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Leya segura Lobo Antunes

Depois de tecer duras críticas sobre as confusões que se geraram por causa da Feira do Livro de Lisboa, Lobo Antunes e os responsáveis da Leya chegaram a um entendimento. O autor mantém-se assim na editora D. Quixote, responsável pela publicação de quase todos os seus trabalhos.

«Os argumentos e as promessas do Grupo Leya acalmaram o escritor e este manter-se-á na editora em que publicou quase toda a sua obra. Para dizer sim, teve garantias de que a Dom Quixote voltaria a ter o prestígio dos tempos de Snu Abecasis e que o “lixo literário” desaparecerá da chancela.

“Vou ficar na Dom Quixote.” Esta é a decisão final do escritor António Lobo Antunes após seis meses de hesitação entre permanecer na sua editora de há 25 anos ou aceitar uma das várias propostas de editoras e grupos concorrentes nacionais e estrangeiros que, numa perseguição quase diária, lhe têm abalado a paz do local de trabalho para o contratar.

O diferendo que opôs o autor ao Grupo Leya passou mais pelo estado a que chegara a Dom Quixote, diz, do que apenas uma contestação à integração num grupo editorial com uma tão grande dimensão. E obtidas as garantias que desejava – durante um almoço realizado na semana passada – Lobo Antunes decidiu manter-se na sua editora.

O DN publicou a 29 de Dezembro uma entrevista com o escritor na sequência da aquisição da Dom Quixote pela Leya em que este ameaçava deixar de publicar em Portugal caso não fossem aceites as suas condições e desde então este foi um dos tabus que se mantiveram no panorama editorial nacional.

A decisão não foi, no entanto, fácil para o escritor, que garantiu que a sua “hesitação era muito grande quanto à qualidade da editora e ao projecto editorial da Dom Quixote e da Leya”. Uma hesitação que não correspondeu a “um momento” mas a “longos momentos” e que se prolongou por quase meio ano em duas vertentes. Por um lado, foram várias as reuniões e encontros que teve a convite dos responsáveis da Leya para evitar a sua partida para outra editora – facto que poderia também provocar uma fuga de vários autores deste grupo editorial. Por outro lado, foram muitas as editoras e grupos que tentaram aproveitar o descontentamento para o ter no catálogo.

A decisão de Lobo Antunes recaiu sobre a Dom Quixote face ao que lhe foi apresentado: “Foram muito claros e agrada-me a promessa de que a Dom Quixote volte a ser a editora de referência que era no tempo da Snu Abecasis, quando as pessoas compravam os seus livros porque tinham essa chancela, como era o meu caso. Estou convicto de que o querem fazer e espero que revitalizem as colecções que ela criou, como os Cadernos de Poesia e os Cadernos Dom Quixote, e que aquilo que eu acho que é o lixo editorial – é necessário publicar porque traz dinheiro – seja feito noutras chancelas do grupo“. Para Lobo Antunes, “a Dom Quixote ficaria uma editora literária de qualidade, que não dará os erros de palmatória como aconteceu nos meus livros – nas edições Booket e nas Ne Varietur – e que eu não tolero e quanto aos quais ninguém foi responsabilizado”.

Questionado sobre se o Grupo Leya daria cobertura a esses propósitos, Lobo Antunes garantiu que ficou “bem impressionado com o encontro” e que as partes “estavam de acordo com o que cada uma disse”.»

Fonte: Diário de Notícias

(As partes em bold são da minha autoria.)


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.