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Questionário (V)

 
Hoje é a vez da Dreamfinder, do blog As Minhas Leituras. Mais uma vez, respostas muito interessantes! Obrigado 🙂
 

1 – Como surgiu a ideia de criares um blog sobre livros?
Sempre nutri o hábito de registar as frases que mais me tocavam ou com as quais mais me identificava num livro. Um dia, decidi partilhar essas mesmas descobertas, esses pequenos tesouros com outros apaixonados pela leitura. Além disso, achei que era uma boa forma de divulgar opiniões e dar sugestões e, simultaneamente, receber algumas dicas literárias de outros leitores. A experiência tem sido fantástica.

 

2 – És uma leitora rápida? Quantos livros lês, em média, por mês?
Infelizmente não tenho tanto tempo para ler como gostaria. Em períodos “normais” do ano lectivo, leio entre 3 a 4 livros por mês. Isto porque apenas posso dedicar a este prazer o tempo que percorro nas viagens de transportes públicos e cerca de meia a uma hora à noite. Em épocas de exame, as alturas críticas, nunca deixo de ler, mas vejo reduzidas as perspectivas para um livro nesse mês. Claro que me vingo no período de férias, onde chego a ler 2 livros por semana. Nada melhor!
De qualquer forma, a rapidez com que leio um livro não depende tanto do número de páginas, mas muito mais do tipo de livro.

 

3 – Qual é o teu livro preferido de sempre e porquê?
Lamento não me conseguir cingir a um único livro. Mas os que me ocorreram aquando da pergunta foram: “Equador” de Miguel Sousa Tavares e “Para a Minha Irmã”. O primeiro tem um fundo histórico significativo, todo o ambiente é cativante e a história é muitíssimo envolvente. Fala não apenas de amor, mas do papel do destino, da crueldade e condições desumanas que se viviam nas roças de S. Tomé e Príncipe e isso, particularmente, tocou-me muito. O segundo cativou-me, inicialmente, pelo fundo médico (já que sou estudante de Medicina). Mas além disso, explora intensamente os limites de algumas questões éticas profundas, quando os sentimentos e a lógica se confundem e o coração quer falar mais alto que a razão. O livro é um forte abanão, faz-nos pensar e tremer perante a ideia de termos de fazer tão delicada escolha.

 

4 – O que te leva a identificares-te com uma personagem/história?
A originalidade da personagem, a irreverência, … Lembro-me que uma personagem que me marcou, em todos os livros que já li, foi o João da Ega d’ “Os Maias”. Em parte, certamente, porque Eça foi um génio no que toca a construção de personagens. Mas depois, por todo o carácter cómico, mas ao mesmo tempo apaixonado da personagem. Um eterno e sofrido romântico.
O Luís Bernardo do “Equador” é outro personagem cativante, que nos surpreende com cada atitude.
Há personagens nas quais apostamos desde o início, para as quais criamos inúmeras expectativas e esperamos um desfecho feliz… simplesmente isso.
Quanto às histórias gosto particularmente das surpreendentes, originais, que contam efectivamente algo de novo, ou de uma forma diferente.

 

5 – Género literário preferido e que livro recomendarias dentro do mesmo?
Sem dúvida, o romance. Claro que aconselho os meus dois livros preferidos, atrás referidos. Mas além desses, recomendo vivamente “Expiação” (Ian McEwan) ou “Ensaio sobre a Cegueira” (José Saramago).

 

6 – O que achas das adaptações cinematográficas de livros?
Há adaptações muito más e, até há algum tempo atrás, diria que simplesmente não valem a pena. Felizmente, os últimos filmes vêm contrariar esse preconceito. São o caso dos filmes “Ensaio sobre a cegueira” que está muitíssimo bem adaptado ou “Expiação”. Também “Amor em tempos de cólera”, apesar de a um nível inferior, ficou bem adaptado à tela. É com alguma esperança neste sentido, que vou ler o “Crepúsculo” para depois poder assistir ao filme.

 

7 – Qual é a tua opinião sobre os e-books?
Não tenho uma opinião formada, porque não sou utilizadora dos mesmos.

 

8 – Tens alguma ideia sobre o que deveria ser feito para aumentar os índices de leitura em Portugal?
Os livros deveriam ter preços mais acessíveis e as crianças deveriam ser mais estimuladas a ler. Ler não é um hábito fácil de adquirir mais tarde, pelo que é fundamental que os estímulos comecem na criança. Criar concursos de leitura, grupos de leitura e troca de opiniões, jogos associados à leitura, etc…

 

9 – A leitura é uma paixão que nasce connosco ou está mais dependente de factores externos (muitos livros em casa desde a infância, etc.)?
Ambas as partes da afirmação são verdadeiras. Em parte, é algo que nasce connosco. Sempre gostei de ler, nunca foi um dever, um martírio, etc. Foi uma actividade que sempre me deu prazer e um dos meus hobbies favoritos. Claro que para isso também contribuiu a disponibilidade de livros em casa. Os pais têm um papel fundamental: lembro-me que comecei a ler a colecção “Uma Aventura” e que a minha mãe me disse que, se eu fosse lendo regularmente os vários volumes, ela me ia comprando mais. Hoje tenho a colecção completa e posso considerá-la o início da minha paixão pela leitura.
Logo, acho que ambos os factores são importantes. Há certamente uma predisposição genética para gostarmos ou não de ler, mas a essa deve ser aliada a estimulação em casa e na escola para não deixarmos morrer esse gosto e fazermos o hábito crescer.


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.