, e que afirma que ela e a personagem principal se conheceram muitos séculos antes. Assim, a história presente é entrelaçada com relatos passados, nos quais Marianne conta ao narrador como se conheceram e qual foi o desenrolar da sua história.

O “Inferno” de Dante é muitas vezes referido ao longo do livro e existem alguns paralelismos (referidos, porque não conheço a obra de Dante). O elemento fogo é uma presença constante ao longo do livro e, de acordo com os mitos cristãos, é visto como uma forma de redenção. De certo modo, é isso que acaba por acontecer à personagem principal: a destruição da imagem que tinha antes do acidente acaba por fazê-lo dedicar-se ao seu interior.

Para além dos elementos históricos do livro, introduzidos pela voz de Marianne Engel, ela conta também várias histórias cujo ponto comum é o sacrifício por amor. Adorei-as todas, mas gostei em especial da história de Sei.

Gostei muito da forma que Andrew Davidson escolheu para escrever o seu livro. Utiliza um tom muito sarcástico, por vezes, mas na maior parte do tempo consegue perfeitamente fazer-nos entrar na cabeça da sua personagem e compreender os seus sentimentos.

Um livro estranho, mas que se entranha… Recomendo! 

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.