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[Opinião] As 3 Vidas, de João Tordo

Autor: João Tordo
Ano de Publicação: 2008
Editora: Quidnovi
Páginas: 306
ISBN: 9789896280857
Origem: Comprado 
Sinopse: Quem é António Augusto Millhouse Pascal? Que segredos rodeiam a vida deste homem de idade, que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e uma lista de clientes tão abastados e vividos, como perigosos e loucos? São estes os mistérios que o narrador, um rapaz de uma família modesta, vai procurar desvendar não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por Millhouse Pascal se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida. Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta – época de todas as ganâncias – e, desvendando o passado turbulento do seu patrão – na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial -, As Três Vidas é uma viagem de autodescoberta através do «outro». Cruzando a história sangrenta do século XX com a história destas personagens, este romance é também sobre a paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal, e sobre a procura pelo destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do seu avô, inexoravelmente ligado ao destino de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da estreita corda bamba sobre a qual ela se sustém.
Opinião: Neste Natal, e depois de ter fornecido à minha família uma lista de 10 obras que queria ler, fui, aconselhado pelo funcionário da livraria, presenteado com este livro pela minha mãe. Já tinha lido boas criticas, desde outros autores, como críticos de literatura, parecia que este livro tinha reunido um, por vezes perigoso, consenso entre toda a gente.

Foi, então, com uma enorme curiosidade em que me lancei na sua leitura, e posso dizer que foi um dos livros que mais me marcaram durante os últimos tempos da minha vida. Existe, talvez, bem lá dentro daquelas páginas, um reconhecimento de mim próprio e da minha vida, principalmente no reconhecimento da tão incessante, e por vezes incansável, busca do meu “eu” através do “outro”.

A história, narrada na primeira pessoa, gira à volta de 3 vidas, do próprio narrador, o qual nunca sabemos o seu nome, e da sua relação com o seu misterioso patrão, António Augusto Milhouse Pascal, dono de uma agência de trabalhos misteriosos numa Quinta no meio do Alentejo, e da neta deste, a sonhadora e rebelde Camila Pascal que idolatra, mais do que tudo e alguma coisa, esses artistas que desafiam os limites de nome funâmbulos. A história, ou histórias, atravessam três décadas, e com elas podemos assistir, não só a uma mudança nas três vidas, e na forma como ele vê a própria Vida, mas também às metamorfoses do Mundo em seu redor.

O livro é todo ele povoado com uma escrita fluída, bastante cinematográfica, e tal e qual um funâmbulo, (o mote inspirador para esta obra, que funcionará como metáfora da vida das 3 personagens principais, sempre na corda-bamba) no meio da actuação, vamos, passo a passo assistindo ao desenrolar da história sempre atentos, com ânsia de não perder nenhum pormenor, até chegarmos ao outro lado com a sensação, plena de satisfação, de um desafio ganho e com vontade de repetir esta “viagem”.

É, certamente, um livro que, um dia, irei reler para tentar descobrir ainda mais pormenores que, talvez, me fugiram nesta minha primeira leitura. Com este seu terceiro livro, João Tordo consegue criar uma história original que nos prende desde a primeira página, a qual temos imensa pena quando vemos que não existem mais páginas para poder usufruir, acabando por ser um bela surpresa ter-me tocado tanto. Posso dizer que este livro me encontrou na altura certa. Convém andarmos atentos ao que se faz no nosso país, são livros como este, e autores como João Tordo, que mostra a despontar uma geração de escritores que honra o passado literário de um país que sempre se pôde orgulhar do nascimentos de grandes escritores. É necessário (re)descobrir o prazer de ler autores portugueses.

Como obra literária darei um 8/10 a este livro, mas, de facto, foi dos livros que mais me divertiu, mais me marcou e mais me deu prazer, ler. Quanto ao autor, além de tentar ler as suas outras duas obras, irei estar atento à sua carreira, assim como ao seu blog. – Ricardo

Classificação: 8/10 – Muito Bom


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.