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Mercado livreiro

Artigo de hoje no DN:

Dez anos depois, o livro continua sem retrato fiel

“Amanhã [hoje] gostaria de saber números concretos quanto à facturação e à distribuição desses números por géneros e canais de venda. São fundamentais para trabalhar.” O desejo de Carlos da Veiga Ferreira, presidente da União dos Editores Portugueses (UEP), não será totalmente satisfeito quando hoje forem divulgados os dados preliminares de um estudo sobre o sector do livro em Portugal, a que o DN teve acesso.

Há uma ausência total de números oficiais desde 1998 e os dados a divulgar hoje na Biblioteca Nacional, em Lisboa, ainda não conseguem dar o retrato fiel do mercado, apesar de ter números mais precisos.

No último ano alvo de estudo, 2005, o volume de negócios no sector livreiro atingiu os 381 milhões de euros, número oficial que terá crescido, em 2007, para os 500 milhões – este um dado oficioso, revelado recentemente por uma empresa de estudos de mercado espanhola. É que, em Portugal, o sector do livro é o único que não é tratado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), facto que é contestado por Carlos da Veiga Ferreira. “Devia ser o INE a tratar estes dados. Não vejo razão para que este sector fique de fora.”

O INE tem a informação mas não a pode divulgar e esse sigilo é, na opinião do responsável pelo estudo, o sociólogo e investigador José Neves, “uma limitação grave para se ter conhecimento do sector”.

Os dados dos últimos dois anos não foram disponibilizados, verificando-se serem também poucas as editoras que registam (não é obrigatório) a sua marca como propriedade industrial, salienta o relatório elaborado pelo Observatório das Actividades Culturais (OAC), entidade à qual o Ministério da Cultura encomendou o estudo.

Entre 2000 e 2005, o mercado registou, só na área da ficção, um aumento superior a 30%, facto que parece plausível a Veiga Ferreira. Menos credível, aparentemente, é a facturação global nessa mesma área (80 milhões de euros) – “parece-me escasso”. Foi em 2005, altura em que a maioria dos livros publicados (35%) pertencia às áreas da língua, linguística e literatura, surgindo em segundo lugar (25%) as ciências sociais e em terceiro (18%) as generalidades. Do total anual, 69% dos livros publicados eram em português e os restantes traduzidos.

Trabalham no sector 3600 empregados, confirmando-se que os meses com maiores picos de vendas são Setembro (livros escolares) e Dezembro (Natal).

Em resumo: Portugal importa livros da União Europeia e exporta para os PALOP. No último ano apurado pelo relatório, a Sociedade Portuguesa de Autores recebeu de direitos de edição literária 1,4 milhões de euros.

No final são avançados dados positivos do sector: diversidade de oferta cultural, entrada de capital financeiro, empresas mais profissionalizadas, mais promoção e marketing, projecção internacional de autores portugueses.

Pontos negativos? A falta de conhecimentos e formação profissional, fragilidade financeira de editores de pequena e média edição, elevada percentagem cobrada pelas distribuidoras às editoras.

Face à escassez dos dados, o responsável do observatório explica que “o mais importante virá com a segunda fase do estudo, onde se reunirá toda a informação para ser trabalhada conjuntamente”.


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.