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Arquivo da categoria ‘Porto Editora’

[Opinião] O Café do Amor, de Deborah Smith

Tuesday, April 29, 2014 Post de Célia

17839897Autor: Deborah Smith
Título Original:
The Crossroads Cafe (2006)
Editora: Porto Editora
Páginas: 432
ISBN: 9789720045959
Tradutor: Isabel Alves

Sinopse: Cathryn Deen vivia num mundo de sonho: atriz famosa, idolatrada, era considerada a mulher mais bela do planeta. A fama era tudo na sua vida. Mas após sofrer um trágico acidente de automóvel, que a deixa marcada para sempre, decide ocultar-se de tudo e todos.

Escondida na casa da sua avó materna nas montanhas da Carolina do Norte, Cathryn tenta ultrapassar os seus traumas com a ajuda da sua grande prima Delta, uma mulher roliça e bem-disposta, dona do café local. Considerada por todos a alma daquele vale, Delta alimenta com os seus cozinhados e biscoitos deliciosos o corpo e o espírito dos mais carentes.

Um dos seus protegidos é Thomas Mitternich, um famoso arquiteto, fugido de Nova Iorque, após os atentados às Torres Gémeas lhe terem roubado o que de mais valioso tinha na vida: a mulher e o filho. Atormentado pela culpa, Thomas acredita que nada nem ninguém lhe poderá devolver a razão de viver e, entregue ao álcool e ao desespero, espera um dia ganhar coragem para se juntar àqueles que mais amava. O destino irá cruzar os caminhos de Cathryn e Thomas numa história magnífica de superação, ensinando-os a transformar as adversidades em oportunidades e a valorizar a beleza que existe em tudo o que os rodeia.

 

Opinião: As experiências anteriores com livros desta autora (A Doçura da Chuva e Segredos do Passado) levaram-me a não hesitar comprar O Café do Amor quando saiu por cá no ano passado. Deste livro, esperava uma leitura leve e cativante, com foco nos sentimentos e dilemas das personagens, e, se por um lado isso aconteceu, por outro acabou por não me agarrar tanto como os livros que já tinha lido desta autora.

 

As duas personagens principais do livro estão marcadas por grandes tragédias: Cathy é considerada a atriz mais bonita do mundo até ter tido um acidente de automóvel que a deixou desfigurada e com vontade de desaparecer; Thomas vive na sombra de um passado marcado pela perda trágica da mulher e filho nos atentados de 11 de setembro, e reside nas montanhas da Carolina do Norte, refugiado na bebida e tentando, aos poucos, encontrar algum sentido para a sua vida. A dona do café a que o título do livro faz referência acaba por ser o ponto de ligação entre estas duas almas perdidas, porque deseja retomar o contacto com a prima Cathy e Thomas se vê envolvido na tentativa de não deixar que Cathy atinja o fundo do poço.

 

A história é muito previsível, mesmo tendo em conta que num livro deste género o leitor já sabe, à partida, que nada de muito mau vai acontecer às personagens principais. Ainda assim, a previsibilidade acabou por fazer com que a minha leitura se tornasse, a espaços, aborrecida. Esta previsibilidade do enredo em conjunto com o tom cómico que aparece frequentemente na narrativa fez com que tivesse problemas em dar credibilidade aos dramas das personagens principais e às dificuldades que tiveram em ultrapassar os acontecimentos trágicos que marcaram as suas vidas. Depois de terminar o livro, tive ainda algum tempo a tentar perceber o que não tinha funcionado muito bem comigo e acho que foi precisamente isto. Eu precisava de acreditar que aquelas pessoas estavam a passar por verdadeiras dificuldades em arranjar motivos para viver, mas nunca consegui pela forma como o livro está escrito e o enredo composto.

 

Mas, apesar do que refiro acima, não deixa de ser uma leitura agradável, que toca em alguns temas importantes. A ditadura da beleza, a força do ser humano em ultrapassar dificuldades e recomeçar, a importância da amizade, são todos eles assuntos abordados de forma satisfatória, sem nunca tornarem a leitura pesada. Acabei por gostar do livro, apesar de tudo, e pretendo continuar a acompanhar esta autora.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


17789394Autor: Miguel Esteves Cardoso
Editora: Porto Editora
Páginas: 248
ISBN: 9789720046017

Sinopse: «O que espanta num gato é a maneira como combina a neurose, a desconfiança e o medo – para não falar numa ausência total de sentido de humor – com o talento para procurar e apreciar o conforto e, sobretudo, a capacidade para dormir 20 em cada 24 horas, sem a ajuda de benzodiazepinas.
O gato é neurótico mas brinca. (…) Mas, acima de tudo, descobriu o sistema binário da existência.
Que é: dormir faz fome. Comer faz sono. Acordo porque tenho fome.
Adormeço porque comi. Nos intervalos, faço as necessidades.»

 

Opinião: Para além de ocasionais textos ou excertos que encontrei na Internet, nunca tinha lido nada de Miguel Esteves Cardoso. Apesar disso, tinha a ideia que as suas crónicas valiam bastante a pena e foi com essa esperança que comprei e li este seu último livro.

 

Os temas das crónicas são variados: começam por ser sobre a sua mulher, Maria João, e a luta contra o cancro; aqui o tom é sério, sentido, como somos sempre que nos vemos perante as questões da vida que realmente importam. Mas depois começam as crónicas que mais gostei de ler, aquelas nas quais Miguel Esteves Cardoso parte de observações no seu dia-a-dia e reflete sobre elas de uma forma original, com toques de humor e sempre com atenção aos detalhes. Os temas são, entre outros, o tempo, a vida, a sua família, as relações humanas e, de uma forma especial, Portugal e os portugueses – adorei, por exemplo, a carta de amor que escreve a Portugal.

 

Foi uma leitura rápida, feita com gosto, durante a qual dei por mim frequentemente a pensar “é mesmo isto” perante as interpretações lúcidas e perspicazes sobre o que é ser-se humano, viver em Portugal e viver, de uma forma geral. Só senti falta da informação quanto à data em que os textos foram escritos. Mas gostei muito e fico com imensa vontade de explorar o resto da obra de Miguel Esteves Cardoso.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] Um Dia Naquele Inverno, de Sveva Casati Modignani

Friday, January 25, 2013 Post de Célia

16050568Autor: Sveva Casati Modignani
Editora: Porto Editora
Páginas: 384
ISBN: 9789720681591
Tradutor: Regina Valente

Sinopse: Numa grande mansão, às portas de Milão, vivem os Cantoni, proprietários há três gerações da homónima e prestigiada fábrica de torneiras.
Aparentemente, todos os membros da família levam uma vida transparente, mas, na realidade, todos eles escondem segredos que os marcaram; existem situações que, ainda que conhecidas por todos, permanecem um tema tabu. Omite-se até a loucura de que sofre Bianca, a matriarca desta dinastia.
Um dia, entra em cena Léonie Tardivaux, uma jovem francesa sem dinheiro e sem parentes, que casa com Guido Cantoni, o único neto de Bianca. Léonie adapta-se bastante bem à rotina familiar, compreendendo a regra de silêncio dos Cantoni. Isso não a impede de ser uma esposa exemplar, uma mãe atenta e uma gerente talentosa, que, com bastante êxito, conduz a firma pelo mar hostil da recessão económica. No entanto, também ela cultiva o seu segredo, aquele que todos os anos, durante apenas um dia, a leva a largar tudo e a refugiar-se no Lago de Como.
Mais uma vez, Sveva Casati Modignani cativa o leitor com uma saga familiar que atravessa quase um século da História de Itália, dos anos 20 até aos dias de hoje, colocando em cena personagens encantadoras: homens inteligentes, autênticos e perspicazes, que têm ao seu lado mulheres fortes e inigualáveis, capazes de os aconselhar e apoiar.

 

Opinião: Andam por aí algumas iniciativas que oferecem e-books grátis da Porto Editora: a revista Sábado tem trazido alguns e o DN também. Um desses livros era precisamente este, Um Dia Naquele Inverno, de Sveva Casati Modignani. Houve uma altura na minha vida (há talvez uns 12-13 anos) em que li dois ou três livros desta autora e lembro-me de na altura ter gostado, sem na verdade ter adorado. Leram-se bem, mas não foram memoráveis. Mais recentemente, li O Jogo da Verdade e voltou a ser uma leitura rápida e agradável – mas a bem dizer já praticamente não me lembro de nada da história. Pensei voltar à autora para ir lendo uns bocadinhos no telemóvel, quando a ocasião se proporcionasse. Não consegui passar dos 31%. 

 

Do que li, deu para perceber que a história gira em volta de Léonie, uma mulher que casou por interesse e que se apaixonou por outro homem, já depois de casada. Encontra-se com ele todos os anos, no dia 22 de Dezembro. Até onde fui, também deu para perceber que o livro iria ser uma espécie de saga familiar, percorrendo as histórias das mulheres da família. E porque é que desisti? A autora não mudou a sua voz nem a qualidade dos seus livros, quem mudou fui eu. Decidi não perder mais do meu (pouco) tempo com uma leitura que estava a achar insípida e superficial. Tudo me pareceu acontecer a correr, as personagens não me interessaram e o show, don’t tell aconteceu precisamente ao contrário. Foi um caso óbvio de livro errado na altura errada, mas ainda assim fiquei com a nítida sensação que os livros desta autora já não são para mim.

 

Classificação: 0/5 – Não terminei


[Opinião] O Sabor dos Caroços de Maçã, de Katharina Hagena

Friday, October 21, 2011 Post de Célia

Autor: Katharina Hagena
Título Original: Der Geschmack von Apfelkernen (2008)
Editora: Porto Editora
Páginas: 218
ISBN: 9789720043382
Tradutor: Edna Narchial Franco

Sinopse: Um romance mágico que apela aos cinco sentidos. Três gerações de mulheres numa história repleta de segredos, de relações perigosas e amizades inesperadas, de nostalgia e esperança. Bootshaven, Norte da Alemanha. O cheiro a maçãs é intenso e envolve a antiga casa e o jardim. Um perfume que leva Iris, bibliotecária em Friburgo, de regresso aos tempos de criança. Muitos anos passaram, mas tudo parece como dantes: a casa na orla do bosque, as groselheiras brancas, os tapetes de miosótis abafados pelas ervas daninhas. Um jardim mágico, dominado pela velha macieira, debaixo da qual as mulheres da família Lünschen conheceram o amor, a amizade… e a morte. Iris recorda o terrível e misterioso acidente que vitimou Rosmarie, a sua prima querida, com apenas 15 anos. O que estava ela a fazer no telhado do jardim de inverno? E o que lhe teria tentado dizer?

 

Opinião: Iris, uma jovem bibliotecária recebe de herança a velha casa que tinha pertencido à sua avó, após o falecimento desta, o que serve de pretexto para o regresso ao local onde passou tanto tempo durante a sua infância e juventude. Este regresso despoleta uma série de recordações e revela segredos desconhecidos, relatados ao longo de pouco mais de 200 páginas, nas quais não só vamos recuando ao passado para visitar as vidas dos avós, das tias e dos pais de Iris, mas vamos também acompanhando as suas tentativas de adaptação ao presente e de encontrar o lugar a que realmente pertence.

 

Este é um daqueles livros em que parece que não tenho grande coisa a dizer, mais porque foi um livro que me deixou indiferente do que outra coisa qualquer. A autora parece-me ter potencial, mas não senti grande empatia com a personagem principal, que é também a narradora da história. O enredo não é original – nem tinha de o ser – mas a minha sensação é que é demasiado genérico e não tem grande coisa que o faça destacar de outras coisas que já li. Acaba por parecer demasiado curto para narrar convenientemente a saga familiar a que a autora se propõe e o suposto elemento-surpresa no final acabou por não mudar a opinião que já tinha formado.

 

É um livro moderadamente interessante, mas cuja história e personagens nunca me chegaram a cativar por completo. Ainda assim, penso que pode agradar a alguns leitores.

 

Classificação: 2/5 – OK

 


[Opinião] Retrato de Família, de Jojo Moyes

Friday, May 20, 2011 Post de Célia

Autor: Jojo Moyes
Título Original: Sheltering Rain (2002)
Editora: Porto Editora
Páginas: 416
ISBN: 9789720041951
Tradutor: Ana Nereu

Sinopse: 1953, Isabel II é coroada. A comunidade inglesa em Hong Kong reúne-se para celebrar o acontecimento. Para Joy, trata-se apenas de mais uma reunião enfadonha, idêntica a tantas outras. Mas a sua vida transformar-se-á nessa mesma noite ao conhecer o jovem oficial da Marinha Edward Ballantyne. A impulsiva proposta de casamento após um breve encontro parece ser a resposta a todos os desejos de Joy. 
Mais de quarenta anos volvidos, Joy e Edward vivem na Irlanda e a sua relação com Kate, a filha, e Sabine, a neta de dezasseis anos, é distante e fria. Em Londres, Kate tenta resolver mais uma das suas inúmeras crises amorosas e, numa tentativa de proteger Sabine, decide que ela vá passar umas férias com os avós. 
Para surpresa geral, Sabine parece adaptar-se bem à vida no campo e ao difícil temperamento da avó. Até que o súbito agravamento do estado de saúde de Edward obriga Kate a um inesperado regresso à casa de família, reabrindo as velhas feridas que a separam de Joy. Que segredos afastam mãe e filha? Poderá Sabine unir duas gerações tão diferentes, ou cairá também ela no silêncio que as separa?

 

Opinião: Antes da opinião propriamente dita, uma pequena contextualização. Comprei este livro na Feira, pouco antes de ter falado com a autora e de ela mo ter autografado. Entusiasmada com a simpatia da autora e o gosto que me demonstrou ter pela escrita, parti de imediato para esta leitura.

 

Em 1953, e no dia da coroação de Isabel II, Joy conhece aquele que seria o grande amor da sua vida. Várias décadas depois, Joy vive com o marido na Irlanda e recebem na sua casa a neta, Sabine, uma vez que o turbilhão emocional da vida de Kate, mãe de Sabine, não permite que esta lhe possa prestar toda a atenção que a adolescente necessita. Inicialmente, Sabine vai contrariada mas, com o passar do tempo, ambienta-se à vida rural e às peculiaridades dos avós e das pessoas que os rodeiam. Esta visita abre também portas ao recordar do passado e à descoberta de um segredo que há muito se julgava esquecido.

 

Retrato de Família foi o primeiro romance publicado por Jojo Moyes, em 2002. Para quem, como eu, leu outros livros dela antes, é perfeitamente notório que foi o primeiro. As características principais da autora estão lá: personagens interessantes, com dilemas pessoais enraizados no passado, uma escrita clara e cativante, descrições vívidas que o leitor facilmente visualiza e um enredo com bastante potencial. Neste caso, achei foi que o ritmo do livro é um pouco desequilibrado e o enredo, apesar de ter potencial, nem sempre foi pelos caminhos que o poderiam ter tornado mais interessante. Por exemplo, penso que o livro teria a ganhar se se tivesse centrado mais (e mais cedo) na história de Joy e se tivesse dado mais background à história de Kate, em vez de alguns momentos mais parados que acompanham Sabine e nem sempre contribuem para que a história avance.

 

No final de contas, foi um bom livro, que me deu prazer em ler, mas que, na minha opinião, perde em comparação com obras mais recentes da autora. Para terminar, só a nota que Jojo Moyes referiu  no seu twitter que o livro The Last Letter From Your Lover (o último que publicou e que, por acaso, já tenho em inglês) está previsto sair em Portugal em Maio do próximo ano. 

 

Classificação: 3/5 – Gostei