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Byblos

Na tarde do último dia de 2007, aproveitei algum tempo livre para fazer a minha primeira visita à nova livraria de Lisboa, a recém inaugurada Byblos.
Como pontos positivos, aponto o espaço em si, amplo e bem iluminado, com uma organização que me pareceu bastante razoável. Gostei do ambiente da livraria, dos espaços de leitura… acima de tudo, gostei e gosto da ideia.
O problema é que, por enquanto, a Byblos é a concretização ainda um pouco umbilical dessa ideia. Senão vejamos: um dos grandes estandartes da livraria é o seu vasto catálogo, mas com cerca de 3 semanas de funcionamento presume-se que ainda só estejam disponíveis cerca de metade do número inicial aventado, já para não falar no site, que não só ainda não possibilita a compra online como tem uma base de livros muito limitada (se experimentarem pesquisar por “Tolkien” aparecem apenas dois livros sobre o autor e nenhum escrito pelo próprio). Na livraria experimentei fazer uma pesquisa nos touch screens só para ver como funcionavam, introduzi o nome do escritor George Martin e não apareceram resultados, quando tinha acabado de ver um livro dele na prateleira (que já agora, não era das edições recentes da Saída de Emergência, mas sim de uma edição mais antiga). Também a estante robotizada, outra das grandes inovações da Byblos, ainda não se encontra em funcionamento.
A questão é a seguinte: a Byblos, sendo um novo player no mercado das livrarias em Portugal e querendo enfrentar a grande líder que é a FNAC, parte com uma desvantagem considerável que é a sua localização e respectivos acessos. Para além de se encontrar numa zona que não é servida pelo metro, também não está incluída numa grande superfície comercial (ao contrário da FNAC Colombo ou mesmo da FNAC Chiado), e a zona das Amoreiras não é propriamente muito fácil no que ao estacionamento diz respeito.
A conclusão a tirar desta breve reflexão que fiz é que a não ser que o valor que a Byblos oferece ao seu cliente seja incomparavelmente melhor do que o que oferece a concorrência, esta não lhe conseguirá fazer frente. É preciso que os pontos fortes da livraria (o vasto catálogo, o espaço físico diferente, a inovação e a tecnologia que a distinguem) estejam a funcionar em pleno desde a sua entrada em funcionamento, sob pena de criar no cliente uma impressão desfavorável. Esta entrada a meio gás, com o intuito de aproveitar a época natalícia, poderá causar alguns estragos irreparáveis… Espero sinceramente que não. – Célia M.



Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.