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[Opinião] Dezanove Minutos, de Jodi Picoult

Autor: Jodi Picoult
Título Original: Nineteen Minutes (2007)
Editora: Civilização Editora
Páginas: 532
ISBN: 9789722624954
Tradutor: Ana Figueira
Origem: Comprado

Sinopse: Mais uma vez, Picoult aborda um assunto delicado na sociedade contemporânea, um tiroteio no liceu, levantando perguntas como: o seu filho pode tornar-se num mistério para si? O que significa ser diferente na nossa sociedade? É justificável para uma vítima ripostar? E quem – se é que alguém – tem o direito de julgar outra pessoa? Em Sterling, New Hampshire, Peter Houghton, um estudante de liceu com dezassete anos, suportou anos de abuso verbal e físico por parte dos colegas. O seu amigo, Josie Cormier, sucumbiu à pressão dos colegas e agora dá-se com os grupos mais populares que muitas vezes instigam o assédio. Um incidente de perseguição é a gota de água para Peter, que o leva a cometer um acto de violência que mudará para sempre a vida dos residentes de Sterling.

Opinião: Dezanove Minutos conta a história de um adolescente de 17 anos, que após ter sido vítima de intimidação (ou bullying) desde que entrou para a escola primária, por ser diferente dos outros rapazes, se revolta e leva a cabo um tiroteio num liceu, matando 10 pessoas.

A história, já de si, é bastante interessante. Tenho ouvido falar destes fenómenos, particularmente ocorridos nos Estados Unidos, e lembro-me de pensar que as pessoas que cometem estes actos só podem ser loucas e nessas alturas temos tendência a condenar veementemente quem faz coisas do género.

O que este livro faz, e bem, é mostrar-nos o outro lado: explica-nos o que pode levar uma pessoa a cometer um crime deste calibre. Explica-nos aquilo que sabemos, mesmo que seja inconscientemente… como pode ser difícil ser adolescente e ser diferente dos outros e como nos podemos sentir deslocados e colocados de parte. Como é difícil assumir a diferença e dizer que não. No fundo, como é difícil crescer. Claro que uns passam melhor do que outros pelas vias retorcidas e cheias de armadilhas da adolescência, dependendo de factores como a nossa própria personalidade ou a educação/presença que os nossos pais e família nos proporcionam.

O livro faz-nos pensar na questão de termos ou não moral para julgar os outros; faz-nos pensar até que ponto podemos apontar o dedo a alguém e dizer que uma pessoa que comete determinado acto condenável deve ser castigada desta ou daquela maneira. Porque, no fundo, essas pessoas também têm família… e se fôssemos nós essa família?

Gostei bastante, principalmente pela forma como nos faz pensar e perceber o outro lado da barricada, pela habilidade da autora em caracterizar as suas personagens e mostrar-nos as suas emoções e, por fim, pela ânsia em saber como termina a história. Recomendo.


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.